A nova procuradora-geral do Distrito Federal, Diana de Almeida Ramos, assumiu o comando da Procuradoria-Geral (PGDF) com a promessa de modernizar o órgão, ampliar o diálogo com a população brasiliense e fortalecer a presença feminina em cargos de liderança. Em entrevista ao Metrópoles, ela afirmou que pretende “levar a Procuradoria para o século 21”.
Confira a entrevista completa:
Servidora da Procuradoria há quase 30 anos, Diana relembrou a trajetória dentro do órgão, onde passou por áreas como saúde, fiscal, meio ambiente e militar. Agora à frente da instituição, ela diz ter intenção de aproximar o órgão da população.
“Tenho um grande prazer em estar lá. Passei por quase todas as [procuradorias] especializadas. Eu pretendo continuar o bom trabalho que a PGDF faz, mas eu gostaria de nos aproximar mais da comunidade. A gente precisa chegar no século 21, até para facilitar o atendimento do público”, declarou Diana.
A procuradora-geral afirmou que ainda há processos realizados manualmente dentro do órgão e defendeu maior uso de tecnologia e inteligência artificial para otimizar o trabalho.
Nomeação de novos servidores
Diana também reconheceu o déficit de servidores na estrutura da Procuradoria. Segundo a procuradora, há setores funcionando com apenas um servidor e o quadro atual é “extremamente deficitário”. A Secretaria de Economia, segundo ela, já realiza um mapeamento interno para identificar as maiores necessidades da instituição.
De acordo com a comissão de aprovados no concurso público para analista e técnico jurídico, a PGDF acumula atualmente mais de 120 cargos vagos na carreira de apoio, em meio à expectativa por novas nomeações.
Sobre os aprovados no último certame, Diana confirmou que recebeu representantes da comissão dos candidatos e afirmou que existe interesse da gestão em avançar nas nomeações.
“São pessoas extremamente capacitadas, com excelente formação e desejosas de ingressar na Procuradoria para nos ajudar a construir essa Procuradoria que eu sempre falo: entrar no século 21”, declarou.
Apesar disso, Diana afirmou que ainda não há uma data definida para novas nomeações. Segundo ela, o calendário eleitoral pode dificultar o andamento do processo neste ano. “Estamos combatendo o bom combate junto com eles, mas é um ano eleitoral. Temos vedações e impedimentos eleitorais”, explicou.
Ela confirmou que, neste primeiro momento, 23 aprovados seriam os próximos da fila de convocação, mas evitou cravar se as nomeações ocorrerão ainda em 2026.
“Há necessidade na casa e eu percebo neles vontade e prazer em trabalhar. Espero que esses elementos possam se juntar o mais rápido possível”, disse.
Segundo a comissão, as nomeações pleiteadas referem-se apenas à reposição de vacâncias surgidas durante a vigência do concurso. O certame segue com prazo suspenso pela Lei Distrital nº 7.843/2026, mantendo aberta a possibilidade legal para novas convocações.
Representatividade feminina
Diana foi nomeada pela governadora Celina Leão, tornando-se a terceira mulher a chefiar a PGDF. Ela enfatizou a importância da presença feminina em posições de liderança dentro do sistema de Justiça.
Segundo ela, embora o Brasil possua legislação avançada de proteção às mulheres, é necessário garantir que essas normas sejam efetivamente aplicadas. “Sem um Judiciário consciente das necessidades da mulher, nós não vamos conseguir construir justiça”, declarou.
Mãe de três filhas, a procuradora também afirmou que vê na própria trajetória uma forma de inspirar outras mulheres a ocuparem espaços de poder.
“Depois de ter vivido toda essa trajetória na Procuradoria, até já poderia pensar numa aposentadoria, mas tive a oportunidade de liderar a minha casa em um momento de grandes desafios. Isso serve para mostrar que todos os espaços são acessíveis para as mulheres”, contempla Diana.
Recuperação do BRB
Questionada sobre o papel da PGDF em relação à recuperação do Banco de Brasília (BRB), Diana explicou que, embora a instituição tenha corpo jurídico próprio, a Procuradoria atua na defesa dos interesses do Distrito Federal como sócio controlador.
Ela classificou o banco como um “patrimônio essencial”, especialmente pelo seu papel no crédito agrícola e na execução de programas sociais.
“A nossa participação é sempre buscar uma solução jurídica segura e proba. A Procuradoria representa os interesses do Distrito Federal, que é o sócio controlador do BRB. Então, o que quer que o sócio controlador opte por fazer, vai ouvir a Procuradoria. É assim que tem sido”, ponderou.