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Parlamento do Irã Aprova Fechamento do Estreito de Ormuz após Ataque dos EUA

Jacques Descloitres/NASA

Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do comércio global de petróleo

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Após o envolvimento direto das forças armadas dos Estados Unidos no conflito entre Irã e Israel, com o bombardeio de três instalações nucleares no Irã na noite de sábado (21), o parlamento do país do Oriente Médio aprovou uma medida para fechar o Estreito de Ormuz.

O bloqueio de uma das principais vias energéticas do mundo e símbolo de tensões no Golfo — responsável por cerca de 20% do comércio global de petróleo — é visto como a ameaça mais eficaz de Teerã para prejudicar o Ocidente.

A Press TV do Irã disse que o fechamento do estreito exigiria a aprovação do Conselho Supremo de Segurança Nacional, um órgão liderado por um nomeado pelo Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Tentar bloquear o petróleo do Golfo fechando o estreito poderia fazer os preços globais do petróleo dispararem, prejudicar a economia mundial e provocar um conflito quase certo com a enorme Quinta Frota da Marinha dos EUA, baseada no Golfo e encarregada de mantê-lo aberto.

O que é o Estreito de Ormuz?

Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é considerado um dos principais pontos de escoamento de petróleo e gás do mundo.

Com apenas 34 km de largura em seu ponto mais estreito, essa passagem marítima conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Ao norte, está a costa do Irã; ao sul, ficam os Emirados Árabes Unidos (EAU) e um enclave pertencente ao Omã. Por ali passam, diariamente, 21 milhões de barris de petróleo e derivados – cerca de 30% do consumo mundial. Além disso, um terço do gás natural liquefeito (GNL) do planeta também passa pela hidrovia.

De acordo com a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), a região é considerada “o ponto de estrangulamento de petróleo mais importante do mundo”. Isso porque não há rotas alternativas viáveis para o transporte de petróleo e de GNL, tornando o fluxo extremamente vulnerável. Ou seja, qualquer instabilidade na área pressiona os mercados globais e eleva o risco de choques nos preços de energia.

Ormuz sob pressão

Na prática, o Estreito é cercado por países com interesses e alinhamentos distintos. De um lado está o Irã, historicamente em conflito com os Estados Unidos e seus aliados. Do outro, os EAU (Emirados Árabes Unidos), que mantêm uma relação estratégica com Washington — alinhado a Israel. Em meio a esses polos, há um estreito território controlado por Omã, que adota uma postura de neutralidade e atua como mediador entre os países do Golfo.

O tráfego marítimo é organizado em dois corredores estabelecidos pela Organização Marítima Internacional (IMO), por meio de um sistema de separação de vias (Traffic Separation Scheme – TSS). Um desses canais é reservado para embarcações que entram no Golfo Pérsico e o outro para as que saem. Cada rota tem, em média, 3 quilômetros de largura.

Isso significa que os navios têm pouco espaço para navegar, aumentando o risco de acidentes. Ou seja, qualquer problema em uma das vias pode interromper o trânsito e afetar as commodities energéticas.

Essa passagem estreita acentua ainda mais as tensões, já que mesmo sem dominar a região completamente, a geografia confere ao Irã um poder quase soberano, pois toda a costa norte — maior em extensão costeira — pertence ao país persa.

O Irã pode fechar o Estreito de Ormuz?

O Irã nunca fechou o Estreito completamente, mas ocorreram eventos críticos ao longo dos anos. Na década de 1980 durante o conflito Irã – Iraque, ambos os lados atacaram petroleiros que transitavam pelo Estreito, provocando escoltas navais dos EUA e confrontos diretos. Já em 2008, lanchas iranianas e navios de guerra dos EUA se envolveram em encontros tensos.

O conflito mais recente foi em abril de 2024, em que horas antes de lançar um ataque de drones e mísseis contra Israel, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã apreendeu um navio porta-contêineres ligado ao país perto da passagem.

Ameaça de retaliação

O Irã, que até agora vinha evitando ataques diretos a tropas e interesses americanos no Oriente Médio, havia advertido que a entrada dos EUA na guerra provocaria retaliação, elevando os temores na região quanto ao risco de ampliação do conflito.

Após uma semana de sinais contraditórios, o presidente Trump — que por muito tempo prometeu manter os EUA fora de “guerras eternas” no exterior — autorizou as forças americanas a atacarem a instalação nuclear mais fortificada do Irã, localizada em profundidade subterrânea. O objetivo, segundo autoridades americanas e israelenses, é impedir que o Irã construa uma bomba nuclear.

Israel e Irã, inimigos declarados há décadas, vêm trocando tiros desde 13 de junho, quando os israelenses lançaram uma ofensiva surpresa contra infraestrutura iraniana, incluindo instalações nucleares e líderes militares. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que seu país não tinha outra escolha senão agir para evitar um “holocausto nuclear”.

O Irã respondeu com lançamentos de mísseis e também com ofertas para retomar as negociações sobre seu programa nuclear. Dias atrás, membros do governo Trump pareciam determinados a se manter fora do conflito. No entanto, Trump, ao mesmo tempo em que fazia apelos por negociações de paz, começou a adotar um tom cada vez mais beligerante. Na terça-feira, chegou a fazer uma ameaça direta ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, dizendo: “Nossa paciência está se esgotando.”





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