Após uma década fora do circuito internacional do tênis masculino, São Paulo volta a sediar uma competição oficial com a realização do LA Open, torneio de nível Challenger 100 que termina neste domingo (29), no Jockey Club. A iniciativa marca não apenas o retorno da modalidade à capital paulista, mas também um movimento estruturado para reposicionar a cidade no calendário global do esporte – cada vai hypado.
Idealizado desde 2016 pelo empresário Guilherme Velloso, o projeto nasce com um modelo que combina esporte, negócios e hospitalidade. Segundo os organizadores, a proposta é usar São Paulo como base para ampliar a presença do tênis na América Latina, conectando atletas, patrocinadores e eventos da região.
“No futuro, quem sabe não criamos uma espécie de ‘Libertadores do tênis’?”, adianta Velloso, CEO do LA Open. De acordo com ele, a criação de um circuito mais integrado pode gerar novas oportunidades comerciais e ampliar o alcance do esporte no continente, além de dar uma vitrine para os atletas da região.
A escolha da capital paulista como sede dessa ambiciosa empreitada passa diretamente pela força do mercado corporativo local. “Não é que a gente está querendo ser maior ou melhor do que o Rio Open. Eu acho o torneio do Rio espetacular, mas temos espaço para ter dois eventos espetaculares no Brasil”, pondera Velloso. “Um no Rio e outro em São Paulo, que tem um potencial financeiro, econômico e de tração muito maior.”
Para sustentar essa estratégia, o torneio foi estruturado com um nível de investimento acima do padrão habitual da categoria. “Investimos muito porque acreditamos no potencial a longo prazo”, afirma Eduardo Secco, CEO da New Quality, responsável pela realização. “Hoje, um evento desse porte precisa ser experiência. Não é só o jogo.”
Por isso, o tamanho da estrutura: um complexo de 45 mil m², com uma arena de saibro com capacidade para 6 mil pessoas, cercada por duas quadras secundárias e duas de aquecimento, além de uma área VIP. “Somos um torneio ATP Challenger 100, mas construímos um evento com cara de ATP 500 desde o início. Estamos operando a cinco níveis acima”, explica Velloso.
ABC do tênis: o que é um Challenger?
O LA Open integra o circuito Challenger, organizado pela Associação de Tenistas Profissionais (ATP). A categoria funciona como um nível intermediário entre os torneios de base e os eventos da elite do tênis mundial.
Enquanto os torneios ATP – como ATP 250, 500, Masters 1000 e Grand Slams – concentram maior pontuação e premiação, os Challengers são fundamentais para a progressão dos atletas no ranking. Eles reúnem tanto jovens em ascensão quanto jogadores experientes em busca de recuperação de desempenho.
Os torneios Challenger são divididos por níveis de pontuação, que variam de 50 a 175 pontos. No caso do LA Open, classificado como Challenger 100, o campeão soma 100 pontos no ranking mundial.
Para os organizadores, essa posição intermediária permite crescimento gradual. “É a porta de entrada para o circuito mundial, mas com potencial de evolução”, afirma Velloso. A estratégia inclui atrair a atenção da ATP para possíveis elevações de categoria nos próximos anos.

Para marcar a entrada da marca no mercado, a organização promoveu partidas de exibição antes do início da chave oficial, reunindo ex-jogadores de destaque internacional. Participaram das exibições o norte-americano Andy Roddick (ex-número 1 do mundo), os argentinos Juan Martín del Potro e Diego Schwartzman, e o brasileiro Fernando Meligeni.
Na chave principal, a competição refletiu o perfil do circuito Challenger, combinando atletas do top 100 mundial com nomes em ascensão. “O LA Open é uma ótima oportunidade para os fãs acompanharem de perto alguns dos principais tenistas brasileiros em ação, e também atletas internacionais de destaque”, afirmou Adão Chagas, diretor-técnico do torneio.
Nomes internacionais como os argentinos Thiago Tirante (74º do mundo) e Román Andrés Burruchaga (98º), o norte-americano Emilio Nava (75º) e o chileno Cristian Garín (90º) estavam entre os inscritos. Pelo Brasil, a competição teve a presença de atletas consolidados no circuito, como Thiago Monteiro, Felipe Meligeni, João Lucas Reis e Pedro Boscardin, além do convite feito a Guto Miguel, tenista de 17 anos apontado como uma das promessas da nova geração.
O lifestyle do tênis
Fora das quadras, o modelo de negócios do LA Open se apoia na oferta de hospitalidade e experiências. A proposta é ampliar o tempo de permanência do público e atrair marcas e convidados ao longo de todo o dia.

O boulevard do torneio reúne uma curadoria gastronômica com nomes premiados da capital paulista, como A Casa do Porco, Jiquitaia, Osso, Koya 88 e Amay Patisserie. O principal espaço dessa operação é o Lounge VIP, voltado a patrocinadores e convidados. “É uma área de relacionamento, onde os negócios acontecem”, afirma Secco.
Na área VIP, essa atmosfera é reforçada por uma parceria com a Forbes Rádio, responsável pela trilha sonora do espaço – um detalhe que ajuda a traduzir o posicionamento do evento como um híbrido entre esporte, entretenimento e negócios.