O senador Angelo Coronel (PSD) se pronunciou na noite desta sexta-feira (30/01) para rebater as declarações do presidente do PSD na Bahia, senador Otto Alencar, que o acusou de tentar articular, junto ao presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, uma intervenção no diretório estadual do partido.
Ao Correio, Coronel negou a acusação e desafiou publicamente o aliado a provar o que disse:
“Quem quiser saber se é verdade ou mentira o que estou falando, consulte Gilberto Kassab. Na mesa só tinha eu, Diego (Coronel) e Gilberto Kassab. Só nós três”, afirmou.
Segundo Coronel, a viagem a São Paulo teve como único objetivo discutir com Kassab o cenário político do PSD na Bahia, diante da contradição criada após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao partido. Caiado é cotado como pré-candidato à Presidência da República e já declarou que pretende estar no palanque de ACM Neto (União Brasil) na Bahia, enquanto Otto defende o apoio do PSD à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O senador baiano negou que tenha tratado de qualquer pedido de intervenção no comando estadual da legenda.
“Esse negócio de eu ter viajado para pedir intervenção é uma falácia, uma narrativa fantasiosa de quem quer se desculpar de algo”, declarou.
De acordo com Coronel, o único pedido feito a Kassab foi para que pudesse disputar o Senado como candidato avulso, mantendo o PSD em posição de independência política no estado.
“O que pedi foi apenas para ser candidato avulso, para não embrulhar a cabeça do eleitor baiano”, disse.
Em entrevista ao Metrópoles, Otto Alencar afirmou considerar “difícil” a permanência de Coronel no PSD. Ao reagir, o senador demonstrou tristeza e mágoa com o aliado de mais de 40 anos.
“Li na mídia que o presidente Otto afirmou que a minha permanência é insustentável. Se eu sair, será com o coração dilacerado, porque é o partido que ajudei a fundar. Mas a verdade um dia vai triunfar. Sinto que ele está sendo manobrado por alguns membros do PT.”
Sem citar nomes, Coronel afirmou que existe uma articulação política para afastá-lo da legenda.
“Estou sentido porque um amigo, compadre de 40 anos, está entrando de cabeça numa conspiração promovida por algum membro do alto escalão do PT para que Otto rompa comigo e o PT fique livre para manter a chapa puro-sangue. Isso é um absurdo.”
O senador também relembrou a trajetória política ao lado de Otto:
“Admiro Otto, ajudei muito ele na vida pública e sinto na alma essa atuação que Otto está assumindo.”