Bom dia. Estamos na terça-feira, 28 de abril
Cenários
Começam nesta terça-feira (28) as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e de seu equivalente americano, o Federal Open Market Committee (Fomc). As decisões serão anunciadas na quarta-feira (29) e já são conhecidas. Por aqui, as opções de Copom indicam uma expectativa dos investidores de um corte suave nos juros, de apenas 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa Selic dos atuais 14,75% para 14,50% ao ano. Nos Estados Unidos, a ferramenta FedWatch indica exatos 100% de probabilidade de mamutenção dos Fed Funds, os juros referenciais americanos, na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Na reunião de março o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, em decisão unânime. O movimento surpreendeu muitos investidores, que até semanas antes aguardavam um corte de pelo menos 0,50 ponto percentual ou até maior. Agora, após 23 semanas apostando que o Copom cortaria a Selic em 0,5 ponto na reunião que se inicia nesta terça-feira, o mercado passou a acreditar em um reajuste mais moderado.
Por que isso ocorreu? Basicamente pela piora do cenário internacional e por dados econômicos domésticos negativos. Um bom exemplo são as perspectivas de inflação do Relatório Focus, divulgado todas as segundas-feiras pelo Banco Central (BC). Na edição mais recente, do dia 27, a projeção para o IPCA de 2026 subiu de 4,71% para 4,80%, a sétima elevação consecutiva. Três semanas antes, a projeção da taxa Selic para dezembro de 2026 avançou para 13%, a primeira vez que isso ocorreu neste ano. Antes da guerra, a expectativa para os juros chegou a cair ao mínimo de 12%.
O Copom se reúne em um momento no qual o cenário externo segue afetando a política monetária. Em seu comunicado de março, o Comitê deixou claro que o ambiente externo tornou-se mais incerto, sobretudo pelo impacto do conflito no Oriente Médio na cadeia de suprimentos global e nos preços das commodities, especialmente o petróleo.
Diante desse cenário, o debate entre os investidores é se o Copom vai sinalizar algo sobre a decisão da reunião de junho ou se vai deixar a decisão em aberto, dependendo de como o cenário externo evoluir nas próximas semanas.
Apesar do cenário externo adverso, há elementos positivos. O Brasil é exportador líquido de petróleo. O câmbio também tem estado favorável, com o real se apreciando em relação ao dólar, o que reduz a pressão inflacionária.
Já a reunião do Fomc vai além do debate técnico sobre a política monetária americana. O Fomc deve manter os juros inalterados pela terceira reunião consecutiva, enquanto seus diretores avaliam os efeitos do choque nos preços de energia. Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, a projeção era de pelo menos dois cortes de juros nos EUA em 2026. Esse cenário mudou dramaticamente, com o mercado precificando 77% de probabilidade de manutenção das taxas estáveis até o fim do ano.
Para além dos números, os investidores esperam ansiosamente os comunicados e, no caso do FED, a entrevista coletiva que segue as decisões. No caso do Copom, a atenção se concentrará em qualquer sinalização sobre o ritmo dos cortes nas próximas reuniões, especialmente a de junho. A ata da reunião, que será divulgada na terça-feira seguinte, também será esquadrinhada em busca de pistas sobre a visão do Banco Central para a trajetória da Selic ao longo do segundo semestre.
Nos EUA, a última coletiva de Powell terá um peso especial. O presidente do FED sairá de cena com a credibilidade institucional do banco central em discussão, num momento em que a inflação impulsionada pelos combustíveis afetou o sentimento do consumidor, que caiu a mínimas históricas, e os formuladores de política monetária tornaram-se mais cautelosos.
Perspectivas
O IBGE divulga o IPCA-15 de abril, prévia da inflação oficial. A expectativa é de uma aceleração para 1,00% ante o 0,44% de março. A previsão para o IPCA-15 acumulado em 12 meses subiu para 4,48% ante os 3,90% nos 12 meses até março. Se esse número se confirmar, estará muito perto do teto da meta, que é de 4,50%.
No cenário internacional, os contratos futuros dos principais índices americanos recuam levemente no pré-mercado devido à nova alta dos preços do petróleo. Os contratos futuros de maio do barril de petróleo do tipo Brent avançam cerca de 2,8% para pouco mais de US$ 111, maior nível em três semanas.
Indicadores
BRASIL
Inflação / IPCA-15 (Abr)
Esperado: 1,00%
Anterior: 0,44%
Inflação / IPCA-15 (12m)
Esperado: 4,48%
Anterior: 3,90%
ESTADOS UNIDOS
Confiança do consumidor CB (Abr)
Esperado: 89,0
Anterior: 91,8