O Federal Reserve (Fed) manteve as taxas de juros em 3,50% a 3,75% nesta quarta-feira (18). Essa foi a primeira reunião de política monetária desde a eclosão da guerra de EUA e Israel com o Irã.
A decisão era amplamente esperada nos mercados financeiros. No entanto, as projeções fornecem novas informações sobre como o banco central dos EUA está avaliando o impacto econômico do conflito no Oriente Médio.
Os preços do petróleo saltaram de menos de US$ 80 por barril para US$ 108 antes da decisão do Fed, com os preços da gasolina nos EUA também subindo e novos dados de inflação mostrando que os preços no atacado estão subindo mais rápido do que o esperado, mesmo antes do início do conflito.
Além da referência à guerra, a nova declaração do Fed foi pouco alterada em relação à declaração emitida no final de sua reunião de 27 e 28 de janeiro.
Projeções
O Banco Central dos EUA projetou uma inflação mais alta, desemprego estável e apenas um único corte nos juros para o ano.
As novas estimativas das autoridades monetárias do banco central dos EUA mostraram que a taxa de juros básica do Fed cairia apenas 0,25 ponto percentual até o final deste ano, sem nenhuma indicação do momento de tal movimento.
Essa visão permaneceu inalterada em relação às projeções anteriores e continua fora de sintonia com a demanda do presidente Donald Trump por uma queda acentuada nos custos dos empréstimos.
Espera-se que a inflação medida pelo indicador preferido do Fed termine o ano em 2,7%, não muito abaixo da taxa atual e mais alta do que os 2,4% projetados em dezembro, possíveis consequências do aumento dos preços globais do petróleo que se seguiu ao início da campanha de bombardeio contra o Irã.
Cenários
“As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas”, disse o Fed em uma declaração de política monetária que também observou que o desemprego continua estável.
As novas estimativas econômicas e de taxas de juros mostraram que o Fed, por enquanto, está olhando para além do choque do petróleo. Os formuladores de política monetária seguem na expectativa de reduzir as taxas de juros este ano e preveem que a inflação será de 2,2% até o final de 2027, próximo à meta de 2% do banco central.
O crescimento econômico foi ligeiramente melhorado, para 2,4% em 2026, em comparação com 2,3% em dezembro, e a projeção da taxa de desemprego permaneceu inalterada em 4,4%.
O diretor do Fed Stephen Miran seguiu sendo uma voz dissidente, votando contra a decisão de manter a taxa de política monetária na faixa atual de 3,50% a 3,75%, em favor de um corte na taxa.