A Meta está introduzindo uma ferramenta que permite aos pais monitorar as conversas entre adolescentes e o chatbot da empresa, a Meta AI, conforme anunciado na última semana.
A ferramenta fica disponível na aba “Insights”, nos aplicativos Facebook, Messenger e Instagram, para pais que optam pela supervisão de contas de adolescentes. Na opção “Interações com a IA”, são listados todos os assuntos discutidos nos últimos sete dias, com subtópicos para cada um.
Já existe uma funcionalidade em que pais e responsáveis são alertados caso os filhos discutam temas como suicídio e autoflagelação — um recurso que segue sendo aprimorado, segundo a empresa. Agora, é possível monitorar todas as interações, variando entre temas como escola, entretenimento e estilo de vida, viagens, saúde e bem-estar.
O recursos já está disponível na Austrália, no Brasil, no Canadá, nos Estados Unidos e no Reino Unido, e devem ser ampliados globalmente em breve.
Conta de adolescentes
A Meta oferece a responsáveis a opção de monitorar contas de adolescentes no Instagram, por meio de um vínculo entre dispositivos. Segundo a bigtech, a ferramenta é destinada a usuários entre 13 e 17 anos de idade.
O objetivo é garantir segurança dos jovens e filtrar conteúdos impróprios na plataforma. A proibição de transmissões ao vivo, modo de descanso entre 22h e 7h, e dupla proteção nas mensagens diretas, estão entre alguns dos recursos oferecidos.
Pressão regulatória
Os avanços nas medidas de monitoramento são reflexo de maior pressão regulatória exercida por parte de diferentes países, que passaram a responsabilizar plataformas por conteúdo impróprio e falso, manutenção de vícios e baixa fiscalização na coleta de dados pessoais.
O Brasil, por exemplo, sancionou o ECA Digital em março deste ano, prevendo uma série de obrigações para bigtechs, e-commerce, plataformas de jogos e streaming. Alguns países optaram por uma posição mais radical, com a Austrália, que proibiu o uso de redes sociais por menores de idade.
No Novo México, EUA, a Meta foi condenada a pagar US$ 375 milhões em multas, por falhar no bloqueio de exploração sexual de crianças em seus aplicativos, além de se envolver deliberadamente e práticas comerciais injustas e enganosas. Paralelamente, a empresa de Zuckerberg e o Youtube enfrentavam o tribunal em Los Angeles, acusados de criar intencionalmente recursos viciantes e prejudiciais a saúde de jovens. Ambas foram consideradas culpadas.