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Fed Mantém Taxa Básica de Juros entre 3,50% e 3,75%

Nesta quarta-feira (29), o Federal Reserve (Fed) manteve sua taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75%. O movimento já era amplamente esperado pelos investidores. Segundo a ferramenta FedWatch, da CME Group, o mercado atribuiu 100% de probabilidade à manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75%.

Em sua última coletiva de imprensa — que acontece daqui a 30 minutos — como presidente do Fed, Jerome Powell dará pistas se deixará o Banco Central, já que agora houve o encerramento de seu processo, segundo o Departamento de justiça, ou se seguirá como diretor, dado que seu mandato termina apenas em 2028. No mês passado, ele afirmou que tomará essa decisão “com base no que for melhor para a instituição e para as pessoas que atendemos”.

A votação de 8 a 4 foi a mais dividida desde 6 de outubro de 1992. Oito membros votaram pela manutenção das taxas com um viés mais baixista, ou seja, sinalizando que o próximo movimento poderia ser de cortes. Por outro lado, três integrantes defenderam a manutenção dos juros sem esse viés, adotando uma postura mais equilibrada em relação aos riscos da economia americana. Além disso, um membro, Stephen Mirren, votou por um corte de 0,25 ponto percentual.

“A inflação está elevada, em parte refletindo o recente aumento nos preços globais de energia”, disse o Fed em sua declaração de política monetária, uma mudança em relação à linguagem anterior que dizia que a inflação estava apenas “um pouco” elevada.

“Os desenvolvimentos no Oriente Médio estão contribuindo para um alto nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas.”

A inflação ao consumidor nos EUA avançou em março, com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subindo 0,9% no mês, elevando a taxa anual para 3,3%. Esse aumento, o maior desde abril de 2024, foi predominantemente causado pelo setor de energia — os preços de energia também registraram o maior aumento mensal desde 2005.

A meta de inflação nos EUA é de 2%. Ao mesmo tempo, a economia americana continua resiliente, sustentada por um mercado de trabalho firme e resultados corporativos sólidos. O FOMC sinalizou no mês passado que cortes de juros “provavelmente se tornariam apropriados” caso a inflação caia abaixo da meta.

O “dot plot” do Fed — gráfico que mostra as projeções dos dirigentes — indica expectativa de um corte de juros neste ano e outro em 2027. Ainda assim, na reunião do mês passado do FOMC, sete dos 19 participantes afirmaram esperar manutenção das taxas em 2026. 

Agora, os investidores aguardam os próximos passos do Banco Central americano, principalmente em um cenário mais complexo desde a última reunião e em um momento que coincide com a reta final da gestão de Jerome Powell — que termina em 15 de maio —, em meio à expectativa de sucessão por Kevin Warsh.  

O indicado de Trump para a presidência do Federal Reserve, financista de 56 anos, é ex-diretor do Fed e sócio no family office do bilionário gestor de hedge funds Stanley Druckenmiller.

Fed independente?

Em dezembro, Trump disse ao The Wall Street Journal, que acredita que Warsh “acha que é preciso reduzir os juros”. Porém, Warsh afirmou ao Comitê Bancário do Senado na semana passada que nunca foi solicitado a se comprometer com cortes e que Trump “não exigiu isso”.

Warsh ainda afirmou não acreditar que a independência do Fed esteja ameaçada quando autoridades eleitas expressam opiniões sobre os juros.

Juros em jogo

Os aumentos de preços estão pesando sobre as famílias norte-americanas. O petróleo voltou a subir e se mantém acima de US$ 100 por barril, em meio às tensões no Oriente Médio e aos impactos no Estreito de Ormuz. Os efeitos disso nos custos de energia e de logística tocam no foco do comitê de política monetária dos EUA (FOMC), que é o controle da inflação.

Hoje também acontece, no Brasil, a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que anunciará sua decisão sobre a taxa Selic — o mercado tem expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.

Segundo Andressa Durão, economista do ASA, as duas decisões têm potencial para mover os mercados de forma expressiva. “Os agentes financeiros aguardam com atenção os comunicados e sinalizações sobre os próximos passos da política de juros nos dois países”, comenta. O mercado deve reagir ao tom do Fed , especialmente à leitura sobre o impacto do petróleo, à sinalização (ou não) de cortes e ao grau de consenso entre os membros.

O economista sênior do Inter, André Valério, afirmou que com a incerteza do conflito pairando sobre a inflação e a atividade econômica, não vê margem para novos cortes nos juros no curto prazo. “Vemos espaço para mais um ou dois cortes no 2º semestre, caso o conflito seja solucionado”, comenta.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, destaca que a manutenção de juros sustenta um ambiente de câmbio relativamente estável, a depender da decisão e da sinalização do Copom na reunião do fim do dia. “Isso favorece renda fixa local e estratégias de curva em dólar, ao mesmo tempo que a incógnita Warsh aumenta a importância de monitorar sinais de independência do Fed e de possível reação mais rápida ao ciclo político americano”, ressalta Zogbi.



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