Seja Bem Vindo - 16/05/2026 19:58

desembargador foi a apartamento antes da perícia

Às 8h56, a porta de um elevador se abre no prédio onde a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, havia acabado de ser retirada do apartamento em que morava, no Brás, região central de São Paulo. Dentro da cabine, estão socorristas e a policial, gravemente ferida após levar um tiro na cabeça dentro do imóvel onde vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos.

Onze minutos depois, às 9h07, o elevador em frente ao qual Gisele saiu descerra a porta. Dela, surge no corredor o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan (imagem em destaque), do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Imagens de câmera de monitoramento (assista abaixo) mostram o magistrado caminhando pelo corredor até encontrar o tenente-coronel, do qual afirma ser amigo.

Os dois conversam rapidamente. Em seguida, caminham juntos em direção ao apartamento, cujo chão da sala ainda estava tomado pelo sangue de Gisele. De acordo com relatos reunidos no inquérito conduzido pela Polícia Civil, o desembargador entrou no imóvel acompanhado do oficial, antes que o local fosse periciado.

Documento da Secretaria da Segurança Pública (SSP), obtido reportagem, afirma que a perícia foi iniciada no apartamento às 13h27 e encerrada às 14h20, quando o local foi “liberado” e a ocorrência encaminhada ao 8º Distrito Policial (Brás), responsável pela investigação.

Banho antes da perícia

Antes disso, o magistrado volta ao corredor, às 9h19, como mostra registro de monitoramento. Nas imagens, Cogan aparece parado diante da porta do elevador, manuseando o celular, enquanto aguarda no hall do andar.

Ao todo, ele permanece no local até 9h29. Nesse momento, a porta do apartamento se abre e o tenente-coronel surge novamente no corredor. Ele está de banho tomado e com roupas trocadas, segundo depoimentos colhidos pela investigação e constatados pelas imagens. Ao perceber a presença do amigo, o desembargador entra no elevador e deixa o prédio.

O Metrópoles questionou o TJSP, assim como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sobre a conduta do desembargador.

Em nota, a Justiça afirmou que “não cabe ao TJSP informações sobre questões que estão ainda em fase de investigação policial e, portanto, sob sigilo”.

O CNJ não se posicionou.

A reportagem não conseguiu contato com Marco Cogan ou sua defesa. O espaço segue aberto para manifestações.

Desembargador junto com PMs do CPA-M5, em 2025, local onde o tenente-coronel atualmente está lotado
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Desembargador junto com PMs do CPA-M5, em 2025, local onde o tenente-coronel atualmente está lotado

Reprodução/Instagram

Segundo depoimentos, ele entrou no apartamento com o tenente-coronel
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Segundo depoimentos, ele entrou no apartamento com o tenente-coronel

Reprodução/Câmera de Monitoramento

Magistrado afirmou ser amigo de tenente-coronel
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Magistrado afirmou ser amigo de tenente-coronel

Reprodução/Câmera de Monitoramento

Desembargador foi ao local a pedido do oficial da PM
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Desembargador foi ao local a pedido do oficial da PM

Reprodução/Câmera de Monitoramento

Banho após orientação policial

O banho tomado pelo oficial naquele intervalo passou a ser mencionado em depoimentos reunidos pela Polícia Civil. Segundo um dos relatos registrados no inquérito, um policial militar havia orientado o coronel a seguir imediatamente para a delegacia, o que não ocorreu naquele momento.

Ainda assim, de acordo com testemunhas, o oficial entrou no apartamento e foi ao banheiro antes de deixar o local, comportamento que passou a integrar a linha do tempo reconstruída pelos investigadores.

Morte da PM Gisele: desembargador foi a apartamento antes da perícia - destaque galeria

Gisele Alves Santana tinha 32 anos
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Gisele Alves Santana tinha 32 anos

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Gisele Alves Santana tinha 32 anos
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Gisele Alves Santana tinha 32 anos

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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta
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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta

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Morte da PM Gisele: desembargador foi a apartamento antes da perícia - imagem 4
Morte da PM Gisele: desembargador foi a apartamento antes da perícia - imagem 5
Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o  tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves
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Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves

Imagem obtida pelo Metrópoles

Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o  tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves
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Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves

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Gisele morreu no imóvel onde vivia com marido, no Brás, no centro de São Paulo
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Gisele morreu no imóvel onde vivia com marido, no Brás, no centro de São Paulo

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Gisele Alves Santana e o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos
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Gisele Alves Santana e o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos

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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita
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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita

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Gisele Alves Santana foi encontrada morta em um apartamento no Brás
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Gisele Alves Santana foi encontrada morta em um apartamento no Brás

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Gisele teria tentado se separar do tenente-coronel, mas estava em uma relação considerada abusiva por familiares
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Gisele teria tentado se separar do tenente-coronel, mas estava em uma relação considerada abusiva por familiares

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O tenente-coronel Geraldo Leite e a PM Gisele Alves Santana
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O tenente-coronel Geraldo Leite e a PM Gisele Alves Santana

Reprodução/Redes sociais

Ligação ao desembargador

O próprio coronel relatou, a uma policial da Corregedoria da PM, que procurou o amigo magistrado após as primeiras ligações de emergência.

“O coronel disse que ligou 190, depois 193 e depois para um amigo doutor, desembargador, seu amigo pessoal”, diz trecho do depoimento da corregedora.

Caso sob investigação

Gisele foi baleada na cabeça na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento do casal. Ela foi socorrida em estado gravíssimo pelo helicóptero Águia da Polícia Militar e levada ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois.

Desde o início, o tenente-coronel sustenta que a esposa teria cometido suicídio. A investigação, no entanto, passou a reunir depoimentos, registros de chamadas e imagens de câmeras de segurança para reconstruir a sequência de acontecimentos dentro do apartamento naquela manhã.

Entre as medidas autorizadas pela Justiça, já foi feita a exumação do corpo da policial, a qual pode trazer novas informações sobre a trajetória do disparo e as circunstâncias da morte.

Enquanto as apurações avançam, os depoimentos reunidos no inquérito e as imagens analisadas pelos investigadores ajudam a compor uma linha do tempo detalhada da movimentação no apartamento, antes e após o tiro que matou a soldado Gisele.



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