Existe um detalhe em comum entre as mulheres que hoje ditam tendências e comportamentos: muito antes das passarelas, das campanhas globais e das semanas de moda, o primeiro laboratório de imagem delas aconteceu com a mãe. Seja pela audácia ao quebrar as regras de um uniforme escolar usando um tênis de cada cor, pela criatividade de brincar com lenços de seda improvisados ou pela absorção de uma elegância discreta no dia a dia, o contato inicial com o estilo se deu dentro de casa, sob a lente materna.
Entre acessórios emprestados e a liberdade para experimentar, as mães costumam ocupar um papel importante na construção da relação com a estética. A referência afetiva acaba moldando não apenas o closet, mas a maneira como cada mulher estabelece a sua própria identidade ao longo da vida adulta.
No embalo deste Dia das Mães, nomes de destaque da moda e dos negócios – como Sabrina Sato, Maria Braz, Isabelle Drummond, Elisa Zarzur e Catarina Tourinho – abrem seus baús de memória para compartilhar as referências visuais e comportamentais que herdaram.
A seguir, elas contam como suas mães foram o maior ícone fashion e de estilo que tiveram:
Sabrina Sato
“Eu acho que a maior dica de estilo que eu aprendi com a minha mãe é ser autêntica, sabe? É não ter medo, ter coragem de usar o que a gente tem vontade. Minha mãe nunca foi de impor regras. Muito pelo contrário, ela sempre me incentivou a quebrar essas regras. Então isso me deu uma liberdade muito grande, de me sentir segura em ser quem eu sou.
Eu adorava chamar atenção na escola (risos). Eu ia com um tênis de cada, trocava o cadarço, colocava alguma coisa colorida, fluorescente no uniforme… e era colégio de freira, tá? As freiras reclamavam pra minha mãe direto. E minha mãe ali, tentando segurar a minha onda (risos), mas sem cortar, sem podar. Ela nunca foi essa mãe que trava a filha. Sempre foi uma grande incentivadora das minhas ‘loucuras’ desde pequena. Por isso que eu tô assim hoje (risos). Obrigada, Dona Kika… e desculpa também!”
Malu Borges

“Minha mãe sempre foi uma grande referência para mim, não só em estilo, mas na vida. Acho que a gente tem muito isso, né? Hoje eu escuto da Bebel: ‘Eu quero ser igual a você’, e percebo como enxergamos a mãe nesse lugar. Com o tempo, fui entendendo que meu amor por moda e por esse universo veio muito dela, de forma natural, quase sem perceber. Eu fui absorvendo aos poucos, vendo minha mãe se vestir do jeito que queria, ocupando os espaços com segurança, mesmo quando achavam que ela estava “arrumada demais” para certos lugares.
E acho que o maior ensinamento que herdei dela foi a liberdade, algo que eu prezo muito. Essa liberdade de entender que o mais importante é se sentir bem consigo mesma, porque, quando você conquista isso, a opinião dos outros perde força. Eu sempre vi minha mãe vivendo dessa forma, e isso foi me formando desde muito nova. No fim, acredito que essa segurança transborda, faz as pessoas se enxergarem de outro jeito e cria uma bola de neve positiva e muito bonita. Então, sem dúvida, o que eu mais herdei da minha mãe foi essa liberdade no vestir.”
Elisa Zarzur

“Crescer observando minha mãe e minha avó foi entender que a moda pode ter camadas. Entre elas, convivem o clássico mais marcante e um olhar contemporâneo, despretensioso e por vezes engraçado. São formas de se vestir que se complementam e essa tensão é o que mais me interessa no estilo e, provavelmente, o que mais aparece nas minhas escolhas.”
Maria Braz

“Minha mãe sempre incentivou que cada uma de nós encontrasse o próprio estilo, sem imposições. Ver ela como uma mulher independente e segura teve um impacto direto na forma como me visto hoje. Foi dessa convivência que veio a liberdade de usar o que faz sentido para mim, com confiança.”
Ana Isabel de Carvalho Pinto
“Minha mãe sempre foi muito ligada a acessórios, ela adorava lenços de seda, cintos, bijoux… e minhas primeiras lembranças de moda vêm justamente disso. Eu passava horas criando roupas improvisadas com os lenços dela, amarrando, sobrepondo, inventando novas formas de usar. Depois comecei a montar looks usando seus cintos e acessórios, e levo essa referência, do básico complementando com toques de peso, até hoje.”
Isabelle Drummond

“Minha mãe sempre foi uma referência muito silenciosa pra mim. Não era sobre seguir tendência, era mais sobre cuidado, delicadeza, sobre como ela se colocava no mundo. Eu acho que isso me influenciou de um jeito muito sutil, quase sem perceber. Com o tempo, fui entendendo melhor o meu próprio estilo, mas essa sensibilidade, esse olhar mais intuitivo, eu carrego dela até hoje.”
Catarina Tourinho

“Minha mãe sempre foi minha primeira referência, mas muito mais pelo jeito do que pelas roupas em si. Eu cresci observando essa naturalidade dela, uma elegância que não era forçada, sabe? Acho que isso me influenciou muito a construir um estilo mais próprio, sem seguir tudo ao pé da letra. Com o tempo, fui mudando, trazendo novas referências, mas essa base de se sentir bem com o que se veste e não o contrário, veio totalmente dela.”
Esther Marques

“Minha mãe sempre foi uma grande referência pra mim, mas de um jeito que foi mudando muito ao longo do tempo. Eu acompanhei de perto as fases dela, as transformações, e isso me ensinou muito sobre como o estilo também evolui com a vida. Acho bonito entender que a gente não precisa ser sempre a mesma e que a forma como a gente se veste pode acompanhar esses momentos. Essa liberdade de se reinventar, eu aprendi com ela.”
Ju Ferraz

“Minha mãe sempre teve um olhar muito apurado, mas o que mais me marcou foi a liberdade que ela me deu para experimentar. Ela nunca me limitou, pelo contrário, incentivava essa curiosidade. Acho que isso moldou muito quem eu sou hoje, esse gosto por testar, misturar e não ter medo de mudar. Com o tempo, fui construindo meu próprio estilo, mas essa base mais leve e aberta veio totalmente dela.”
Karla Felmanas, vice-presidente da Cimed

“Minha maior inspiração sempre foi a minha mãe, principalmente na forma de se posicionar no mundo. Ela foi uma mulher forte, segura de quem é e isso moldou muito do que me tornei hoje. Cresci aprendendo com ela que autenticidade não é tendência, é saber quem você é e ter como seu maior estilo pessoal sua verdade. Que estilo de verdade não é seguir regras, é vestir e ser aquilo que somos e acreditamos. Nossas escolhas funcionam como uma extensão da nossa personalidade, não dá pra seguir tendencias só porque está na moda, precisa expressar quem somos!”
Liana Thomaz, fundadora da Água de Coco
“Cresci tendo na minha mãe essa referência muito natural e verdadeira de como se expressar, e isso moldou profundamente o meu olhar para o estilo. Hoje, como mãe, esse repertório ganha um novo significado. Construir a Água de Coco ao lado dos meus três filhos faz com que a moda vá além da estética, ela está nas nossas trocas, aprendizados e na forma como crescemos juntos como família.”