Os consumidores da era digital esperam, cada vez mais, interações relevantes e personalizadas com as marcas que acompanham. Ao mesmo tempo, equipes de marketing e criação sofrem com demandas crescentes por conteúdo, além de dificuldades para mapear o comportamento do consumidor e gerar engajamento consistente. O trabalho exige lidar com múltiplas variáveis, como investimentos em marketing, estoques, margem de lucro, sazonalidade, funil de vendas e audiência, o que exige a manutenção de uma base enorme de dados.
Segundo dados levantados pela Adobe, muitas empresas, atualmente, desejam integrar IA generativa em seus processos, porém apenas 1% delas se considera madura o suficiente para isso. Na prática, grande parte das companhias faz uso da tecnologia na produção massiva de conteúdo, sem aproveitá-la para outras áreas estratégicas. Dessa forma, o potencial corporativo da IA não é completamente explorado, e empresas acabam investindo tempo e dinheiro em otimizações que não vão trazer o retorno esperado, segundo a empresa, 95% delas ainda não conseguem obter retorno de investimentos com a tecnologia.
Como forma de solucionar essa complexidade, a Adobe passou a integrar inteligência artificial em suas ferramentas, com o objetivo de ampliar a capacidade das equipes e gerar impacto real com mais velocidade e precisão. Mari Pinudo, Country Manager da Adobe no Brasil, traz detalhes sobre a atuação da companhia no país que hoje ocupa o centro da estratégia global da marca.
Desejo x Maturidade
“A conversa começa pelo consumidor, porque independente de ser B2B ou B2B2C, o objetivo é chegar ao cliente. Então a IA não é uma estratégia que é conversada em departamentos, mas sim uma estratégia corporativa. Precisamos entender com o presidente, com os vice-presidentes para onde a empresa está indo. E aí depois nós levamos essa estratégia para outras áreas. Se uma conversa começa em uma área específica, definitivamente ele não vai resolver um problema que você tem hoje”.
Escalabilidade
“A população brasileira é altamente conectada e as empresas querem capturar essa informação e devolver em forma de oferta de produtos mais personalizada. Tudo o que fazemos envolve criatividade, dados e inteligência. Como é que você consegue fazer com que o conteúdo chegue nas mãos e nas pessoas que precisam, ou como identifica quem são essas pessoas? Só é possível fazer isso atingindo um conjunto maior de pessoas se tiver a IA como habilitadora, e hoje eu eu falo coms segurança que a IA faz parte de qualquer projeto estratégico das empresas, no Brasil e no mundo”.
Foco em Segurança
“Tem muitas empresas falando que fazem as mesmas coisas, então a forma de caracterizar o que é importante em meio ao barulho é a segurança. A segurança de informação tem que ser a prioridade máxima, e não estou falando só de quem coloca a informação, mas também das regras do negócio, do que a empresa coloca como propriedade intelectual dela. Esse é um dos principais pilares da Adobe. Nós recomendamos que nossas empresas e nossos clientes, seja B2C o B2B, esteham atentos à isso”.
Ferramentas de IA
“Quando nós falamos de automação de conteúdo, falando com o público personalizado no menor intervalo de tempo possível, o Firefly assume o centro da conversa. Mas não é só o Firefly, temos o GenStudio, Creative Cloud e várias outras soluções que compõem o pacote de IA. Agora, estamos falando muito de orquestração de agentes, seja por meio de plataforma ou de desenvolvimento interno. Para isso é preciso ter alguma tecnologia para governar esses agentesç o Firefly é uma parte super importante disso”.
Direitos Autorais e Treinamento dos Modelos
“A conversa sobre propriedade intelectual e respeito à criação do outro faz parte da nossa rotina desde o momento zero. O Adobe Stock, que roda a maior base de imagens do mundo, é uma plataforma licenciável, então todo nosso conteúdo de AI bebe dessa fonte e quem cria esse conteúdo é remunerado por isso. Existe inclusive o selo Content Authenticity Initiative, que é uma ONG Global da Adobe que conta com mais de três mil marcas; é como se fosse uma marca d’água no conteúdo, garantindo que ele tem sua propriedade intelectual respeitada. É nosso papel ensinar o mercado a consumir a IA com mais governança e com mais inteligência”.
Otimização do Trabalho x Massificação de Conteúdo
“A criatividade é o que vai contrapor essa padronização, então só vai ser um problema se você não envolver o público criativo. O conteúdo precisa falar conosco da forma mais pessoal possível. A Adobe está construindo esse futuro de IA indo na direção oposta de uma padronização massiva de informação. Eu não estou motivando que a mesma informação chegue para milhões de pessoas, mas que o consumidor decida o que chega até ele. Aí sim nós vamos colocar as marcas em outro patamar de mercado”.
Pulverização da Concorrência
“O foco da Adobe é o mercado enterprise em uma escala muito grande. E para essa robustez de escala, é necessário uma plataforma robusta, que garanta muita segurança e escalabilidade. Nós aprendemos com a concorrência, mas existe um espaço, quando olho para a esteira de dados, jornada e criatividade, que só a Adobe ocupa. Atualmente, não tem outra empresa no mercado que consegue olhar essa cadeia como um todo da forma que a Adobe faz”.
Um novo mercado
“Estamos vivendo um momento de mudar a vida das pessoas para melhor, tornando o trabalho criativo mais interessante. Estamos trazendo mais inteligência para quem cuida desses processos: os profissionais fazem o mesmo fluxo de trabalho que faziam em dez dias em dois, então vai sobrar tempo para pensar de forma mais inteligente em outras criações”.
A expectativa da companhia é que, até 2029, 55% das empresas da lista Fortune 500 adotem agentes de inteligência artificial para construir experiências digitais.