No imaginário popular, o termo “corno” ainda está associado à traição e ao sofrimento. Mas, para alguns casais, a palavra vem ganhando novos significados, ligados a práticas consensuais e acordos bem definidos dentro do relacionamento.
É o caso de Jeff*, de 50 anos, morador do Rio de Janeiro, que há décadas vive relações abertas e, há quase sete anos, mantém um casamento baseado no fetiche conhecido como cuckold ao lado da esposa, conhecida como Rainha, de 30 anos.
A dinâmica, segundo ele, não tem relação com infidelidade, mas com desejo compartilhado e comunicação constante. “Descobri tesão em ser corno”, afirma. A percepção surgiu ainda no início da relação, após um episódio de traição que, em vez de provocar rompimento, abriu espaço para conversas sobre fantasias e limites. A partir daí, o casal passou a estruturar a relação com base em acordos claros.

O fetiche acontece quando uma pessoa se sente atraída e excitada por algo bem específico
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A fantasia, por sua vez, é algo mais voltado a um desejo ou imaginação que você pode ou não querer colocar em prática
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Elas servem como um meio de explorar desejos e estimular a excitação sexual, sem necessariamente serem essenciais para a satisfação sexual
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o fetiche sexual é caracterizado pela obtenção de excitação e prazer por meio de um objeto específico, parte do corpo ou situação particular
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Para que um comportamento seja considerado fetichista, a presença do objeto ou contexto fetichizado é frequentemente necessária para que a pessoa alcance satisfação sexual
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Jeff diz que o prazer está mais na observação do que na participação direta. “O meu tesão é admirá-la. Ver o prazer dela, as expressões. Quem está com ela, pra mim, é secundário”, explica.
No caso do casal, há limites definidos: os encontros não acontecem de forma independente, Jeff não se envolve com outras mulheres e o uso de preservativo é obrigatório.
“A traição, pra mim, é quando existe mentira. O que a gente vive é o oposto disso: tudo é conversado”, diz ele.
Ao longo dos anos, o casal afirma ter ajustado a dinâmica e enfrentado inseguranças, especialmente no início. Para a Rainha, o processo exigiu adaptação e confiança. “Muitos imprevistos estavam ligados à ansiedade de outras pessoas, não entre nós”, relata.