O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta-feira (26) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, subiu 0,44% em março, desacelerando em relação à alta de 0,84% registrada em fevereiro.
O resultado veio acima das expectativas do mercado, que apontavam para uma mediana de 0,29%.
No acumulado de 12 meses até março, o IPCA-15 avançou 3,90%. A projeção era de desaceleração para 3,74%, abaixo dos 4,10% observados nos 12 meses encerrados em fevereiro. Ainda assim, já havia a expectativa de pressão inflacionária adicional diante do conflito no Oriente Médio.
Esse foi o primeiro indicador de inflação divulgado após o início da escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. “O dado de março reforça a visão de que a piora recente da inflação foi devido a fatores sazonais. Vemos os principais indicadores retornarem à tendência observada pré-dezembro de 2025, ressaltando que o processo de desinflação persiste”, comenta André Valério, economista sênior do banco Inter.
Mesmo assim, Valério explica que o dado de hoje ainda não reflete totalmente a piora no cenário internacional devido ao conflito no Irã. “Os combustíveis recuaram em março, mas no IPCA cheio devemos observar uma pressão inflacionária mais significativa vindo da gasolina, dado que o barril de petróleo aumentou mais de 40% desde o início do conflito”, destaca o economista do Inter.
Além disso, a interrupção no fluxo do Estreito de Ormuz tende a pressionar a inflação de alimentos, que em março acelerou significativamente. Os itens cujos preços tendem a incrementar devido ao conflito são aqueles mais voláteis. “Vemos o processo inflacionário caminhando em direção à meta e consistente com o início do ciclo de flexibilização da política monetária”, afirma André Valério.
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Prévia da inflação
O destaque se deu pela alta dos alimentos e das despesas pessoais. Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram oscilação positiva em março. A maior variação registrada foi no nicho de alimentação e bebidas, com 0,88% e impacto de 0,19 ponto percentual no IPCA-15.
A alimentação no domicílio acelerou de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março. As principais altas vieram do do açaí (29,95%), do feijão-carioca (19,69%), do ovo de galinha (7,54%), do leite longa vida (4,46%) e das carnes (1,45%). No lado das baixas estão o café moído, com -1,76%, e as frutas (-1,31%).
O segundo maior catalisador para o índice deste mês foi despesas pessoais, com 0,82% no mês e impacto de 0,09 ponto percentual. No grupo, o resultado foi influenciado pelo serviço bancário (2,12%) e empregado doméstico (0,59%).
O segmento de habitação acelerou 0,24%, em relação aos 0,06% registrados em fevereiro, com apoio do resultado da energia elétrica residencial (0,29%), que inclui os reajustes médios de 15,10% e 14,66% nas concessionárias no Rio de Janeiro (1,82%), com vigência a partir de 15 de março. No mês, manteve-se a bandeira tarifária verde, ou seja, sem custo adicional para os consumidores.
No grupo Transportes (0,21%), o relevante foram as passagens aéreas (5,94%). Elas subiram com o maior impacto individual no resultado do mês (0,05 p.p.).
Já os combustíveis apresentaram redução de 0,03%, com decréscimos nos preços do gás veicular (-2,27%), do etanol (-0,61%) e da gasolina (-0,08%). O óleo diesel teve variação positiva de 3,77%.
A Petrobras elevou neste mês o preço do diesel A (puro) em suas refinarias em 11,6%. Porém avaliou que o reajuste tem potencial de não afetar o consumidor final após o governo lançar um programa de subvenção ao diesel, além de anunciar redução de tributos federais para o combustível, para amortecer o impacto da alta de preços do petróleo. A estatal não alterou os preços da gasolina desde o início da guerra.