“Você precisa estar disposto a levar alguns tombos.” É isso o que diz Vanessa Wyche, diretora do NASA Johnson Space Center, sobre o que é necessário para liderar em um cenário de incerteza.
Se existe alguém que entende de fracasso e gestão de riscos, é ela. Liderar o futuro dos voos espaciais tripulados significa atuar em um ambiente em que o custo de errar pode ser enorme.
O Johnson Space Center abriga o corpo de astronautas e os treinamentos dos Estados Unidos, incluindo missões como a recente Artemis II, primeiro voo tripulado do programa para retornar à Lua; a International Space Station (Estação Espacial Internacional); além de mais de 11 mil funcionários e contratados em sua força de trabalho.
Qualquer iniciativa ou missão liderada por Vanessa tem implicações gigantescas para o financiamento do país, a confiança do público, vidas humanas e os cronogramas das missões.
Esse tipo de liderança precisa ser construído com precisão técnica, disciplina e preparação, claro. Mas, na sua visão, também precisa ser baseado em uma cultura em que o fracasso seja visto como inteligência, e não como algo a ser evitado. Um ambiente em que as falhas sejam analisadas e usadas como combustível para o próximo passo.
Por que o fracasso faz parte da liderança
“Eu resumo isso com a palavra ‘garra’”, refletiu a diretora da NASA em entrevista à Forbes. “Se você observar o que as pessoas dizem sobre garra, verá que se trata de paixão e perseverança. Ou seja, ser apaixonado pelo que você quer fazer, mas entendendo que é preciso perseverança para chegar lá.”
Isso não significa otimismo cego, mas resiliência e disciplina para continuar seguindo em frente. “Se você quer fazer algo que represente um desafio para você e para a humanidade, isso exige muito de nós. Exige assumir riscos, mas compreender esses riscos e saber administrá-los.”
E isso importa para os líderes de hoje, independentemente se você trabalha em controle de missão, outras áreas de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) ou em qualquer outro setor. “Talvez você não consiga acertar na primeira tentativa, seja em um desafio técnico ou de gestão. Você pode falhar”, diz Vanessa.
“Mas precisa estar disposto a levar alguns tombos e, ainda assim, encarar de frente e dizer: ‘Talvez eu não tenha acertado da primeira vez, mas vou me levantar e tentar novamente.’”
Culturas avessas ao risco matam a inovação
É natural acreditar que adotar uma postura avessa ao risco mantém tudo no lugar e é a atitude mais responsável para um líder. No entanto, dentro das organizações, isso inibe o crescimento e ensina as pessoas a se protegerem, em vez de buscarem respostas melhores. “Você pode falhar. Mas precisa estar disposto a levar alguns tombos e, ainda assim, encarar isso de frente e dizer: ‘Talvez eu não tenha acertado da primeira vez, mas vou me levantar e tentar novamente.’”
Como grandes líderes encaram o fracasso
Como líder, você pode construir uma cultura que acolha o fracasso e o risco — também chamada de mentalidade de crescimento — começando por demonstrar isso você mesmo.
Vanessa desenvolveu sua resiliência ao longo da trajetória de liderança e nas operações da NASA ao analisar rigorosamente o que funcionou e o que não funcionou. Usou sua experiência como um manual de referência para melhorias, em vez de evitar deliberadamente qualquer situação arriscada.
Por exemplo, nas coletivas de imprensa após a missão Artemis II, o astronauta e comandante Reid Wiseman compartilhou que uma das lições aprendidas foi mudar a forma de armazenar as refeições dentro da cápsula Orion, já que acessá-las era inconveniente. Essa é uma das muitas lições de “fracasso” que ele pretende transmitir à tripulação e aos cientistas da próxima missão.

Se o risco tivesse sido evitado, as empresas na linha de frente da inovação e da exploração científica provavelmente não existiriam hoje. A inovação não surge de líderes e equipes que correm para esconder cada cicatriz. Ela nasce da capacidade de estudar essas cicatrizes, analisá-las e avançar com mais foco e precisão na próxima vez.
Abaixo, veja o desafio de liderança proposto pela diretora da NASA:
Se você quer que sua equipe assuma riscos inteligentes e libere sua criatividade, ela precisa ver você demonstrar isso e criar um ambiente que permita isso acontecer.
Admita o que não funcionou. Explique o que aprendeu (e o que ainda está aprendendo) em tempo real. Demonstre gratidão e reconhecimento pelas pessoas que tentaram. Incentive-as a fazer apostas calculadas, questionar suas próprias premissas e sair da zona de conforto sem medo. Depois, eleve o padrão.
Em uma cultura de crescimento séria, como a exigida em 2026, o fracasso se torna um dado valioso que permite formar líderes e equipes mais fortes.
*Rachel Wells é colaboradora da Forbes USA. Ela é fundadora e CEO da Rachel Wells Coaching, uma empresa dedicada a desbloquear o potencial de carreira e liderança para a GenZ e millenials.