Na noite da segunda-feira (09/03), ao entrar no Grand Palais para o desfile da Chanel, gruas coloridas pontuavam o cenário enquanto a o ruído de bate-estacas se infiltrava entre as faixas “Just Dance” de Lady Gaga e “Petit Pays” de Cesária Évora na trilha sonora. A gente logo entendeu o recado: através do novo olhar de Matthieu Blazy, estamos diante de uma obra em construção, um work in progress que marca a segunda coleção de ready-to-wear do estilista à frente da maison francesa. A primeira, que desembarcou nesta semana com exclusividade na boutique da Rue Cambon, em Paris, já tem peças sold out – o vestido que usei para assistir o show ontem é o look 50 da estreia do estilista no prêt-a-porter da marca.
Outra coisa que Blazy nos disse sem usar palavras: a Chanel não precisa de ruptura, mas dá boas-vindas ao frescor. O estilista observa a grife de maneira plural: funcional e dos sonhos, jovem e madura, diurna e noturna. Para acompanhar a mulher em todos os lugares que ela deseja ocupar no mundo. O casting de modelos, lindo e diverso, deixou isso ainda mais claro, da abertura com Stephanie Cavalli (que já havia inaugurado a alta-costura em janeiro) às nossas lindas brasileiras Mari Calazan e Julia Morais, que fez sua estreia internacional com exclusividade para a marca.
O TAILLEUR CHANEL, PARA BLAZY, É UM PONTO DE PARTIDA E NÃO UM FIM. O icônico costume criado por Mademoiselle Chanel teve sua rigidez desconstruída, indo além do tweed clássico para explorar composições novas, em malhas caneladas, tecidos siliconados e lurex. A camisa de trabalho em bouclé e o blouson de tweed prensado com corte masculino dão o tom para uma nova linguagem, que prioriza a funcionalidade. Uma ideia absolutamente contemporânea, mas que já havia sido alinhavada aos princípios da casa por sua fundadora.

AS SILHUETAS DERAM UMA VOLTA PELA HISTÓRIA E CHEGARAM ASSIM: ATUAIS. Pense na liberdade dos anos 1920, no rigor dos 1950 e na ousadia dos 1960, tudo junto. A cintura twenties abaixo dos quadris foi arrematada por cintos finos, com plissados que evocavam os trajes das quadras de tênis (o esporte era uma das paixões de Gabrielle Chanel e um dos pilares da vida social durante os verões que passou em Deauville e Biarritz no início do século 20).

AS BOLSAS DE CORRENTE ESTÃO DE VOLTA. MAIS FRESH DO QUE NUNCA. Um dos elementos mais conectados à identidade Chanel, as bolsas com alças de corrente surgiram renovadas, seja em flap bags de camurça marrom, seja com tiras de contas em modelos de tweed colorido. Anote já essa novidade: a textura de croco serviu de base para modelos de bolsas médias e grandes, em tom vibrante de vermelho ou profundos de verde militar.

QUANDO A NOITE CHEGA, A CHANEL BRILHA. O efeito furta-cor, quase iridescente, ganhou força total com o papillon de nuit. Casacos e vestidos fluidos, que revelam um savoir-faire técnico impecável, marcaram uma belíssima série de looks que entrou na passarela próximo ao fim do desfile. Mas sabe qual foi o look que encerrou o show? Um (not so) little black dress, prova de um desfile bem costurado, do início ao fim. Bravo!
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Com Antonia Petta e Milene Chaves







