O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (7/5) que entregou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma cópia do acordo nuclear firmado entre Brasil, Turquia e Irã em 2010, durante seu segundo mandato.
Segundo Lula, o documento foi apresentado ao republicano durante a reunião realizada na Casa Branca, em Washington, onde os dois líderes discutiram temas sensíveis e estratégicos, como guerras, comércio e segurança global.
“Nós, Brasil e Turquia, conseguimos convencer o Irã a assinar um acordo de não produção de arma nuclear”, continuou Lula.
O presidente afirmou que o entendimento firmado em 2010 foi resultado de um esforço diplomático baseado em “paciência e capacidade de persuasão”.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Casa Branca, Washington, D.C.
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Presidente Lula
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Lula durante coletiva nos EUA após reunião com Trump
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Acordo de 2010
- O entendimento citado por Lula ficou conhecido como Declaração de Teerã e foi negociado por Brasil e Turquia junto ao governo iraniano em maio de 2010.
- Na época, o objetivo era reduzir as tensões internacionais em torno do programa nuclear iraniano.
- O acordo previa que o Irã transferisse cerca de 1,2 tonelada de urânio pouco enriquecido para a Turquia, sob supervisão internacional, em troca de combustível nuclear destinado a pesquisas médicas em Teerã.
- O modelo seguia parâmetros discutidos anteriormente pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e havia sido incentivado inicialmente pelos Estados Unidos, ainda sob o governo de Barack Obama.
- Segundo Lula, a proposta construída por Brasil e Turquia era “inclusive cópia fiel” de uma carta enviada por Obama incentivando a mediação diplomática.
- Apesar disso, o acordo acabou sendo rejeitado pelas grandes potências ocidentais.
- Pouco depois da assinatura, Estados Unidos e países europeus defenderam novas sanções contra o Irã, alegando desconfiança sobre o compromisso iraniano em limitar seu programa nuclear.
Durante a coletiva, Lula ainda afirmou que o acordo fracassou “pois foi articulado por países em desenvolvimento”. À época, o então chanceler do Brasil, Celso Amorim, acusou o governo estadunidense de não aceitar uma resposta do Irã para as negociações.
“Lamentavelmente, quando fizemos o acordo, Obama e a União Europeia resolveram aumentar a punição ao Irã, possivelmente porque quem tinha feito o acordo era um país de terceiro mundo”, declarou.
O brasileiro também disse considerar o entendimento de 2010 “muito melhor” do que as iniciativas posteriores adotadas pelas potências internacionais.
“O acordo que nós fizemos em 2010 é muito melhor do que eles fizeram, e é preciso conversar outra vez”, afirmou.
Ao comentar a atual escalada envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, Lula voltou a defender soluções diplomáticas e disse não acreditar em saídas militares para o conflito.
O petista disse ainda que Trump acredita que a guerra envolvendo o Irã “já acabou”, mas ponderou que essa não seria sua avaliação sobre o cenário atual.