O Irã continua exportando seu petróleo pelo Estreito de Ormuz em níveis próximos aos registrados antes da guerra. Ao mesmo tempo, o país tem permitido a passagem de um número limitado de embarcações comerciais ligadas a países considerados “amigáveis”.
A rota marítima estratégica, no entanto, segue fechada para a maior parte do tráfego internacional. De acordo com dados da empresa de inteligência Kpler, a Bloomberg informou que o petróleo iraniano representou quase três quartos dos 27,2 milhões de barris de petróleo que passaram pelo Golfo Pérsico desde 1º de março.
Ou seja, o país persa tem transportado 1,2 milhão de barris de petróleo bruto por dia pelo Estreito de Ormuz. Isso é ligeiramente abaixo dos 1,5 milhão de barris diários antes do início do conflito com os Estados Unidos e Israel.
Em comparação, outros países conseguiram embarcar apenas 3% dos níveis anteriores à guerra — uma média de 400 mil barris por dia, contra 14 milhões — nas últimas três semanas.
Pelo menos 89 embarcações atravessaram o estreito bloqueado entre 1º e 15 de março, incluindo 16 petroleiros, informou a Associated Press, citando dados da Lloyd’s List Intelligence. Esse número representa uma queda em relação ao período anterior ao conflito, quando entre 100 e 135 navios cruzavam o estreito diariamente.
Bloqueio seletivo?
Embora o Irã tenha imposto um bloqueio quase total à passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz, analistas apontaram que um pequeno número de navios não iranianos recebeu autorização para transitar nos últimos dias.
Segundo a empresa de monitoramento de tráfego marítimo Windward, algumas embarcações estão utilizando uma rota um pouco mais longa, que passa pelas águas territoriais iranianas. O relatório da empresa mostrou que quase todos os navios que adotaram esse trajeto tinham atracado anteriormente no porto Imam Khomeini, um dos principais portos comerciais do Irã.
A analista Michelle Wiese Bockmann destacou na rede X que esse foi um dos primeiros sinais de que o Irã está permitindo “trânsitos condicionados à autorização para países amigos”.
A análise da Lloyd’s List Intelligence citada pela Associated Press também aponta que muitos dos navios que atravessaram o estreito pertencem às chamadas “frotas ocultas”, utilizadas para driblar sanções ocidentais.
O que o Irã diz?
Em entrevista ao programa MS Now durante o fim de semana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, foi questionado sobre o fechamento do Estreito de Ormuz.
Ele afirmou: “O Estreito de Ormuz está aberto. Ele está fechado apenas para petroleiros e navios que pertencem aos nossos inimigos, àqueles que estão nos atacando e a seus aliados.”
“Os demais podem passar livremente. Muitos preferem não fazê-lo por questões de segurança; isso não tem relação conosco. Posso dizer que o estreito não está fechado, mas está fechado apenas para navios e petroleiros americanos e israelenses, não para os demais.”
Já em entrevista à CNBC, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou:
“Os navios iranianos já têm conseguido sair, e permitimos que isso aconteça para abastecer o restante do mundo… Acreditamos que haverá uma abertura natural que os próprios iranianos estão permitindo e, por enquanto, isso é aceitável para nós. Queremos que o mundo esteja bem abastecido.”
Próximos passos
De acordo com relatos, autoridades dos Estados Unidos e do Reino Unido afirmaram acreditar que o Irã pode estar instalando minas no Estreito de Ormuz.
Embora não esteja claro se o país já posicionou minas, ele realizou ataques aéreos contra diversas embarcações no Golfo Pérsico e contra infraestruturas petrolíferas de países vizinhos no Oriente Médio.
Na noite de terça-feira (17), o Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou ter utilizado “múltiplas munições penetrantes de 5 mil libras contra instalações iranianas fortificadas de mísseis ao longo da costa do país, próximas ao Estreito de Ormuz”.
O CENTCOM acrescentou que mísseis antinavio armazenados nesses locais “representavam um risco para a navegação internacional no estreito”.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com