A decisão de juros do Federal Reserve nesta quarta-feira (29) já não é mais o centro das atenções. Segundo a ferramenta FedWatch, da CME Group, o mercado atribui 100% de probabilidade à manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75%, eliminando praticamente qualquer dúvida sobre o resultado da reunião.
Em vez de discutir o que o Fed vai fazer agora, investidores tentam entender como o banco central vai descrever o que vem pela frente em um momento que coincide com a reta final da gestão de Jerome Powell.
O cenário ficou mais complexo desde a última reunião. O petróleo voltou a subir e se mantém acima de US$ 100 por barril, em meio às tensões no Oriente Médio e aos impactos no Estreito de Ormuz. Os efeitos disso nos custos de energia e de logística tocam no foco do comitê de política monetária dos EUA (FOMC), que é o controle da inflação.
“Mais do que a decisão, o Fed precisa esclarecer se esse choque tem caráter temporário ou se pode prolongar o período de juros elevados”, afirma Cristiano Luersen, sócio da Wiser Investimentos.
A inflação ao consumidor nos EUA avançou em março, com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subindo 0,9% no mês, elevando a taxa anual para 3,3%. Este aumento, o maior desde abril de 2024, foi predominantemente causado pelo setor de energia. A meta de inflação nos EUA é de 2%. Ao mesmo tempo, a economia americana continua resiliente, sustentada por um mercado de trabalho firme e resultados corporativos sólidos.
Esse conjunto reduz o espaço para cortes no curto prazo e reforça a ideia de juros altos por mais tempo, uma mensagem que pode ganhar mais peso na comunicação desta quarta-feira. “O que importa é como Powell vai se posicionar”, diz Robson Casagrande, sócio da GT Capital. Segundo ele, qualquer sinalização mais dura sobre inflação pode provocar ajustes nos preços dos ativos globais.
Com a decisão já precificada, o mercado deve reagir ao tom do Fed , especialmente à leitura sobre o impacto do petróleo, à sinalização (ou não) de cortes e ao grau de consenso entre os membros. Esse quadro ganha peso na reta final da gestão de Jerome Powell, cujo mandato vai até 15 de maio, em meio à expectativa de sucessão por Kevin Warsh.
O indicado de Trump para a presidência do Federal Reserve, financista de 56 anos, é sócio no family office do bilionário gestor de hedge funds Stanley Druckenmiller e pode se tornar o presidente do Fed mais rico da história.