Klabin mantém confiança em suas previsões sobre custos para o ano e enxerga uma geração de fluxo de caixa “muito forte” em 2027, diante do fim do ciclo de investimentos neste ano, o que deve ajudar a empresa no processo de desalavancagem financeira, afirmou o presidente-executivo Cristiano Teixeira, nesta quinta-feira.
“A companhia está preparada para uma geração de fluxo de caixa livre muito forte a partir de janeiro de 2027”, disse o executivo em conferência com analistas após a publicação dos resultados de primeiro trimestre da empresa na véspera.
“Vemos um nível de recuperação de preços e produtividade da companhia aumentando. Portanto, nenhum risco de mudança da política de dividendos, e estamos bastante confiantes na desalavancagem”, acrescentou.
A empresa divulgou no final do ano passado uma expectativa de evolução de custos neste ano abaixo da inflação. “Continuamos seguros no guidance de custo”, afirmou.
Teixeira reafirmou que não há planos de envio ao conselho de administração este ano de projetos de investimento significativos, e que a nova caldeira de recuperação da fábrica de Monte Alegre (PR) poderá entrar em operação antes da previsão anterior do final deste ano.
Questionado sobre o mercado de papelcartão, usado em embalagens como as utilizadas em pacotes de cerveja, o diretor comercial da área, José Soares, afirmou que a Klabin está anunciando a clientes no Brasil aumento de 6,6% nos preços do produto para o segundo semestre.
“Vamos começar essa batalha. A gente sabe que não é simples. Vai ser processo negociado caso a caso, cliente a cliente. Estamos repassando os custos e observamos que o último aumento de cartão no mercado interno foi em maio de 2024.”
O executivo citou que o segmento de papelcartão neste ano no Brasil tem sido apoiado pelo consumo de cerveja. “Esperamos demanda forte no segundo trimestre”, afirmou.
Na terça-feira (05), a Ambev afirmou que a combinação de feriados prolongados com a realização da Copa do Mundo na América do Norte neste ano devem ajudar as cervejarias a manterem recuperação de vendas após um segundo semestre do ano passado fraco afetado por clima desfavorável.
Em celulose, o diretor da área na Klabin, Alexandre Nicolini, comentou que o mercado está mais equilibrado na fibra curta, derivada de eucaliptos, enquanto na longa, produzida a partir de pinheiros, o cenário “está mais desafiador”, com estoques ainda elevados no Brasil.
Já em celulose fluff, matéria-prima para produtos como fraldas, os aumentos de preços dos fabricantes têm sido “efetivados sem nenhum tipo de resistência”, com demanda seguindo sólida, disse o executivo. Ele citou que, diante de fechamentos de capacidade nos Estados Unidos e paradas de manutenção, houve restrição de oferta do produto, o que deve incentivar aumentos de preços a partir do segundo semestre.