O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República, Romeu Zema, disse que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria ir a Minas Gerais para se informar sobre como foi o governo dele.
“O ministro devia ir lá em Minas Gerais e perguntar para o mineiro como foi o meu governo, para ele ficar um pouco mais bem informado. Acho que o excesso de ar-condicionado e bajulador no gabinete dele não deve estar fazendo muito bem (ao ministro)”, disse Zema em entrevista ao Metrópoles.
Se, em outros momentos, o STF ajudou a atenuar crises, agora a Corte se tornou causadora de problemas, diz o empresário de 62 anos, natural de Araxá (MG). Na entrevista, Zema também acusou os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli de usarem os cargos no STF para se enriquecer e defendeu o impeachment de ambos.
Nos últimos dias, o pré-candidato se tornou alvo de críticas do ministro Gilmar Mendes. O magistrado pediu a inclusão de Zema no chamado “inquérito das fake news”, criado originalmente para investigar ameaças aos ministros, por conta de uma série de vídeos satíricos do pré-candidato do Novo nas redes.
Nas publicações, os ministros aparecem como fantoches de pano. Um desses vídeos ironiza o fato de Gilmar Mendes ter anulado a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, que tem Dias Toffoli como sócio.
Leia abaixo alguns dos principais trechos da entrevista.
Metrópoles — Na semana passada, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu incluir o senhor no chamado inquérito das fake news. O senhor é um fazedor de fake news?
Romeu Zema — Não era de se esperar outra coisa de um tribunal que tem se especializado em fazer perseguição.
Não sou o primeiro, com certeza não serei o último. Um tribunal que, até pouco tempo atrás, dizia que sátiras (como a série de vídeos “Os Intocáveis”, publicada por Zema nas redes) seriam até saudáveis para uma democracia, mas parece que, quando eles aparecem, não ficam muito contentes. Mas eu já falei que continuarei a agir exatamente como vinha fazendo. Eu continuarei falando.
O Brasil está vivendo uma das maiores crises, talvez, da sua história. O Supremo Tribunal Federal, no passado, foi uma instituição que amenizou, que atenuou crises. E, neste momento, é o “Supremo Balcão de Negócios” no qual ele se transformou que está causando crises no Brasil.
Quem antes era bombeiro para apagar incêndio agora se transformou em incendiário. Está colocando a nossa República e as nossas instituições em risco. E nós sabemos o porquê.
Vocês que levantaram aqui detalhadamente: um banco (o Master), criado por um aventureiro, por um oportunista criminoso, se associou com os ministros do Supremo Tribunal Federal, e eles não querem que o brasileiro tenha conhecimento disso.
Ministros do Supremo se associaram talvez ao maior criminoso do Brasil da atualidade, talvez da história. Eu não me recordo de um golpe com valor tão elevado assim.
E agora ficam tentando jogar a culpa nos outros, em quem está trabalhando. O ministro devia ir lá em Minas Gerais e perguntar para o mineiro como foi o meu governo, para ele ficar um pouco mais bem informado. Acho que excesso de ar-condicionado e bajulador no gabinete dele não deve estar fazendo muito bem.
Metrópoles — O senhor disse que, caso eleito, pretende criar um novo Supremo no Brasil. O que seria exatamente a mudança que o senhor faria no Supremo e como isso poderia ser feito, dado que o Poder Judiciário tem autonomia em relação ao Executivo?
Romeu Zema — Está muito claro que essa crise que o Brasil está vivendo foi causada dentro do Supremo, foi causada também pelas indicações desses ministros do Supremo. Indicações totalmente inadequadas.
Vamos pegar o caso do Luiz Inácio Lula da Silva: ele já nomeou seu ex-advogado (Cristiano Zanin), o ex-advogado do partido dele (Dias Toffoli), o ex-ministro dele (Flávio Dino). Será que é isso que faz um Supremo de qualidade? Tenho certeza de que não. O que eu quero é um Supremo diferente, com gente que realmente tenha esse histórico ilibado, que inclusive a Constituição cita.
As mudanças que eu e o meu partido, o Partido Novo, propomos são as seguintes: primeiro, idade mínima de 60 anos. Isso corrige dois problemas: primeiro, você não vai colocar gente lá imatura, oportunista, com 35, 40 anos, como já aconteceu.
Essa pessoa vai ficar no máximo 15 anos, já que entraria com 60. Quem tem 60 anos já está com a vida resolvida, os filhos crescidos, já tem um patrimônio, tem uma bagagem profissional muito maior do que alguém mais novo. É o coroamento de uma carreira longa.
Alguém que fez carreira no Ministério Público ou na magistratura vai coroar a trajetória com um cargo no Supremo Tribunal Federal, como ser Papa. Ninguém vê Papa com 35, 40 anos.
Mas o Brasil, diferente de outras democracias avançadas, colocou lá ministros “júnior”, para satisfazer a vontade do presidente. E o resultado nós estamos vendo: não tem sido nem um pouco bom.
Outra medida seria acabar com as decisões monocráticas, principalmente aquelas que tratam de decisões do Congresso. Uma canetada de um ministro, às vezes um ministro “júnior”, vale mais do que o voto de 513 deputados federais. Parece que essa balança está bem desequilibrada. O Supremo pode até analisar, mas que seja feito pelo colegiado.
E outra mudança é na forma de escolha. Hoje o presidente tem carta branca; na minha opinião, ele vai precisar ter anuência de outros poderes. Hoje é só ele e o Senado. Na minha avaliação, seria ter anuência ou sugestões de nomes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Ministério Público Federal (MPF), até para valorizar bons profissionais dessas instituições.
O Supremo precisa de uma reformulação e, como presidente, eu vou propor isso. Tenho certeza de que vai significar um grande avanço para o Brasil.
Metrópoles — A avaliação popular do Supremo Tribunal Federal é bastante negativa hoje, segundo as últimas pesquisas. Não é surpreendente que seja só o senhor basicamente falando sobre esse tema? Por que, por exemplo, o senador Flávio Bolsonaro não fala nunca sobre o Supremo Tribunal Federal?
Romeu Zema — O Flávio tem a questão do pai dele (o ex-presidente Jair Bolsonaro), né? Eu penso que até ele pode temer o Supremo retaliá-lo com relação ao que o pai dele tem sofrido. Talvez esse seja o motivo.
Mas eu sempre tenho sido, desde 2018, quando fui pré-candidato ao governo de Minas, alguém que demonstra esses absurdos que ocorrem no setor público. E, como venho do setor privado, sempre fui pagador de impostos, muito mais do que recebedor — recebi apenas como governador, mas continuei pagando, porque o setor produtivo que criei e administro está operando.
Eu sei as dores que o brasileiro tem. O brasileiro hoje está cansado, endividado, o dinheiro não vale mais e isso se deve, em grande parte, a esse contexto de gastos do governo do PT e do Luiz Inácio Lula da Silva. Então, sempre externei essa indignação. Também porque não tenho rabo preso com ninguém. Venho de um setor competitivo, o varejo.
Nunca precisamos de autorização para operar. Muita gente, às vezes, fica quieta porque depende de autorização ou tem decisão pendente. Eu, graças a Deus, tenho levado minha vida de maneira totalmente independente.
Isso me deixa muito à vontade para relatar, como vocês aqui, sem ficar pisando em ovos, aquilo que julgo errado.
E o nosso Supremo Tribunal Federal, como já falei, precisa mudar de nome ou as pessoas que estão lá, porque hoje é o “Supremo balcão de negócios” e continuará a ser enquanto esses ministros que se associaram com o maior criminoso de colarinho branco do Brasil estiverem presentes lá.
Além do impeachment, o que eles fizeram, após investigação, na minha opinião, é motivo até de prisão, porque utilizaram o cargo para enriquecimento.
Não estão trabalhando a favor do pagador de impostos; estão fazendo uma operação para ganhar dinheiro via esposa, participação acionária em resort e por aí vai. Isso é uma vergonha para o Brasil.
Vi, há pouco tempo, um relatório da Transparência Internacional colocando o Brasil como o país que mais está tendo retrocesso nessa questão. E tudo isso muito devido a esses ministros que se associaram com criminosos.
Metrópoles — Então, posso assumir que, se eleito presidente, o senhor vai orientar sua base no Congresso Nacional a tocar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal?
Romeu Zema — Certamente.
Metrópoles — Quais ministros?
Romeu Zema — Eu espero até que consigamos isso antes da eleição, porque motivos já existem.
Nós temos ali dois ministros que sabemos nitidamente que se associaram com o maior criminoso do Brasil, fundador e controlador do Banco Master. Foram tomar uísque juntos, voaram no jatinho, tiveram festas, reuniões, eram íntimos.
Nem bancos muito maiores do que o Master contratam escritório de advocacia pelo valor que a esposa do senhor Alexandre de Moraes foi contratada.
Bancos 10, 20, 50 vezes maiores não fizeram contrato semelhante. Aquilo é claríssimo: seria para o ministro Alexandre de Moraes e sua família se enriquecerem de maneira nada republicana.
Além dele, houve a transação acionária totalmente anômala de Dias Toffoli, que também visaria vantagem pessoal. Esses dois ministros, espero que o Senado avalie muito bem a situação.
Metrópoles — Por que um eleitor de direita deveria escolher o senhor em vez do Flávio Bolsonaro, do Ronaldo Caiado ou do Renan Santos?
Romeu Zema — Eu assumi um estado arruinado pelo PT, Minas Gerais, e entreguei um estado bem organizado, com as contas em dia para o meu sucessor, o (ex-vice-governador) Mateus Simões (PSD). Se tem alguém no Brasil que tem o histórico de consertar aquilo que o PT destruiu, eu posso dizer que sou eu, que assumi em 2019 e entreguei agora, em março de 2026, totalmente diferente. Isso, com toda certeza, me habilita.
Hoje, em Brasília, os intocáveis vivem no luxo e o brasileiro vive no lixo. Eu venho do setor privado, sempre fui pagador de impostos e sei que hoje o que o brasileiro mais quer é ter uma vida normal, quer ver o país dele funcionando sem essas chacoalhadas que muitas vezes a gente vê e até dão enjoo no estômago, para não dizer nojo, porque Brasília tem se transformado numa podridão.
O que eu posso também afirmar é que, nos meus sete anos e meio como governador de Minas, não tivemos um escândalo, não tivemos corrupção. O que nós vimos em Minas Gerais foi gente competente administrando um estado. Lá em Minas, a raposa nem chegou perto do galinheiro. E aqui parece que o PT e a companheirada estão trazendo raposa e abrindo a porta dos galinheiros aqui em Brasília.
O governo da Bahia totalmente envolvido, gente do PT, ex-ministro Mantega com contrato de 1 milhão por mês. Então, o que eu tenho de diferente para o brasileiro são essas propostas de fazer um governo sério, sem corrupção. Um detalhe importante: Minas Gerais tem 300 mil funcionários. Eu não levei um parente para trabalhar. Nenhum parente meu se beneficiou do meu cargo. Parece que isso, na política no Brasil, é a exceção da exceção.
Metrópoles — Isto é uma indireta para o Ronaldo Caiado?
Romeu Zema — Não, estou só falando aqui. Isso, para mim, eu acho que é normal na política. Eu acho que sempre ocorreu no Brasil, mas é preciso mudar.
Uma das leis que eu vou querer aprovar também como presidente é que todo político, a partir de determinado cargo, seja obrigado a entregar periodicamente uma relação dos seus parentes que possam ter qualquer ganho ou atividade que gere conflito.
Em outros países, até a agenda é pública. Aqui no Brasil, parece que quem ocupa esses cargos públicos quer se manter totalmente fora do radar, oculto, cheio de caixas-pretas, como nós temos visto aqui em Brasília.
Metrópoles — Se o senhor tivesse que destacar uma experiência ou um aprendizado que o senhor teve no período em que foi governador de Minas, qual seria a lição mais importante que o senhor traria para um eventual governo seu aqui em Brasília?
Romeu Zema — A principal lição é escutar quem trabalha. O governo federal hoje, em vez de escutar quem produz, quem trabalha, quem investe, quem gera emprego, ele criminaliza. O que eu mais fiz em Minas Gerais foi estar ao lado do produtor rural, escutando as dores dele, ao lado de quem paga imposto e não fazendo o contrário.
E não foi à toa que Minas Gerais, durante a minha gestão, ganhou participação no PIB do Brasil, porque lá quem trabalha foi valorizado. Não foi criminoso que foi valorizado, igual o presidente (Lula) fala, que criminoso é vítima da sociedade. Não, lá em Minas quem é do bem foi bem tratado. Agora, quem é do mal, nós fizemos questão de dificultar a vida dele.
Metrópoles — O próximo presidente vai herdar um quadro fiscal bastante complicado. Qual é o plano do senhor para lidar com esse problema?
Romeu Zema — Nós temos hoje um governo que gasta como nenhum outro jamais gastou. Isso gera déficit, e esse déficit agrava a situação da dívida pública. Se eu assumir, nós vamos ter choques, e não adianta querer esconder.
Nós vamos ter de fazer uma reforma administrativa. A máquina pública tem de ficar mais eficiente, e hoje tem tecnologia para isso. Nós vamos precisar fazer uma nova reforma da Previdência. Com a expectativa de vida aumentando, você vai ter de trabalhar mais tempo.
E nós vamos precisar rever os programas sociais. Eu tenho dito que virou “programa social de marmanjão” de 18, 25, 30 anos que, em vez de trabalhar, fica assistindo Netflix, jogando no “tigrinho”, jogando videogame e, quando aparece uma oportunidade de emprego, não aceita.
Para mim, se aparecer oportunidade de emprego e não aceitar, não vai receber mais. Além disso, quem estiver recebendo vai ter de se qualificar, frequentar um curso, vai ter de prestar serviço comunitário.
A prefeitura precisa de muita gente em creche, em escola municipal, e isso faz a pessoa se qualificar. Nós estamos hoje criando, no Brasil, uma geração de gente desqualificada que não trabalha, que não estuda e que fica recebendo o dinheiro do pagador de impostos.
Isso (redução dos gastos) vai fazer com que a taxa de juros caia drasticamente, fazendo com que os investimentos voltem. Hoje o Brasil não tem investimento porque ninguém consegue pagar financiamento por causa dos juros elevados, que se transformaram numa bola de neve durante esse desgoverno Lula.
Metrópoles — Por outro lado, alguns números da economia atual são bastante positivos: o Ibovespa perto de 200 mil pontos, desemprego baixo. O que o senhor responderia a essa objeção?
Romeu Zema — Eu responderia o seguinte: o sujeito que começa a tomar anabolizante e está lá malhando, daqui a poucos meses ele vai estar com um físico invejável, todo fortão. Só que, daqui a cinco anos, ele vai ter problema renal, hepático, cardíaco e de impotência.
E o que o governo do PT e do Lula faz é isso: dá uma melhorada na economia que não é sustentável. Já estamos vendo os efeitos colaterais: as famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas. Se a economia estivesse indo tão bem, essa situação não estaria acontecendo.
Recorde de empresas quebrando, recorde de empresas pedindo recuperação judicial. É um crescimento via anabolizante, via “bomba”. Não é sustentável. Já assistimos isso em 2015 e 2016. Logo, logo a bomba explode, porque o endividamento está caminhando para um nível insustentável.
Metrópoles — O senhor tem dito que vai até o fim como candidato. No entanto, tem muita especulação de que o senhor possa vir a ser vice do senador Flávio Bolsonaro. O senhor nega, mas teria algo que o faça mudar de ideia?
Romeu Zema — Eu estive com o Flávio, respeito o Flávio e respeito o Caiado também. Eu estive com Bolsonaro em agosto de 2025, e o próprio Bolsonaro disse: “Zema, se a direita tiver três, quatro candidatos, é muito melhor do que se tiver um”. Ela fica fortalecida, evita que a esquerda tente dar tiro só em um alvo. Estamos trabalhando lado a lado e estaremos todos juntos no segundo turno.
A direita não está desunida nem fragmentada; está consolidada e fará o novo presidente.
Metrópoles — O senhor tem dito também que pretende ter um vice que seja ou uma mulher ou uma pessoa negra. No entanto, essa é uma pauta da representatividade geralmente associada à esquerda. Não é contraditório o senhor adotar um discurso de esquerda em vez de priorizar a meritocracia?
Romeu Zema — Veja bem, eu não falei isso deixando de lado a competência e a meritocracia. Nos meus sete anos como governador, fui o que mais nomeou desembargadoras para o Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
E o motivo foi que fizemos um processo meritocrático; não foi porque elas eram mulheres. Também coloquei mulheres na Secretaria do Meio Ambiente, na Agricultura e no comando do Corpo de Bombeiros, pastas que nunca tinham mulheres comandando.
Quando a meritocracia prevalece, a participação feminina aumenta, porque tem muita mulher competente que é preterida devido à politicagem no Brasil ser majoritariamente masculina.
No Supremo Tribunal Federal, temos só uma mulher hoje. Isso é só retórica da esquerda porque, na hora de fazer, não fazem, como fica claro com o presidente colocando seu ex-advogado em detrimento de mulheres que talvez teriam muito mais competência.
Metrópoles — O senhor elogiou o ex-governador (do Rio de Janeiro) Cláudio Castro pela operação no Complexo da Penha e do Alemão, que resultou em pouco mais de 130 mortes (em meados de 2025). Se eleito, quais seriam suas propostas para a segurança pública? O senhor pretende fazer operações dessa magnitude?
Romeu Zema — O Brasil é o recordista mundial de homicídios: 40 a 50 mil brasileiros mortos todos os anos. O que eu quero é elevar o custo do crime (…). Eu tenho um caso em Minas de um criminoso com 88 passagens que está solto. Nós estamos desmoralizando o serviço das forças de segurança. As forças de segurança prendem, mas a Justiça solta. O que eu quero é que quem for preso continue preso.
Levei a proposta para o ministro Lewandowski para que quem estiver na terceira ocorrência já não seja mais liberado em audiência de custódia, e ele não colocou isso na PEC da Segurança Pública, literalmente esqueceu (…). Quando eu falo de 40 mil homicídios, são 40 mil famílias destroçadas. É um impacto social gigantesco.
Criminoso, para mim, tem de ser colocado atrás das grades, e vamos precisar de muito mais presídios.
No ano passado, fui conhecer a experiência de El Salvador, onde houve 99% de redução dos homicídios em quatro anos. A receita lá foi enquadrar como terrorista todos aqueles com conexão com facções criminosas, com pena mínima de 25 anos. Na hora que o custo do crime encarece, a criminalidade diminui muito (…).
Metrópoles — O senhor pensa que seria possível construir um CECOT, como fez Nayib Bukele em El Salvador, no Brasil?
Romeu Zema — Plenamente. E eu iria além: seria um CECOT com diversas indústrias acopladas. De preferência, num lugar onde seja fácil receber matéria-prima e exportar, talvez num rio da Amazônia, um lugar isolado. Eu quero todos esses presos trabalhando. A sociedade não vai ficar sustentando criminosos. Seria uma zona de livre comércio movida a criminosos que ficarão detidos.