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Demanda por Carne Ajudará a Derrubar Protecionismos no Futuro, Avalia Diretor da Cargill

Ricardo Moraes/REUTERS

Galinheiro em fazenda de criação de aves privada no Rio de Janeiro

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A demanda global por carnes, impulsionada pelo aumento da renda em países emergentes, deve se tornar um fator decisivo para a derrubada de barreiras protecionistas no futuro, tais como as tarifas proibitivas ainda aplicadas pela Índia. Essa tendência tende a favorecer produtores de menor custo, como o Brasil, afirmou à Reuters Antônio Mário Penz Junior,  diretor global de Contas Estratégicas da Cargill Nutrição Animal.

Executivo com mais de 15 anos de experiência na Cargill e especialista em nutrição animal, ele sustenta que o avanço da urbanização, aliado às mudanças nos hábitos alimentares e ao crescimento econômico da Índia, deve pressionar pela redução dessas barreiras no país asiático, repetindo um movimento semelhante ao que ocorreu na China.

“Eu não tenho dúvida disso, não posso afirmar, mas não tenho dúvida. Por quê? Porque isso aconteceu na China”, disse Penz. Ele lembrou que, há 30 anos, essa era a expectativa com os chineses, que hoje são grandes importadores de alimentos, incluindo carnes e grãos do Brasil.

Na Índia, 60% da população é vegetariana, observou o diretor da Cargill, acrescentando que parte da população ainda tem restrições religiosas a algumas proteínas, como a carne bovina ou a suína.

Ainda assim, a proteína de aves, que não sofre com barreiras religiosas e culturais, já teria muitas oportunidades na Índia, não fosse a questão tarifária. Hoje os indianos taxam a importação de frango inteiro em 30% e os cortes em 100%, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o que inviabiliza o acesso ao mercado indiano pelo Brasil, maior exportador desse produto.

Penz, que vai tratar de perspectivas para o setor na conferência FACTA WPSA-Brasil, em Campinas, na próxima quarta-feira, 3, preferiu não fazer previsões sobre quando a Índia abriria seu mercado.

“Eu diria que, à medida que eles ainda têm poder de ter barreiras das mais diferentes, que inibem a importação… diria que ainda não chegou a hora… Mas isso é um processo irreversível”, comentou.

Ainda que boa parte dos mais de 1,4 bilhão de habitantes da Índia seja vegetariano, o consumo de carne de aves gira em torno de 2 kg per capita/ano, contra 46 kg no Brasil, evidenciando o potencial. “O que não é vegetariano na Índia equivale a quase três Brasis”, comentou.

O Brasil, que está entre aqueles com custo de produção de carnes mais baixo, em função da oferta abundante de matérias-primas como soja e milho, tem potencial de avançar exportação da proteína animal em países da Ásia com economia crescente e também na África, disse o executivo.

“A população do mundo cresce mais ou menos 2%. A renda per capita aumenta. Então, naturalmente, quem produz carne barata terá uma participação neste mercado internacional de carnes. Eu não consigo concorrer no mercado internacional de carnes com carnes mais caras. E o Brasil é extremamente eficiente”, disse.

Penz afirmou que indicadores do órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentação (FAO) apontam que, quando aumenta a renda per capita, o primeiro gasto é com alimento e, neste item, com a compra de alguma proteína de origem animal.

“Quando você olha indicadores já prevendo 2050, no caso das carnes do Brasil é um oceano azul”, acrescentou.





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