Lurdes Neves Ferreira, mãe da menina Leide das Neves, contou como a filha foi contaminada pelo Césio-137. O caso voltou aos holofotes após a Netflix lançar a série Emergência Radioativa, que retrata o acidente em Goiânia, em 1987, e rememora a história da criança — chamada Celeste na produção.
Apesar de ter tido contato direto com a substância radioativa, Lurdes não foi afetada. A filha, por sua vez, ficou encantada com o brilho do Césio-137 e mexeu no item após o pai levar um pedaço para a casa da família. A menina tinha 6 anos quando morreu.
Veja quem são as vítimas que morreram:

Leide das Neves Ferreira, uma das mais marcantes vítimas do Césio-137
Divulgação

Israel Baptista dos Santos, vítima do Césio-137

Maria Gabriela, tia de Leide e esposa de Devair Alves Ferreira, dono do ferro velho onde a cápsula de Césio foi aberta
Arquivo/Polícia Federal

Túmulo de Admilson Alves. Não há fotos disponíveis dele
Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto

Túmulo de Israel Batista
Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto

Túmulo de Leide das Neves
Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto

Túmulo de Maria Gabriela Ferreira
Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto

Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

Assim como mostrado na série, recipiente com Césio-137 ficou dias em uma cadeira na Vigilância Sanitária
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137
Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica

Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez
Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica

Velório das vítimas
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
“Ela tinha pedido um ovo cozido e foram olhar esse brilho. Eu descasquei o ovo, coloquei na mesa e fui chamar ela para comer. Ela estava com uma mão na mesa e a outra terminando de comer o ovo, e [tinha] um caldo preto escorrendo da mão dela”, contou ao site Mais Goiás, no ano passado.
“Juntou o pó do Césio com a água do ovo e escorria aquele caldo preto”, completou.
Como vive Lurdes?
Aos 74 anos, Lurdes vive com uma pensão vitalícia destinada às vítimas do acidente com Césio-137. Segundo a repórter Giovanna Estrela, responsável pela série Memórias Radioativas, do Metrópoles, o benefício, atualmente de R$ 954, abaixo do salário mínimo, é, em grande parte, comprometido com a compra de medicamentos de uso contínuo.
Após a morte da filha, Lourdes também perdeu a casa onde vivia, que foi demolida durante as ações de descontaminação. A família recebeu um novo imóvel do governo estadual em Aparecida de Goiânia, mas nunca retornou ao antigo endereço.
Anos depois, ela também enfrentou a perda do marido, Ivo Alves Ferreira, que teve contato com o material radioativo e conviveu com sequelas por anos. Ele morreu em 2003.