Seja Bem Vindo - 11/04/2026 06:47

  • Home
  • Política
  • Mercado de Carregadores para Carros Elétricos Já Movimenta R$ 1 Bilhão no Brasil

Mercado de Carregadores para Carros Elétricos Já Movimenta R$ 1 Bilhão no Brasil

O mercado brasileiro de recarga para carros elétricos já movimenta entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões por ano, e tem fôlego para ultrapassar R$ 3 bilhões anuais em pouco tempo. Os cálculos são da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), com dados consolidados com exclusividade para a Forbes Brasil.

No centro dessa virada está a Lei 18.403, sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e publicada em 19 de fevereiro no Diário Oficial de São Paulo. A norma garante a moradores de condomínios residenciais e comerciais o direito de instalar estações de recarga individuais em vagas privativas de garagem, desde que respeitadas as regras técnicas e de segurança. Antes, diversos síndicos proibiam a instalação. Há a expectativa de que outros estados sigam os mesmos passos de São Paulo.

Segundo Davi Bertoncello, diretor da ABVE e executivo da Tupi, plataforma de mobilidade elétrica, a legislação muda o mercado de patamar. “A tendência é de aceleração relevante da recarga em condomínios, principalmente residencial. A nova lei de São Paulo destrava uma demanda reprimida que já existia. Nossa estimativa é que o volume de instalações de carregadores rápidos em prédios possa crescer entre 40% e 60% ao ano nos próximos dois anos, puxado pelos grandes centros urbanos.”

Um mercado bilionário em formação

Hoje não há um balanço oficial do tamanho exato do setor. As projeções da ABVE combinam venda de equipamentos, custo médio de instalação e investimentos anunciados pelos principais players.

Com a frota eletrificada em expansão — o setor encerrou 2025 com recorde de 224 mil unidades vendidas — e a nova regulamentação paulista, a projeção é de salto rápido. “Com o crescimento acelerado da frota eletrificada, nossa projeção é que esse mercado possa ultrapassar os R$ 3 bilhões anuais em três anos”, diz o executivo.

O efeito Noruega: quando a tomada vai para a garagem

Os números projetados têm como espelho um país que está na frente em termos de mobilidade elétrica: a Noruega. Por lá, uma lei semelhante — garantindo o direito de instalar carregadores em condomínios — foi aprovada em 2017, em resposta a uma preocupação recorrente da população: a autonomia dos carros elétricos e a disponibilidade de recarga fora da rua.

Os resultados mostram a força desse tipo de mudança regulatória. Em 2024, 90% dos novos carros vendidos no país já eram 100% elétricos. Somente em setembro do ano passado, o índice chegou a 98,3% de carros novos totalmente elétricos, sem incluir híbridos plug-in. Em 2015, apenas 13% das residências tinham carregador; em 2023, esse número subiu para 89%.

21 mil pontos de recarga

A atualização da base nacional de pontos de recarga de veículos elétricos, compilada por ABVE e Tupi, mostra que o Brasil entrou em uma fase de escala. Em fevereiro de 2026, o país já contava com 21.060 pontos públicos e semipúblicos de carregamento. Em agosto de 2025, eram 16.880 — um avanço de 24,7% em poucos meses. Na comparação com fevereiro de 2025 (14.827), o crescimento chega a 42%.

A frota de veículos plug-in (100% elétricos e híbridos) somava 394.773 unidades entre 2022 e janeiro de 2026, o que representa 18,7 veículos plug-in por eletroposto. Desse total, 45% (177.816 veículos) são 100% elétricos (BEV), e 55% (216.957 veículos) são híbridos plug-in (PHEV), com dependência parcial da infraestrutura, já que também rodam a combustão.

Na análise por tipo de carregador, o mapa brasileiro mostra um redesenho em curso. Dos 21.060 eletropostos, 70% (14.852) oferecem recarga lenta (AC); os outros 30% (6.479) são carregadores rápidos (DC). Mas o ritmo de expansão é bem diferente entre eles. Os DC cresceram 166%, comparando fevereiro de 2025 e 2026. Já os lentos, que geralmente são instalados em residências, avançaram 17%.

“O crescimento de 166% da carga rápida nos últimos 12 meses mostra que o Brasil não está mais testando a mobilidade elétrica, estamos construindo uma nova infraestrutura energética. O setor entra em uma fase de escala, com redes nacionais interoperáveis, integração com software e novos modelos de negócio”, afirma Bertoncello.

A infraestrutura de recarga já alcança 1.649 municípios brasileiros, alta de 20,9% frente a fevereiro de 2025 (1.363). Em relação ao levantamento de agosto de 2025 (1.499), o avanço é de 10%.

Quanto custa carregar em casa?

Se a infraestrutura pública avança, a nova fronteira está dentro dos condomínios. E aí entra a matemática do investimento privado. O custo médio de instalação residencial de um ponto de recarga fica, em média, entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, incluindo equipamento e mão de obra. Em condomínios com preparação elétrica ou projetos coletivos, esse custo tende a ser até 50% menor.

Com a nova lei paulista, a curva de crescimento do mercado de recarga no Brasil tende a mudar de inclinação. A infraestrutura pública começa a se combinar com a tomada na garagem, e o que era tema de “early adopters” entra, pouco a pouco, na pauta do consumidor médio, do síndico e do incorporador.

Para quem olha os números de perto, a mensagem é clara: o país não está apenas testando o carro elétrico — está construindo uma nova camada de infraestrutura energética.



Clique aqui para ver a Fonte do Texto

VEJA MAIS

20 Universidades dos EUA Que se Destacam na Era da IA

Em janeiro, a Amazon anunciou o corte de 16 mil vagas corporativas, apenas alguns meses…

Para que serviu a matança

A matança de 121 pessoas no Complexo do Alemão, no Rio, em outubro do ano…

Economizar no Básico para Investir no Visual e no Bem-Estar

Uma nova pesquisa com consumidores mostra que a maioria dos jovens entre 15 e 30…