Musk repostou e respondeu a diversas publicações no X na manhã desta quarta-feira (13) atacando “The Odyssey”, adaptação do poema épico grego de Homero escrita e dirigida por Christopher Nolan que tem estreia prevista nos cinemas para julho.
Musk respondeu “Verdade” a uma publicação que alegava que Nolan é “racista contra o povo grego e sua herança cultural”, além de repostar um tweet que sugeria que o diretor estaria “pisando no túmulo de Homero”.
O comentarista do Daily Wire Matt Walsh também criticou “The Odyssey” em uma publicação feita na terça-feira (12), sugerindo que Nolan escalou Lupita Nyong’o para o papel de Helena de Troia porque sabia que “seria chamado de racista se desse o papel da ‘mulher mais bonita’ para uma atriz branca”. Musk também respondeu “Verdade” à publicação de Walsh.
Musk ainda impulsionou diversas postagens atacando a identidade de gênero de Elliot Page e chamou de “sensacional” um tweet que sugeria que Page não conseguiria abrir um pote de picles.
Musk já havia criticado “The Odyssey” em janeiro, afirmando em duas publicações naquele mês que Nolan havia “perdido sua integridade”, ambas em resposta a críticas sobre a escolha de Nyong’o em vez de uma atriz grega.
Por que “The Odyssey” enfrenta controvérsia sobre o elenco?
Alguns críticos das escolhas de elenco de Nolan lamentaram a ausência de atores gregos e alegaram que o filme seria historicamente impreciso. Além de Nyong’o e Page, alguns críticos também questionaram a participação do rapper Travis Scott em um pequeno papel.
Nolan defendeu a escolha de Scott em entrevista à revista Time nesta semana, afirmando: “Eu o escalei porque queria fazer referência à ideia de que essa história foi transmitida como poesia oral, algo análogo ao rap”.
Pessoas que defenderam as escolhas de Nolan online também destacaram que Helena de Troia é uma figura mitológica e não há evidências de que tenha realmente existido.
Nolan disse à Time que sabe que “The Odyssey” não agradará todos os entusiastas do poema antigo e comparou o processo de criação do filme ao de “Interstellar”, lançado em 2014.
“Em Interstellar, você pensa: ‘Qual é a melhor especulação sobre o futuro?’ Quando se trata do passado antigo, é praticamente a mesma coisa. ‘Qual é a melhor especulação e como posso usá-la para criar um mundo?’”, afirmou, acrescentando esperar que as pessoas “aproveitem o filme, mesmo que não concordem com tudo”.
Outro ponto da controvérsia
“The Odyssey” também enfrentou críticas após o lançamento de um trailer na semana passada, já que os atores, incluindo os britânicos Tom Holland e Robert Pattinson, aparentavam usar sotaques americanos.
Em uma coluna crítica, o jornalista James Hibberd, do The Hollywood Reporter, afirmou que “todo mundo soa como se fosse de Ohio” no filme, dizendo que a produção lembra mais “Ítaca, em Nova York, do que Ítaca, na Grécia”.
Hibberd observou ainda que outros épicos históricos, como “Gladiador”, optaram por sotaques britânicos, embora isso também seja historicamente impreciso.
O que se sabe sobre “The Odyssey”?
“The Odyssey” reúne um elenco estrelado liderado por Matt Damon no papel de Odisseu. Entre os coadjuvantes estão Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Zendaya, Charlize Theron e Lupita Nyong’o.
As filmagens ocorreram no ano passado em diversos países, incluindo Grécia, Itália, Islândia e Escócia.
O filme também gerou controvérsia por gravar no território disputado do Saara Ocidental, ocupado pelo Marrocos há décadas.
“The Odyssey” é o novo projeto de Nolan após “Oppenheimer”, filme que arrecadou quase US$ 1 bilhão (R$ 4,99 bilhões na cotação atual) em 2023 e foi o maior vencedor do Oscar daquele ano, rendendo ao diretor os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção.
Número relevante
US$ 250 milhões (R$ 1,25 bilhão). Esse é o orçamento estimado de “The Odyssey”, tornando-o o filme mais caro da carreira de Nolan.
Diversas publicações especializadas projetam que o longa será um grande sucesso de bilheteria no verão norte-americano. O Deadline informou na semana passada que “The Odyssey” deve ficar entre os filmes de maior arrecadação da temporada, destacando que sessões em IMAX já estavam esgotadas com um ano de antecedência.
*Por Conor Murray , repórter da Forbes USA. Cobre tendências do entretenimento.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com