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Comitê Olímpico Quer Mais Mulheres nas Cadeiras de Decisão

O esporte olímpico alcançou a cobiçada paridade de gênero entre atletas em Paris 2024. Mas, além das arenas, as mulheres são minoria em cargos de liderança à frente das decisões estratégicas e financeiras. No Brasil, entre as 38 confederações esportivas filiadas ao COB (Comitê Olímpico do Brasil), apenas três são presididas por mulheres.

Esse dado, no entanto, já divide espaço com um avanço real. Hoje, 51% dessas organizações possuem pelo menos 30% de presença feminina em suas estruturas, impulsionadas por investimentos que já chegaram a R$ 4 milhões em projetos para o esporte feminino no país. O cenário foi tema do painel de abertura do III Fórum Mulher no Esporte, em Brasília, na última terça-feira (17).

A grande virada de chave debatida pelas lideranças presentes envolve mais oportunidades para mulheres por trás dos esportes. Yane Marques, que já foi medalhista olímpica no pentatlo moderno em Londres 2012 e é a primeira mulher a ocupar a vice-presidência do COB, aproveitou o palco para anunciar o Mira Gestoras.

O programa de mentoria individualizada nasce para capacitar e acelerar a chegada de mulheres aos postos de liderança do esporte nacional, expandindo uma iniciativa que já capacitava treinadoras. “Podemos, sim, estar onde quisermos. E merecemos isso”, disse. “Mas precisamos nos preparar. Os nossos desafios vão ser sempre muito maiores, de convencimento, de nos provar.”

Para Annamarie Phelps, britânica que competiu no remo nos Jogos de Atlanta 1996 e hoje atua como presidente do secretariado do IWG (International Working Group on Women and Sport), a narrativa corporativa também precisa mudar. “Nós não precisamos consertar as mulheres. Precisamos consertar o sistema para garantir que ele traga as mulheres junto com ele.”

As lideranças afirmam que o caminho para mudar esse cenário e ampliar a diversidade de gênero envolve políticas intencionais e resoluções obrigatórias. Alicia Morea, presidente da Comissão das Mulheres no Esporte da Panam Sports, defendeu o uso de cotas exigidas por estatuto. “Dizem que a cota é discriminatória, mas na verdade ela abre oportunidades. Se não fosse por isso, hoje, eu não estaria aqui”, afirmou a executiva, cuja organização conta com 41% de mulheres no conselho.

O próprio COB já adotou essa linha na governança: a entidade implementou uma resolução que obriga as delegações brasileiras em Jogos Pan-Americanos e Sul-Americanos a terem, no mínimo, 30% de mulheres em suas comissões técnicas e equipes multidisciplinares. A medida atinge diretamente um dos maiores gargalos globais apontados no fórum: em Paris 2024, apesar da paridade de atletas, apenas 13% dos treinadores no mundo eram mulheres.

A mensagem que fica para o ecossistema esportivo — e que serve também para o mundo corporativo — é que as portas, uma vez abertas, precisam se transformar em corredores de passagem. Como resumiu a atleta olímpica de wrestling Aline Silva, mediadora do debate, ao citar a escritora Conceição Evaristo para definir a missão das líderes que já chegaram ao topo: “Mais importante do que ser a primeira, é não ser a única”.



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