O presidente do Instituto Mário Cravo Neto, Cristian Cravo, falou sobre a importância da preservação da obra de seu pai, o artista Mário Cravo Neto, e criticou a falta de capacidade do Estado para conservar acervos culturais relevantes. Em entrevista ao programa Jornal da Cidade, nesta segunda-feira (21), ele destacou os desafios enfrentados pela família e pelo Instituto para manter viva a memória do artista.
“O Estado não tem a capacidade de gerir, resguardar um material tão importante. O governo é administrativo. E com isso muitas obras dele, públicas inclusive, foram feitas e destruídas com o tempo por negligência, falta de interesse. Aí muda um partido, vem outro… e isso vai se perdendo”, comentou. Segundo ele, questões financeiras e a má alocação de recursos também contribuíram para o desaparecimento de parte significativa da produção do artista.
Cristian Cravo explicou que, após a morte do pai em 2009, a família criou o Instituto Mário Cravo Neto para cuidar do legado do artista. A instituição atua em colaboração com outros centros culturais, como o Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. “A obra dele é única. Ele não deixava matrizes como na fotografia. Quando uma peça vai para um museu ou é vendida, ela se vai. Por isso, preservar o que sobrou é um trabalho contínuo e delicado”, explicou.
Como curador da exposição Sob o Sol da Bahia, Cravo ressaltou o valor dos anos formativos de Mário Cravo Neto, período retratado na mostra. “O mais interessante é antes do estrelato, antes de ele ser conhecido. É esse recorte que estamos fazendo: de 1967 a 1975. É quando a ebulição artística acontece. É nesse momento que começamos a entender o que fez dele o artista que o mundo conheceu”, finalizou.
Confira a entrevista na íntegra: