Com a aproximação do aniversário de 30 anos de atuação no Brasil, a LG Electronics passa a apostar em um movimento duplo para ganhar terreno no mercado nacional de aquecimento, ventilação e ar-condicionado (HVAC): ampliar sua presença em data centers e liderar a transição do setor para tecnologias sustentáveis.
Desde 2024, a empresa passou a trabalhar com uma categoria específica de ACs, com estratégias e produtos voltados tanto para edifícios comerciais quanto para grandes infraestruturas digitais.
Segundo dados globais da empresa, a receita B2B aumentou 3% no ano de 2025, atingindo R$ 89 bilhões. O lucro operacional combinado de VS (Vehicle Component Solutions) e ES (Energy Solutions), os dois pilares principais do B2B da LG, ultrapassou R$ 3,7 bilhões pela primeira vez. Para 2026, é projetado um crescimento de 12% na empresa, enquanto para 2027 a meta é alcançar os 15%. O plano é que, até 2030, a área B2B a LG corresponda a 50% do faturamento da empresa — o que não significa o enfraquecimento do varejo, mas sim maiores investimentos.
“São dois braços B2B: o ar-condicionado comercial e as telas profissionais, que estão em hotéis, por exemplo. Em São Paulo estamos acostumados a ver muito mobiliário urbano, mas quando saímos daqui, não tem muito disso — e o Brasil tem um potencial enorme nesse sentido. Já o AC tem uma penetração muito baixa no País, apesar do clima quente”, afirma Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG Electronics.
O carro-chefe no mercado HVAC é o novo Chiller Scroll Inverter com condensação a ar, equipamento que opera com o refrigerante R32, cuja capacidade de aquecimento global é cerca de 70% menor do que a do R410A, gás utilizado no mercado. O produto fornece água gelada e quente, e é voltado para edifícios comerciais de médio porte que demandam gestão térmica ao longo de todo o ano.
A LG também vem investindo, na última década, no treinamento dos profissionais do segmento de AC, abrangendo desde a instalação até conhecimentos gerais sobre o segmento. “Hoje um técnico que está instalando o ar-condicionado em uma casa, pode mandar o código do produto para a Central via WhatsApp, e a Central devolve para ele o que ele tem que fazer e a planta da máquina, tudo via inteligência artificial“, acrescenta Fiani.
No que se trata da transição para tecnologias sutentáveis, a LG estabeleceu o “Plano Vida Melhor 2030”, com metas específicas e planos de implementação que promovam gestão da sustentabilidade. Segundo Bruno Giovanni, gerente sênior de vendas da LG Brasil, a meta da empresa é conciliar eficiência dos sistemas com proteção ao meio ambiente, por meio de soluções que consomem menos energia elétrica.
Além disso, o gerente reforça ainda que as soluções apresentadas pela LG contribuem, inclusive, com a redução no consumo de água para refrigeração nos ACs. “Ele resfria o gás refrigerante pelo ar, então aqui o consumo de água é zero. A água que está dentro desse sistema vai direto no circuito, que é fechado, então não tem evaporação de água”, explica Giovanni. “Existem outros sistemas, como de condensação a água, que aí sim há uma evaporação da água na torre. Então tudo depende, a aplicação vai de caso a caso, e eu diria que de estado a estado, porque o que dá certo aqui pode não dar certo no Nordeste por característica climática”, finaliza.
Data Centers
No que se trata de data centers, Rodrigo Fiani é direto: o Brasil tem o clima, a energia limpa e a água necessárias para liderar o mercado na América Latina. “Nós estamos apostando nisso”, afirma. O timing não é atoa. O mercado brasileiro de data centers projeta crescimento robusto nos próximos anos, impulsionado justamente pela expansão da infraestrutura de IA — um ambiente que exige soluções de climatização cada vez mais sofisticadas e eficientes.
Para o segmento de data centers, a LG organiza um portfólio com três soluções principais:
- Chiller Centrífugo de Mancal Magnético a Ar: produto de maior apelo tecnológico, que usa um compressor que levita sobre mancais magnéticos, eliminando atrito, consumo de óleo e custos de manutenção;
- CDU (Liquid Cooled Unit): foi desenvolvida para racks de alta densidade, com resfriamento líquido que remove calor de forma mais eficiente do que sistemas a ar, algo especialmente relevante para servidores que rodam aplicações de IA;
- Inverter Screw Chiller a Ar: é voltado para instalações de médio e grande porte, combinando compressores tipo parafuso com tecnologia inverter e operação sem consumo de água.
“O Brasil se torna um grande polo de data center. Quando falamos de data centers de inteligência artificial, ele gera 50 vezes mais calor do que um data center normal”, afirma Fiani. O País tem entre suas vantagens também um clima mais estável, sem problemas climáticos como terremotos, furacões ou tsunamis.
Paralelamente, a LG tem investido em serviços ao cliente voltados à negócios críticos, oferecendo monitoramento dos aparelhos em tempo real e assistência rápida em casos de problemas. “Se algo em um data center quebrar, não se pode esperar sete dias para arrumar. Então nós vendemos alguns serviços agregados, monitoramento do ar-condicionado, manutenção preditiva e gerenciamento à distância”, afirma Fiani. A mesma lógica funciona para outros negócios críticos, como hospitais — segmento de maior atuação da LG.
A Trindade: Brasil, Arábia Saudita e Índia
Segundo a LG, o Brasil, a Arábia Saudita e a Índia são os três pilares centrais de expansão a médio e longo prazo da empresa, com a meta de duplicar receita até 2030, por meio de produtos localizados, produção regional e estratégias de negócios específicas para cada mercado. Em 2025, a receita combinada dos três países atingiu R$ 23 bilhões, um aumento de 20% em relação a 2023.
Só no Brasil, já foram destinados mais de R$ 1,5 bilhão para a construção de uma fábrica de refrigerador no Paraná, que tem lançamento previsto para junho deste ano. Com uma área construída de 70 mil metros quadrados, a unidade produzirá eletrodomésticos premium e específicos para a região.
A nova fábrica deve fortalecer a competitividade da produção nacional, servindo como base de exportação para os mercados vizinhos da América do Sul. Se somada à unidade da LG em Manaus, a capacidade de produção local anual de eletrodomésticos e componentes premium no Brasil deverá atingir aproximadamente 7,2 milhões de unidades.
Fiani acrescenta que novos investimentos devem chegar assim que o segmento de refrigeração estiver estabelecido no País.