11 anos desde que o Guia Michelin desembarcou no Brasil, finalmente a cena gastronômica nacional ostenta a maior honraria da lista: as três estrelas. E não apenas com um restaurante, mas dois. Representando São Paulo, as casas Tuju (do chef Ivan Ralston) e Evvai (comandado por Luiz Filipe Souza, alumni da lista Forbes Under 30) subiram ao palco da cerimônia na noite desta segunda-feira (13) para consolidar um feito histórico.
A conquista, contudo, vai muito além do Brasil. Trata-se da primeira vez que a América Latina abriga restaurantes com a cotação máxima do guia francês, entrando para um seleto grupo de excelência global que possui menos de 160 estabelecimentos no mundo.
“Este é um dos momentos mais lindos da gastronomia. Nunca imaginei que veríamos dois restaurantes serem premiados com três estrelas, ao mesmo tempo, no Brasil”, celebrou o chef Luiz Filipe no palco, ao lado da chef confeiteira Bianca Mirabili. Para Katherina Cordás, sócia e diretora do Centro de Pesquisa e Criatividade do Tuju, o feito transcende as portas do salão: “Esse prêmio mostra que o Brasil pode e deve chegar onde quiser”.
A consagração do Evvai e do Tuju
No Evvai, o chef Luiz Filipe Souza colhe os frutos de quase uma década de dedicação ao conceito Oriundi, que une a precisão técnica da imigração italiana ao borogodó dos ingredientes brasileiros. A casa conquistou sua primeira estrela em 2018 e a segunda em 2024. Apenas com menu degustação, o sobrado azul em Pinheiros impressiona pela criatividade, exemplificada em pratos como a moqueca branca com lula e pupunha, bacalhau com tucupi e picolé de milho com caviar. As sobremesas são um destaque à parte, das mãos e mente de Bianca Mirabili, Forbes Under 30 em 2024 e coroada a melhor chef confeiteira da América Latina ano passado.
Já o Tuju, sob a batuta do chef Ivan Ralston, eleva a vanguarda sazonal a um novo patamar. Sendo o primeiro e único restaurante brasileiro com um instituto de pesquisa interno, a casa opera em compasso com os ciclos da natureza, dividindo seu menu em temporadas climáticas (Umidade, Chuva, Ventania e Seca). Instalado em um impressionante projeto arquitetônico de três andares, o restaurante oferece uma experiência imersiva e responsável, valorizando pequenos produtores e a cadeia sustentável.

Outras estrelas e destaques do Guia Michelin 2026
Além da consagração máxima em São Paulo, a nova seleção do Guia Michelin confirmou o momento de maturidade da cena gastronômica do eixo Rio-São Paulo. Um dado significativo desta edição é a consistência do mercado: nenhum restaurante de ambas as cidades perdeu estrelas neste ano.
Uma e duas estrelas Michelin
- Mantiveram duas estrelas: Os gigantes da alta gastronomia continuam firmes em seus postos. O paulistano D.O.M., do chef Alex Atala – único a ostentar duas estrelas desde a estreia do guia no país, em 2015 -, reafirmou sua posição ao lado dos cariocas Lasai (Rafa Costa e Silva) e Oro (Felipe Bronze).
- Novidade com uma estrela: O Rio de Janeiro ganha um novo restaurante estrelado. O Madame Olympe, comandado pelo veterano Claude Troisgros e pela chef Jéssica Trindade, conquistou sua primeira estrela. A casa funde a expertise francesa com ingredientes brasileiros e influências japonesas. Com a adição, o país passa a somar 19 estabelecimentos com uma estrela (incluindo nomes como Kanoe, Maní, Fame Osteria, Picchi e Oteque).

Bib Gourmand: O melhor custo-benefício
A categoria que premia restaurantes com excelente relação qualidade-preço ganhou seis novos integrantes (somando 44 no total).
Em São Paulo, um dos grandes destaques é a estreia do tailandês Ping Yang Thai Bar & Food, do chef Maurício Santi, que coroa um trabalho de mais de 20 anos de pesquisa sobre a culinária do país asiático. Também entraram na lista paulistana: Jiquitaia, Manioca JK, Tabōa Cozinha Artesanal e Tanit.

No Rio de Janeiro, o único novo integrante é o Koral, focado em frutos do mar e culinária autoral. Casas de peso como Cepa, Jacó, Kotori e Nomo mantiveram a distinção.
Estrelas Verdes da Sustentabilidade
O compromisso com a gastronomia do futuro segue sendo reconhecido. Os três restaurantes paulistanos que já possuíam a Estrela Verde mantiveram o selo: Tuju, Corrutela e A Casa do Porco.
Prêmios Michelin Especiais 2026

- Young Chef Award: Pedro Coronha (29 anos), do carioca Koral, ganhou a segunda edição do prêmio de jovem talento Michelin. O chef, que tem passagem por cozinhas em Lisboa e Copenhague, foi celebrado pelo domínio técnico, especialmente no preparo de frutos do mar.
- Exceptional Cocktail Award: Entregue pela primeira vez no Brasil, o prêmio foi para Anderson Oliveira, mente criativa do bar do D.O.M. (SP), reconhecido por sua coquetelaria engenhosa e harmonizada com a alta cozinha.
- Sommelier do Ano: Robério de Sousa Queiroz, do Maní (SP), celebrado por sua trajetória de dedicação que começou aos 16 anos.
- Service Award: Raphael Zanon, maître e sommelier do Casa 201 (RJ), premiado pela maestria e elegância na condução do salão.
Por fim, o guia ainda adicionou sete novas casas à sua lista de Recomendados (totalizando 81 estabelecimentos), englobando desde o taiwanês Aiô e o mexicano Metzi até novas entradas como Sushi Vaz (RJ), Yayá (RJ), Bar da Dona Onça (SP) e Grotta Cucina (SP).