Jay-Z, cujo patrimônio é estimado pela Forbes em US$ 2,8 bilhões (R$ 14,84 bilhões), disse à GQ que a “moralidade não é definida por um valor em dólares”, questionando: “Se fosse, qual seria esse valor? Quando isso começa? Se existe um corte do tipo ‘todos os milionários são maus’, com US$ 999 mil eu sou bom? Não pode ser assim.”
O rapper sugeriu que pessoas com mais dinheiro podem fazer mais coisas boas, dizendo que já “fez coisas com seu alcance que queria fazer e que foram úteis para muitas pessoas.”
Ao ser questionado sobre a “percepção pública de que todos os bilionários são maus”, Jay-Z afirmou que “as pessoas se comportam da maneira que querem se comportar — não tem a ver com um valor em dólares” e criticou esse argumento como uma “desculpa esfarrapada”.
Jay-Z disse que críticos dos bilionários “demonizam esse grupo de pessoas sem consertar o sistema que de fato existe”, acrescentando: “[O dinheiro] pode intensificar isso ou pode fazer você agir de determinada maneira. Mas você já iria agir assim de qualquer forma.”
Avaliação da Forbes
A Forbes estima que grande parte do patrimônio de US$ 2,8 bilhões (R$ 14,84 bilhões) de Jay-Z vem de seus negócios com bebidas alcoólicas. Ele vendeu 50% da marca de destilados Armand de Brignac para a LVMH em 2021 e vendeu uma participação majoritária da D’Usse para a Bacardi em 2023. Jay-Z também é cofundador e presidente da empresa de entretenimento e gravadora Roc Nation, e seus outros ativos incluem seu catálogo musical, uma coleção de belas-artes e participações na Uber e na empresa de streaming Tidal. Jay-Z é casado com Beyoncé, a quem a Forbes classificou como bilionária em dezembro, com patrimônio estimado em US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões).
Jay-Z, que raramente concede entrevistas, falou sobre um processo por agressão sexual que o acusava, junto com Sean “Diddy” Combs, de estuprar uma garota de 13 anos em 2000. A ação foi apresentada em outubro de 2024, mas refeita dois meses depois para incluir Jay-Z como réu, embora tenha sido retirada em fevereiro de 2025 após uma reportagem da NBC News colocar em dúvida o relato da autora.
Entrevista exclusiva
Jay-Z disse à GQ que o processo “tirou muito dele” e o fez sentir uma “raiva incontrolável”. O rapper afirmou que se recusou a fazer um acordo, reconhecendo que teria sido “mais barato” e “mais rápido”, mas disse: “Não posso aceitar um acordo — isso não está no meu DNA.”
Ele também comentou a rivalidade entre Drake e Kendrick Lamar, que ocorreu principalmente em 2024 e culminou na apresentação de Kendrick Lamar no show do intervalo do Super Bowl, organizado pela Roc Nation de Jay-Z.
O músico criticou a reação nas redes sociais ao conflito, dizendo que foi “longe demais”. “Estão envolvendo os filhos das pessoas nisso. Eu não gosto disso”, disse, afirmando que parecia “uma tentativa de destruir a vida das pessoas”. Segundo ele, sua empresa escolheu Kendrick Lamar para liderar o show do Super Bowl porque ele teve “um ano monstruoso”, e não para fazer uma declaração sobre a rivalidade no rap. “Eles arrastam todo mundo para isso, como se todos fizessem parte de uma conspiração para prejudicar o Drake, eu acho. Mas é tipo, que p— é essa? Eu sou o p— do Jay-Z!”, disse.
Jay-Z também defendeu a escolha de Bad Bunny para o show do intervalo de 2026, diante de críticas de setores da direita que questionaram a escolha de um artista de língua espanhola. “Era o artista mais ouvido do mundo”, afirmou, acrescentando que “teve a oportunidade de criar uma ideia mais equilibrada do que é a música popular hoje”.
O artista e empresário falou com a GQ enquanto se prepara para voltar aos palcos. Ele anunciou dois shows no Yankee Stadium, programados para julho, para celebrar os 30 anos de seu álbum de estreia, Reasonable Doubt, e os 25 anos de The Blueprint. Um terceiro show no Yankee Stadium foi anunciado após os dois primeiros esgotarem.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com