Em uma premiação equilibrada, Bad Bunny fez valer seu favoritismo e consagrou-se na 68ª edição do Grammy, ao levar o principal troféu de Álbum do Ano por “Debi tirar más fotos”, na noite deste domingo (1º). O cantor porto-riquenho emocionou-se ao ter seu nome anunciado pelo britânico Harry Styles, enquanto era ovacionado pelas estrelas da música mundial presentes à Crypto.com Arena, em Los Angeles.
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Em meio aos protestos que eclodem nos Estados Unidos contra a política imigratória de Donald Trump e as ações consideradas truculentas do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega do país, o cantor fez seu discurso de agradecimento quase todo em espanhol: “Obrigado a Deus, à Academia, a todas as pessoas que acreditaram em mim durante toda a minha carreira. A todas as pessoas que trabalharam nesse disco. Obrigado mãe por eu ter nascido em Porto Rico, te amo. Quero dedicar esse disco a todas as pessoas que tiveram que sair de sua terra natal para buscar seus sonhos (em inglês). A todos os latinos do mundo e a todos os artistas que estiveram aqui antes e que mereceram concorrer a esse prêmio, muito obrigado”.
Antes, Bad Bunny já havia feito o discurso mais contundente da noite ao receber o prêmio de Álbum de Música Urbana, por “Debi tirar más fotos”. “Antes de agradecer a Deus, devo dizer uma coisa: Fora ICE! Não somos selvagens, não somos animais, somos seres humanos e somos americanos. A melhor foram de combater o ódio é com amor”, disse o cantor ao receber o troféu de dois novos ícones da cultura latina nos EUA, Marcello Hernández, humorista do Saturday Night Live (SNL), e a estrela do reggaeton colombiana Karol G.
As questões migratórias foram o grande tema da noite. Olivia Dean, britânica de ascendência jamaicana e guianense, destacou a origem migrante de sua família ao receber o prêmio de Artista Revelação. Depois, Billie Eilish juntou-se ao coro ao receber o troféu de Música do Ano, por “Wildflower”. “Por mais grata que eu me sinta, sinceramente não acho que preciso dizer nada além de que ninguém é ilegal numa terra roubada. E, sim, é muito difícil saber o que dizer e o que fazer agora, mas me sinto muito esperançosa aqui, e sinto que precisamos continuar lutando, nos manifestando e protestando, e nossas vozes realmente importam, e as pessoas importam. Foda-se o ICE'”, bradou a cantora, acompanhada no palco por seu irmão e produtor, Finneas.
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Além dos prêmios conquistados por Bad Bunny, Billie Eilish e Olivia Dean, houve um equilíbrio nas demais categorias principais da noite: Gravação do Ano ficou com Kendrick Lamar e SZA, por “Luther”; Lady Gaga levou o troféu de Álbum de Pop Vocal por “Mayhem”; Kendrick Lamar venceu Melhor Álbum de Rap por “GNX”.
Mais cedo, Caetano Veloso e Maria Bethânia, únicos brasileiros indicados ao Grammy 2026, venceram a categoria Melhor Álbum de Música Global, com o registro da turnê que rodou o Brasil em 2024 e 2025. Os irmãos disputaram o prêmio com Siddhant Bhatia, por “Sounds of Kumbha” (Índia); Burna Boy, por “No sign of weakness” (Nigéria); Youssou N’Dour, por “Eclairer le Monde — Light the World” (Senegal); Shakti, por “Mind explosion (50th anniversary tour live)” (Índia); Anoushka Shankar (com Alam Khan e Sarathy Korwar), por “Chapter III: We return to light” (Reino Unido). O prêmio foi anunciado na première do evento principal, e foi recebido pela apresentadora Dee Dee Bridgewater em nome dos brasileiros, que não estavam na cermônia. Em seu perfil no Instagram, Caetano Veloso postou um vídeo ao lado da mulher, a produtora Paula Lavigne, sendo informado da vitória e celebrando a conquista.
Entre as performances da noite, entre as quais Justin Bieber interpretou “Yukon”, hit de seu álbum de mais recente, “Swag”, vestindo apenas cueca e meias, os artistas que morreram no último ano foram lembrados com apresentações especiais. Uma banda formada por Slash e Duff McKagan (Guns N’ Roses), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), Andrew Watt e Post Malone nos vocais interpretou “War pigs”, do Black Sabbath, em homenagem ao seu fundador Ozzy Osbourne. O rapper D’Angelo e a cantora Roberta Flack foram lembrados em tributos liderados por Lauryn Hill, com convidados. Outros nomes lembrados foram Brian Wilson (Beach Boys), Bob Weir (Grateful Dead) e Sly Stone (Sly & the Family Stone).
Veja os vencedores das principais categorias:
Álbum do Ano
“Debi tirar más fotos” – Bad Bunny
Gravação do Ano
“Luther” – Kendrick Lamar e SZA
Música do Ano
“Wildflower” – Billie Eilish
Artista Revelação
Olivia Dean
Melhor Álbum de Música Urbana
“Debi tirar más fotos” – Bad Bunny
Melhor Álbum de Música Global
“Caetano e Bethânia ao vivo” — Caetano Veloso e Maria Bethânia
Melhor Álbum de R&B
“Mutt” – Leon Thomas
Melhor Música de R&B
“Folded” — Kehlani
Melhor Álbum de Rap
“GNX” – Kendrick Lamar
Melhor Música de Rap
“TV off” —Kendrick Lamar ft Lefty Gunplay
Melhor Álbum de Rock
“Never enough” – Turnstile
Melhor Música de Rock
“As alive as you need me to be” – Trent Reznor e Atticus Ross, compositores (Nine Inch Nails)
Melhor Álbum de Pop Vocal
“Mayhem” – Lady Gaga
Melhor Álbum de Pop Tradicional
“A matter of time” — Laufey
Melhor Performance Pop Solo Vocal
“Messy” – Lola Young
Melhor Performance Pop Duo/Grupo
“Defying gravity” – Cynthia Erivo & Ariana Grande
Melhor Performance de Rock
“Changes (Live from Villa Park) Back to the beginning” — Yungblud featuring Nuno Bettencourt, Frank Bello, Adam Wakeman, II
Melhor Desempenho em Metal
“Birds” — Turnstile
Melhor Álbum de Música Alternativa
“Songs of a lost world” – The Cure
Melhor Álbum Dance/Eletrônico
“Eusexua” — FKA Twigs
Melhor Álbum de Pop Latino
“Cancionera” – Natalia Lafourcade
Melhor Álbum de Latino de Rock ou Alternativo
“PAPOTA” — CA7RIEL & Paco Amoroso
Música para Mídia Visual
“Golden” – HUNTR/X: EJAE, Audrey Nuna, Rei Ami (KPop Demon Hunters)
Melhor Álbum de Country Tradicional
“Ain’t in it for my health” – Zach Top
Melhor Álbum de Country Contemporâneo
“Beautifully broken” – Jelly Roll
Produtor do Ano, Não-Clássico
Cirkut
Compositor do Ano, Não-Clássico
Amy Allen