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Como brasileiros nos EUA usaram mentira e terror para enriquecer

Autoridades dos Estados Unidos afirmam que um grupo de brasileiros construiu uma fortuna explorando o medo e a vulnerabilidade de imigrantes que buscavam regularizar a situação no país.

Durante coletiva divulgada nessa quarta-feira (22/4), o xerife do Condado de Orange, John Mina, descreveu o funcionamento do esquema. Segundo ele, os investigados enriqueceram com base em um modelo sustentado por “manipulação, fraude, mentiras e extorsão”.

Os principais alvos da investigação são Vagner Soares de Almeida, apontado como líder da operação, a esposa dele, Juliana Colucci, além de Ronaldo Decampos e Lucas Felipe Trindade Silva. Todos foram presos e respondem por crimes como associação criminosa, fraude organizada, extorsão e exercício ilegal da advocacia.

De acordo com as investigações, o grupo operava por meio de uma empresa que se apresentava como uma agência completa de serviços de imigração, prometendo suporte em processos de visto e pedidos de asilo. Na prática, porém, o negócio funcionava como um ciclo de exploração.

Segundo John Mina, os suspeitos “ficaram ricos enquanto a maioria dos clientes não chegou nem perto de realizar o sonho de se tornar americano”. A maior parte das vítimas era composta por brasileiros.

Como funcionava o esquema

A estrutura começava com a captação de imigrantes em situação irregular, atraídos por promessas de legalização rápida. Após conquistar a confiança das vítimas, o grupo assumia o controle da comunicação dos processos, criando contas de e-mail em nome dos próprios clientes e retendo documentos importantes.

A partir daí, os investigados passavam a impor cobranças sucessivas, muitas vezes sob ameaça. Em alguns casos, segundo a polícia, o medo de deportação era usado como instrumento de pressão para obrigar os imigrantes a pagar valores adicionais.

Esse ciclo permitia que o grupo mantivesse as vítimas sob controle, sem acesso real às informações sobre seus próprios processos.

Milhões e vítimas

As autoridades estimam que o esquema movimentou mais de US$ 20 milhões. Até agora, ao menos sete vítimas formalizaram denúncias, com prejuízos individuais que variam entre US$ 2,5 mil e US$ 26 mil. No entanto, a polícia acredita que o número real de pessoas afetadas pode chegar a centenas.

Para os investigadores, trata-se possivelmente de uma das maiores fraudes imigratórias já registradas no país.

A operação que levou à prisão dos suspeitos contou com a atuação conjunta do gabinete do xerife, da agência de Investigações de Segurança Interna (HSI) e da Procuradoria-Geral da Flórida.



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