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Inflação Acelera no Brasil e Reforça Risco de Juros Altos por Mais Tempo

Em março, o IPCA, índice que mede a inflação oficial do país, avançou para 0,88%, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE. O resultado veio acima das expectativas do mercado cujas projeções eram de 0,75%, segundo mediana coletada pelo Broadcast. A alta dos preços também supera os 0,70% registrados pelo IBGE em fevereiro. Na visão de economistas, o comportamento índice reforça o cenário de pressão inflacionária o que pode afetar o ritmo do ciclo de queda dos juros no Brasil.

O avanço foi puxado principalmente por Transportes e Alimentação e bebidas, que responderam por 76% do índice no mês. A gasolina subiu 4,59% e sozinha teve impacto de 0,23 ponto percentual, enquanto alimentos como leite (11,74%) e tomate (20,31%) também pressionaram o indicador.

Em 12 meses, a inflação voltou a acelerar, chegando a 4,14%, acima dos 3,81% anteriores, ainda dentro do teto da meta, mas em trajetória de alta. A meta contínua de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com limite de tolerância até 4,5%.

Leitura do mercado

“O IPCA registrou alta acima das expectativas, com surpresa altista em alimentação no domicílio e combustíveis”, afirma Leonardo Costa, do ASA, instituição financeira de Alberto Safra. Segundo ele, a média dos núcleos , que exclui itens mais voláteis, também veio acima do previsto, indicando uma pressão mais disseminada.

Para o economista, o dado “reforça que temos sido surpreendidos pela inflação no curto prazo”, com impacto crescente do cenário externo, especialmente via combustíveis e custos de frete. Diante disso, a projeção para o IPCA de 2026, hoje em 4,6%, tende a ser revisada para cima.

A leitura é semelhante à de André Valério, que destaca o peso do choque do petróleo, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio. “A variação em transportes foi devido à alta de 4,47% nos combustíveis, um claro reflexo do conflito no Irã”, diz.

Apesar da pressão no índice cheio, ele chama atenção para uma melhora qualitativa da inflação. Os núcleos desaceleraram na margem, e a inflação de serviços, um dos principais focos do Banco Central, também perdeu força após os reajustes sazonais de fevereiro.

Cenário para a política monetária

No fim do mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir para definir o rumo dos juros no Brasil. Na última reunião, o colegiado reduziu a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, dando início ao aguardado ciclo de corte de juros. A próxima reunião está agendada para os dias 28 e 29 de abril de 2026. Na visão dos especialistas, o avanço do IPCA em março ainda não é suficiente para pausar completamente o ciclo de baixa, mas pode significar um período mais longo de juros altos.

“A inflação não está comportada, ela pode incomodar muito ainda esse ano”, Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital. Segundo Bento, os vetores que pressionam os preços tendem a persistir: alimentos seguem afetados por oferta, clima e repasses, enquanto transportes continuam sensíveis ao câmbio e aos combustíveis.

Esse cenário, afirma, tende a impactar diretamente a atuação do Banco Central. “Sem dúvidas, a inflação vindo para cima pode afetar muito a decisão do Copom. Mesmo com os juros altos, a inflação não desacelerou, e principalmente a inflação corrente e as expectativas. Com isso, os cortes de juros ficam mais distantes e o cenário de cautela do BC fica mais latente.”

Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, avalia que o cenário base ainda é de queda da Selic, mas com ritmo mais lento. “Essas questões de guerra podem desacelerar a queda da Selic ou, em casos extremos, até reverter o movimento, o que não acredito”, diz.

Para ele, o trabalho do Banco Central e o nível atual de juros ainda oferecem conforto, mas o ambiente externo segue como principal risco. No fim do mês passado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a política monetária restritiva promovida pelo Banco Central deu certa “gordura” na análise do impacto da guerra na inflação brasileira.

“Esperamos que o comitê continue o ciclo de cortes, em ajustes de 0,25 ponto percentual”, afirma Valério, do Inter.



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