A Hermès, cujas bolsas são vendidas por US$ 10.000 ou mais, anunciou nesta quinta-feira, 12, um crescimento de receita no quarto trimestre acima do esperado, impulsionado por fortes vendas nos Estados Unidos e no Japão. Graças aos seus clientes ultra ricos e à grande carteira de encomendas, o grupo resistiu à desaceleração do setor de luxo melhor do que a maioria dos seus concorrentes, aumentando consistentemente as receitas, enquanto as vendas de outros grupos de luxo, como a LVMH e Kering têm estado sob pressão.
“O grupo entra em 2026 com confiança”, disse o CEO Axel Dumas, acrescentando que os aumentos de preços deste ano ficarão em torno de 5 a 6%, abaixo da taxa de 6 a 7% em 2025, atribuindo o ritmo mais lento às flutuações cambiais.
Chiara Battistini, analista de ações de luxo do JP Morgan, afirmou que os aumentos de preços que a Hermès impõe a seus clientes de alto poder aquisitivo este ano serão cruciais para as perspectivas de crescimento da empresa. Muitos dos seus concorrentes travaram os aumentos de preços devido à queda nas vendas.
As vendas de produtos, incluindo bolsas Birkin e Kelly, lenços de seda e perfumes, cresceram 9,8% no quarto trimestre em termos ajustados à variação cambial, em comparação com a previsão de consenso dos analistas compilada pela Visible Alpha de crescimento de 8,4%.
As vendas na região das Américas, principalmente nos Estados Unidos, aumentaram 12,1%, superando as expectativas de cerca de 9%, enquanto as vendas na Ásia, excluindo o Japão – região impulsionada principalmente pela China – cresceram 8%.
Em uma teleconferência com analistas, Dumas afirmou estar observando sinais positivos na China, um importante mercado de luxo que desacelerou significativamente nos últimos anos devido ao impacto da crise imobiliária na economia do país.”Não vejo a situação se deteriorando”, disse ele. “Há medidas positivas, em particular a forma como eles [a China] estão lidando com a crise imobiliária.”
As receitas da divisão de artigos de couro da Hermès, que representam a maior parte de seus lucros, cresceram 14,6% organicamente. O lucro operacional anual foi de 6,57 bilhões de euros (US$ 7,79 bilhões), com uma margem de lucro de 41%, ligeiramente acima das estimativas de 40%. A empresa informou que pagará um dividendo de 18 euros por ação.
A Hermès aumentou suas vendas anuais totais em cerca de 38% nos últimos três anos, mesmo com a maior parte do setor de luxo estagnada. Suas ações subiram 36% no mesmo período. Com apenas 25 mil funcionários em todo o mundo, a marca, controlada pela família Hermès, tornou-se a segunda maior empresa da França em valor de mercado, atrás apenas da rival LVMH.
Queda na revenda
Uma análise da casa de análises Bernstein sobre os resultados de leilões de bolsas Hermès Birkin e Kelly mostra que o ágio na revenda dessas bolsas está no nível mais baixo desde 2017, segundo matéria do Washington Post. Esse impacto é sentido por conta do encolhimento do consumidor aspiracional em todo o mundo.
Os compradores agora pagam 50% acima dos preços de varejo por bolsas Birkin e Kelly de segunda mão. “Os atuais preços ágio na revenda parecem sugerir que as listas de espera diminuíram e que a oferta total de bolsas Hermès está agora mais próxima da demanda do que antes”, afirma Luca Solca, analista de luxo da Bernstein.
A queda nos valores de revenda pode ser um problema para a marca, que depende da prática de combinação de produtos. Compradores geralmente precisam gastar milhares de dólares em outros produtos da Hermès, como roupas e móveis, para se qualificarem para uma Birkin, de acordo com colecionadores.
As vendas das categorias de produtos da Hermès que não sejam bolsas estão em declínio. Aliado à queda nos valores de revenda, sugere que a concorrência para comprar uma Birkin se tornou menos acirrada.
Apesar do modelo de negócios baseado na escassez oferecer proteção (as listas de espera aumentam durante os períodos de crescimento econômico e diminuem em épocas de recessão, suavizando as vendas), a grande reserva de demanda reprimida é parte do que tornou a marca um ótimo investimento a longo prazo.