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18,9 Milhões de Brasileiros Enfrentam Dívidas com Atraso Superior a 90 Dias, Aponta Banco Central

Nos últimos quatro anos, o acesso ao crédito no Brasil atingiu níveis recordes, com mais de 30 milhões de pessoas passando a utilizar esses produtos pela primeira vez. Apesar da expansão, a inadimplência também avançou. 

O número de brasileiros com dívidas classificadas como “ativos problemáticos”, com atraso superior a 90 dias ou risco iminente de calote, cresceu 47%, alcançando 18,9 milhões de pessoas, segundo relatório do Banco Central (BC).

A incidência de atrasos graves é mais elevada entre os jovens (19%), moradores da região Norte (19%) e a população de baixa renda inscrita no CadÚnico (18%). Há uma parcela de 15,8 milhões de brasileiros que estão no “endividamento de risco”. A métrica, utilizada pelo Banco Central, mede o grau de superendividamento da população.

Para integrar esse grupo, não basta apenas atrasar a fatura do cartão, é necessário cumprir simultaneamente ao menos dois de quatro critérios de pressão financeira: comprometimento de mais de 50% da renda com dívidas, inadimplência, exposição a múltiplas modalidades de crédito e renda disponível abaixo da linha da pobreza.

De acordo com a Serasa Experian, 73 milhões de brasileiros estavam negativados em dezembro de 2024, sendo os bancos e os cartões de crédito responsáveis pela maior fatia (27,4%) dessas restrições. Além disso, segundo a Confederação Nacional do Comércio (Peic/CNC), 77% das famílias fecharam o ano endividadas, e 15,4% delas já se declaravam “muito endividadas”.

O estudo aponta que com a facilidade da contratação digital e pela crescente dependência do cartão de crédito, o país vive um paradoxo. Isso porque ao mesmo tempo em que avança na inclusão financeira, também amplia a vulnerabilidade de uma parcela da população, cada vez mais próxima do superendividamento.

Atualmente, em torno de 130 milhões de brasileiros possuem alguma exposição ao crédito — equivalente a 74% da população com conta bancária no país. No mesmo período, porém, o uso de modalidades com incidência de juros avançou, com alta de 42% desde 2020.

Apertando a renda

Em média, o brasileiro compromete 24,7% da renda mensal com operações de crédito que cobram juros. As mulheres lideram esse nível de comprometimento, com 25,3%, e recorrem proporcionalmente mais a modalidades onerosas do que os homens. Apenas na fatura do cartão de crédito, o peso é de 7,1% da renda feminina, contra 5,6% da masculina. 

Segundo o relatório, essa diferença está ligada ao fato de que mulheres frequentemente chefiam lares monoparentais, acumulando tanto as responsabilidades financeiras quanto os cuidados familiares.

O ponto mais sensível da inadimplência, no entanto, está entre os jovens de 15 a 29 anos. A entrada cada vez mais precoce desse grupo no sistema financeiro — cuja idade média caiu de 35 para 20 anos — ampliou o acesso. Nos últimos oito anos, o número de jovens com acesso a crédito saltou de 13,7 milhões, em 2016, para 27,6 milhões, em 2024, um salto de 101%.

O avanço foi se deu principalmente pela população de menor renda. Em 2024, 70% dos jovens com acesso a crédito estavam na faixa de até dois salários mínimos.

Apesar da ampliação do acesso, os limites de crédito concedidos aos jovens permanecem inferiores aos de outras faixas etárias. Entre 2016 e 2024, o limite médio per capita cresceu 7% para jovens, enquanto avançou 29% entre adultos.

O estudo aponta que o sistema financeiro considera fatores além da renda na concessão de crédito para jovens. Entre as hipóteses estão a ausência de histórico financeiro e o maior risco de inadimplência desse grupo.

Inadimplência tem idade: é jovem

A inadimplência entre jovens supera a observada entre adultos e idosos em todas as faixas de renda. Entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, a taxa média de inadimplência nos últimos oito anos foi de 7,4%, ante 6,1% entre adultos e 4,9% entre idosos.

Na faixa de dois a cinco salários mínimos, o atraso no pagamento atingiu um pico em 2022, chegando a 6,9% entre jovens, contra 4,9% entre adultos e 4% entre idosos, antes de convergir para níveis entre 4% e 5% em 2024.

Mesmo entre os mais ricos, a diferença persiste. Os jovens com renda superior a cinco salários mínimos apresentaram inadimplência média de 3,3% nos últimos oito anos, ante a 2,1% entre adultos — em torno de 50% menor.

Para a pesquisa do Banco Central a explicação está no comportamento financeiro dessa faixa etária. “Jovens tendem a ter menor experiência e planejamento de longo prazo, além de apresentarem padrões mais arriscados de consumo e investimento”, explica o relatório.

Vilões do bolso

O cartão de crédito se consolida como o principal fator do endividamento — dos 96,6 milhões de usuários ativos, mais da metade (52,8 milhões) possui dívidas atreladas a juros, seja pelo uso do rotativo ou do parcelamento da fatura.

Em 2020, os gastos totais no cartão consumiam 38,5% da renda do brasileiro. Já em 2024, esse comprometimento subiu para 54%.

Outra modalidade é o crédito consignado, utilizado por  24 milhões de brasileiros, segundo o BC. Embora conte com taxas menores devido ao desconto direto na fonte, o longo prazo dessas dívidas — que se aproxima de 8 anos para servidores públicos — sufoca a renda no longo prazo. 

“4,4 milhões de pessoas têm mais de 40% dos seus vencimentos mensais retidos apenas para pagar o serviço dessas dívidas. Esse contingente cresceu 170% em quatro anos”, destaca o estudo.



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