A exposição constante a padrões de beleza nas redes sociais tem impactado diretamente a forma como usuários enxergam o próprio corpo. Em entrevista ao Metropole Mais nesta quinta-feira (23), a psicóloga clínica Fernanda Vaz afirmou que esse cenário tem incentivado o consumo de suplementos como uma solução rápida para alcançar o corpo ideal. “As redes expõem corpos idealizados e isso gera insatisfação. O suplemento aparece como um atalho legítimo para alcançar esse padrão”, diz.
Segundo a especialista, a influência é potencializada pela identificação com criadores de conteúdo. “Quando a pessoa vê alguém com uma vida parecida indicando esses produtos, o caminho parece mais fácil e muito sedutor”, explica. Para ela, o desejo de atingir esse padrão estético acaba se sobrepondo à análise crítica. “O desejo fala mais alto do que a ponderação sobre riscos e benefícios”, completa.
O impacto, de acordo com Vaz, é ainda mais preocupante entre crianças e adolescentes, que têm contato precoce com esse tipo de conteúdo. “Hoje, crianças falam de skincare e pedem produtos que não têm relação com a idade delas, muito por influência do que consomem”, afirma. Ela também destaca a importância do papel da família nesse processo. “Muitos jovens dizem que os pais criticam o uso das redes, mas fazem o mesmo. É preciso construir um uso saudável em conjunto”, pontua.
Além disso, a psicóloga ressalta que mulheres negras enfrentam uma pressão ainda maior nesse contexto. “Existe uma busca por um corpo ideal que, muitas vezes, tem traços de mulheres brancas. Isso torna o impacto ainda mais danoso”, diz. Para ela, o cenário exige uma reflexão mais crítica sobre os padrões de beleza disseminados e seus efeitos na saúde mental.
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