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Produção Industrial no Brasil Sobe Mais Que o Esperado em Fevereiro

A indústria brasileira aumentou mais do que o esperado em fevereiro, no segundo mês seguido de alta, recuperando as perdas dos últimos meses de 2025 mesmo diante da política monetária ainda restritiva.

A produção industrial avançou 0,9% em fevereiro na comparação com janeiro, e teve queda de 0,7% contra o mesmo período do ano anterior, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (02).

Os resultados foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters de ganho de 0,7% na comparação mensal e de queda de 1,0% na anual.

Em janeiro, a produção teve alta de 2,1% em dado revisado ante o 1,8% informado originalmente pelo IBGE, acumulando nos dois primeiros meses do ano expansão de 3,0%.

“O comportamento positivo vem pelo segundo mês seguido … recuperando perdas acumulada de setembro a dezembro de 2025, de 2,3%”, disse André Macedo, gerente do IBGE. “Com dois meses de alta, vemos uma melhora do patamar industrial, que é o melhor desde o começo de 2020.”

Apesar da recuperação, a produção industrial ainda está 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, segundo o IBGE.

“Janeiro foi marcado pela volta à produção após paradas, paralisações e férias no fim do ano. Mas agora em fevereiro o que se vê é uma clara recomposição de estoques. Os estoques estavam abaixo do planejado e há uma recomposição de estoques baixos”, afirmou Macedo.

O setor vem enfrentando há tempos um cenário difícil, principalmente com o nível elevado da taxa básica de juros, que restringe o crédito, e analistas não preveem uma grande retomada. No mês passado, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas pregou cautela diante da guerra no Oriente Médio.

“O ambiente ainda segue desafiador para a indústria, em meio a taxas de juros elevadas, condições de crédito restritivas e perda de fôlego da atividade econômica”, disse o economista da Suno Research Rafael Perez. “Ainda assim, a recente redução dos custos de produção e as medidas de estímulo ao consumo têm oferecido um impulso adicional ao setor, embora esse efeito deva perder força ao longo do ano.”

Entre as atividades, as principais influências positivas em fevereiro vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,5%).

Entre as grandes categorias econômicas, o destaque foi bens de capital, com alta de 2,3%. A produção de bens intermediários subiu 1,1%, enquanto a de bens de consumo duráveis avançou 0,9% e de bens de consumo semi e não duráveis teve alta de 0,7%.



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