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Cenários
Chegou finalmente o dia em que as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros vão entrar em vigor. A medida, anunciada na semana passada pelo governo americano, atinge principalmente itens do agronegócio, como soja, carnes e açúcar, e isenta produtos relevantes como petróleo, suco de laranja e aviões. O impacto direto deve ser negativo para exportadores e para o saldo da balança comercial.
As exportações para os Estados Unidos somaram cerca de US$ 35 bilhões no acumulado de 12 meses até julho. Os produtos mais atingidos pelas tarifas de 50% respondem por mais de um terço desse valor. Com a nova alíquota, empresas brasileiras tendem a perder competitividade e podem ser forçadas a redirecionar parte da produção para outros mercados.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o prejuízo anual para o setor agropecuário pode superar US$ 5 bilhões. Entre os produtos mais afetados estão a soja em grão, a carne bovina in natura e o etanol de cana-de-açúcar. O governo brasileiro ainda avalia se recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas não há expectativa de medidas imediatas.
A reação dos mercados tem sido fraca. Na terça-feira (5) o dólar à vista encerrou o pregão com alta de 0,15%, cotado a R$ 5,508. O Ibovespa oscilou ao longo do dia, mas fechou com leve avanço de 0,14%, a 133.151 pontos. Os investidores não descartam a hipótese de que o governo americano possa recuar ou alterar os termos da tarifa, apesar de Donald Trump não ter dado sinais sobre flexibilizações até agora.
Os investidores internacionais monitoram a temporada de resultados corporativos e os sinais da política monetária nos Estados Unidos. Esses fatores acabaram por ofuscar, ao menos no curto prazo, os efeitos diretos da nova tarifa sobre o Brasil.
No front político, o governo brasileiro adotou tom moderado. O Ministério das Relações Exteriores afirmou em nota que buscará “diálogo construtivo” com as autoridades americanas e que estuda “respostas proporcionais” caso a medida seja mantida. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se pronunciou publicamente sobre o tema desde a confirmação das tarifas.
A ausência de uma resposta imediata também contribui para a letargia dos mercados. Os investidores têm preferido manter posições neutras enquanto não houver uma escalada retórica entre os dois governos ou uma reação mais dura por parte do Brasil. O cenário, porém, pode mudar. Caso os dados de exportação do terceiro trimestre já mostrem queda expressiva nas vendas aos Estados Unidos, o impacto nas projeções de crescimento pode ser revisado. Isso traria efeitos para o mercado de juros e para o comportamento da bolsa. Empresas com maior exposição ao mercado americano tendem a ser reavaliadas.
Economistas apontam que o principal impacto será sobre o crescimento e a inflação. A redução nas exportações pode afetar o PIB do segundo semestre. Além disso, com menor entrada de dólares comerciais, a pressão sobre o câmbio tende a aumentar, o que pode dificultar a convergência da inflação à meta do Banco Central.
Perspectivas
As bolsas americanas iniciam o dia com perspectiva de alta devido aos bons resultados corporativos. Por aqui, os investidores seguem atentos a novidades no setor de tarifas e a desdobramentos da turbulência política que ocorreu em Brasília na terça-feira. Parlamentares da oposição buscaram travar a tramitação de projetos no Congresso, em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada na noite da segunda-feira (4).
Indicadores
Balança comercial (Jul)
Esperado: US$ 5,60 bilhões
Anterior: US$ 5,89 bilhões
Sem indicadores relevantes