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Donos de casas condenadas em explosão citam “desamparo e abandono”

Dois dias após a explosão causada durante obra da Sabesp no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, moradores da região tentam lidar com os prejuízos e a incerteza sobre o futuro. Após vistorias realizadas pela Defesa Civil, 4 casas foram interditadas e 2 delas deverão ser demolidas por risco estrutural.

O Metrópoles conversou com uma das moradoras que perderam a casa após a explosão no Jaguaré. A auxiliar administrativa Fernanda Conceição de Almeida conta que o imóvel, destruído pela força da explosão, era o sonho da família. Ela e o marido passaram cinco anos reformando a residência e haviam se mudado para o local no começo do ano passado.

“A sensação é de desamparo, de desespero mesmo. A gente perdeu tudo”, relata Fernanda.

No momento da explosão, apenas o marido dela e o cachorro da família estavam em casa. Em meio ao caos, o animal acabou fugindo, mas foi encontrado pouco tempo depois. “Meu marido conseguiu sair e depois acharam o cachorro. Graças a Deus, ele está bem”, contou.

Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo
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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

Gabrielle Gonçalves/Metrópoles

Residência afetada por explosão no Jaguaré
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Residência afetada por explosão no Jaguaré

Gabrielle Gonçalves/Metrópoles

Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo
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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

Reprodução/TV Band

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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo
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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo
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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

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Explosão na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

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Residência afetada por explosão no Jaguaré
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Residência afetada por explosão no Jaguaré

Gabrielle Gonçalves/Metrópoles

Agora, sem poder voltar para casa, o casal tenta entender quais serão os próximos passos. A primeira noite após a explosão foi passada na casa de familiares. Segundo Fernanda, apesar da ajuda emergencial, ainda faltam respostas sobre onde a família vai ficar nos próximos dias.

“A gente fica esperando uma ligação para saber se vai para hotel, para onde vai… está tudo muito incerto”, desabafou.

10 dias em hotel

A diarista Rosângela Santana também está entre os moradores que não poderão voltar para casa tão cedo. O imóvel onde ela vive com a filha, o genro e o neto pequeno foi interditado após um muro rachar com a força da explosão e correr risco de desabamento.

Segundo ela, os próximos dias serão passados em um hotel disponibilizado pela Sabesp e pela Comgás. “Eles falaram que vamos ficar uns 10 dias no hotel. Se precisar de mais tempo, vão prolongar”, contou.

Apesar do susto, ninguém da família ficou ferido. A diarista afirma que, até o momento, as empresas têm prestado assistência aos moradores atingidos e prometeram assumir os custos dos reparos da residência.


Auxílio de R$ 5 mil por família

  • A Sabesp anunciou nesta terça-feira (12/5) o aumento do auxílio emergencial destinado às famílias atingidas pela explosão no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo. O valor passou de R$ 2 mil para R$ 5 mil por família.
  • Segundo a porta-voz da companhia, Samanta Souza, 194 pessoas já estão cadastradas para receber o benefício emergencial.
  • O pagamento é feito por núcleo familiar. Isso significa que, mesmo que mais de uma pessoa da mesma casa esteja cadastrada, o auxílio será pago apenas uma vez para cada família.
  • Ainda na noite da explosão, moradores que tiveram as casas destruídas começaram a ser levados para hotéis pagos pela Sabesp e receberam um primeiro pagamento emergencial de R$ 2 mil via Pix.
  • Agora, as famílias que já haviam recebido esse valor terão um complemento de R$ 3 mil, totalizando os R$ 5 mil anunciados pela companhia.
  • Já os moradores que ainda não tinham recebido nenhum pagamento devem receber o valor integral de R$ 5 mil.
  • Além do auxílio financeiro, parte das famílias segue hospedada em hotéis custeados pelas empresas envolvidas na operação emergencial.

E agora?

Enquanto moradores tentam recuperar parte do que sobrou após a explosão, uma nova angústia começou a surgir entre as famílias afetadas: como fica a vida daqui para frente para quem perdeu a casa inteira? Para tentar entender quais são os próximos passos para essas famílias, o Metrópoles conversou com o advogado especialista em direito administrativo Vitor Hugo Jacob Covolato, presidente da Comissão de Direito Administrativo da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo.

De acordo com o advogado, o primeiro passo é garantir o chamado suporte emergencial às famílias que ficaram sem casa. Isso inclui hospedagem temporária, alimentação, ajuda financeira imediata, aluguel e assistência básica, para que os moradores consigam reorganizar minimamente a rotina após a tragédia.

“O direito à indenização surge no momento em que o dano acontece. Se uma pessoa perdeu a casa ou foi desalojada, já existe imediatamente a obrigação de reparar esse dano”, explicou.

Já questões como reconstrução de imóveis, pagamento de indenizações maiores e compensações por danos morais costumam seguir um caminho mais demorado na Justiça. Covolato citou os casos de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, em que muitas famílias levaram anos para começar a receber reparações mais amplas após os desastres.

Segundo o advogado, apesar de a explosão no Jaguaré ter uma proporção muito menor, os casos ajudam a ilustrar como processos de indenização no Brasil podem se arrastar por anos e mais anos.


A explosão

  • Uma explosão de gás provocou um incêndio em diversas casas em uma área próxima à Rua Dr. Benedito de Moraes Leme, no Jaguaré.
  • A tubulação de gás foi atingida durante obra de remanejamento de tubulação de água da Sabesp, empresa de saneamento básico de São Paulo. O serviço foi paralisado na sequência.
  • A Comgás, companhia paulista de gás, foi acionada, e as duas empresas adotaram imediatamente todos os protocolos de segurança.
  • Um homem, identificado como Alex Sandro Ferreira Nunes, de 49 anos, morreu e outros três feridos foram encaminhados ao Pronto Socorro Regional de Osasco, um deles por meios próprios, outro por uma equipe do Samu e o terceiro por uma unidade do resgate.
  • O Corpo de Bombeiros encerrou as buscas por outras vítimas nos escombros por volta das 21h30.
  • Ao menos 46 imóveis foram atingidos pela explosão. Outros tiveram janelas e batentes de porta destruídos. Cerca de 160 pessoas afetadas estão sendo cadastradas para receber assistência, segundo o governo estadual.
  • A área foi totalmente isolada para a buscas por possíveis vítimas.
  • O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) fez uma publicação nas redes sociais dele prestando solidariedade aos familiares e amigos do homem que morreu após a explosão e às três pessoas feridas e afirmou que “todos terão seus prejuízos ressarcidos e suas residências devidamente recuperadas”. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) postou mensagem, em sua conta no Instagram, de solidariedade às vítimas. “Meus sentimentos aos amigos e familiares do senhor que, infelizmente, veio a falecer.”
  • Segundo Nunes, a Prefeitura de São Paulo e a Defesa Civil estão no local, prestando suporte e colaborando com a perícia.
  • Em nota conjunta, a Sabesp e a Comgás afirmaram que os moradores afetados vão receber um valor emergencial de R$ 5 mil enquanto fazem o levantamento de todos os prejuízos.
  • A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (ARSESP) afirmou que vai solicitar às concessionárias todos os documentos e registros operacionais relacionados à obra realizada no local.

 



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