Seja Bem Vindo - 05/05/2026 15:16

Por Que os Nossos Animais Também Cuidam

Outro dia, vi um vídeo que me emocionou. Uma mulher idosa, internada em um hospital havia semanas, recebe uma visita inesperada: seus gatos, trazidos pelo filho dela. As cenas me desarmaram: o rosto dela, antes sério e cansado, se iluminou. Por algum tempo, a doença pareceu perder espaço para dar lugar ao cuidado e ao vínculo com aqueles animais.

Em minha prática clínica, aprendi que nem todo cuidado se resume a uma prescrição médica. Meu cão Franc foi treinado para dar suporte emocional a pacientes internados no Instituto HC Perdizes, muitos deles, em estado terminal, afastados de seus familiares e, não raro, sozinhos no quarto. Já pude testemunhar, de perto, o que esses encontros produzem. O isolamento se rompe, a emoção toma conta, a ansiedade e o medo diminuem e os pacientes voltam a se sentir amados.

A ciência vem confirmando algo que, intuitivamente, já sabemos: o contato com animais reduz níveis de cortisol, diminui a percepção de estresse e pode aumentar a liberação de um hormônio associado ao vínculo e ao bem-estar, como a ocitocina. Ou seja, esse é um recurso com efeitos terapêuticos.

Não por acaso, esse efeito tem sido incorporado ao cuidado de pessoas com depressão, ansiedade, fobias ou em situações de isolamento prolongado, como internações. Cresce também o número de profissionais que incorporam animais de apoio emocional ao cuidado clínico da ansiedade e da depressão. Em 2023, só nos Estados Unidos, havia mais de 115 mil animais de suporte emocional registrados – em sua maioria cães, mas há de tudo, até pavões e cobras.

Getty ImagesUso de animais de apoio emocional avança no tratamento de ansiedade e depressão

Animais de suporte emocional não substituem tratamentos. Mas eles reforçam a sensação de não estar sozinho. Em saúde mental, isso pode mudar tudo.

Talvez seja por isso que aquele vídeo tenha me marcado tanto. No fundo, ele mostra algo simples e poderoso: o vínculo com um animal que nos dá amor incondicional pode nos devolver a sensação de estar vivos. E isso é muito.

*Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.



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