No meio dos milhares de prédios espalhados por São Paulo, um dos mais movimentos centros urbanos do Brasil, um edifício se destaca como símbolo da arquitetura moderna do país. Fundado em 1966, o Copan, localizado no centro da cidade, comemora 60 anos neste ano e será personagem principal de um livro e um documentário.
O edifício Copan
- Obra do arquiteto Oscar Niemeyer, o Copan tem a maior estrutura de concreto armado do país, com 115 metros de altura, 32 andares e 120 mil metros quadrados de área construída.
- São seis blocos, com um total de 1.160 apartamentos de dimensões variadas.
- A estimativa é que cinco mil pessoas morem no local, além de mais de 70 estabelecimentos comerciais.
O escritor Victor Bonini e a diretora Carine Wallauer dedicam obras ao Copan e afirmam que a paixão pelo prédio foi inspiração para as suas respectivas produções.
Bonini lança, pela Companhia das Letras, o livro ficcional Crime no Copan, com lançamento marcado para 25 de maio. Já Carine dedica o documentário Copan, com um retrato íntimo do cotidiano e das tensões do edifício, e lança a produção em 28 de maio.

O Copan, no centro de São Paulo, comemora 60 anos neste ano
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Obra do arquiteto Oscar Niemeyer, o Copan tem a maior estrutura de concreto armado do país, com 115 metros de altura, 32 andares e 120 mil metros quadrados de área construída.
Marcelo Camargo/Agência Brasil

São seis blocos, com um total de 1.160 apartamentos de dimensões variadas.
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A estimativa é que cinco mil pessoas morem no local, além de mais de 70 estabelecimentos comerciais.
Fábio Vieira/ Metrópoles
O livro sobre o Copan
Crime no Copan é um romance policial que parte de uma noite trágica para revelar uma rede de segredos que atravessa gerações. Neste livro, Victor Bonini transforma o edifício mais emblemático de São Paulo em palco de uma investigação onde nada é simples ― e ninguém é quem parece ser.
“Como paulistano, sempre fui apaixonado pelo Copan e eu queria que uma história minha se passasse lá. Mas precisava ser a história certa. Foi aí que pensei numa trama em que um crime ocorrido em 2026 se ligaria a outro de cinco décadas atrás. Eu percebi que seria um livro sobre ecos do passado que reverberam no presente de São Paulo (ou, na verdade, de qualquer cidade grande)”, explica ele ao Metrópoles.

“Ao longo das décadas, os problemas sociais foram maquiados, talvez cobertos pela tecnologia, mas continuam na cara de qualquer um que frequente o centro. O Copan, nesse contexto, era o cenário ideal, não só porque sobreviveu a essas décadas, como também foi valorizado nos últimos anos, para o bem e para o mal. Virou um miolo de gentrificação num centro de São Paulo ainda muito degradado”, completa.
Autor dos livros Quando Ela Desaparecer e O Casamento, Bonini afirma que traz o prédio como um personagem e coloca nas páginas a sensação de viver por dentro do icônico edifício. O livro, inclusive, começa no aniversário de 60 anos do prédio. “Eu quis partir de um fato – o aniversário de 60 anos do Copan, que é quando o livro começa – para, a partir daí, criar a ficção”, explica.
“Meus personagens são todos frutos da minha imaginação, apesar de espelharem a diversidade que sempre vi nos moradores no Copan. Os lugares que eles frequentam no livro também são reais, da galeria e o terraço ao espaço Pivô e o Cine Copan. Mas até nesses espaços eu tomei a liberdade de criar. Afinal, o que é um livro de mistério sem uma sala secreta?”, finaliza.
O documentário sobre o Copan
Carine foi moradora do Copan por sete anos e trouxe o “magnetismo” do prédio para o documentário, com histórias reais e tramas em torno de pessoas que de fato vivem por lá.
“Para grande parte dos moradores e visitantes, o Copan é um espaço transitório. Para os trabalhadores, o Copan é um projeto de longo prazo, uma relação de amor e cuidado. A minha família de origem sempre trabalhou na área de serviço. Minha mãe como babá e empregada doméstica e meu pai como açougueiro, vendedor e mais no fim da vida como motorista de aplicativo. Eu mesma trabalhei sete anos em um shopping”, explica.
“Esse filme é um exercício de navegar pela subjetividade, sensibilidade e posicionamento crítico de quem muitas vezes não é visto ou ouvido diante de grandes questões”, finaliza a diretora.


Carine lança o documentário Copan
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Ela foi moradora do Copan por sete anos e representou o “magnetismo” do prédio para o documentário, com histórias reais e tramas em torno de pessoas que de fato vivem por lá.
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Carine dedica o documentário Copan, com um retrato íntimo do cotidiano e das tensões do edifício, e lança a produção em 28 de maio.
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Cena do documentário
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