O dólar registrou alta de 0,40% frente ao real, cotado a R$ 5,00, nesta quarta-feira (29/4). A elevação interrompe uma série de duas quedas seguidas, nas quais a moeda brasileira vinha resistindo aos solavancos da guerra.
Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa Brasileira (B3), fechou em forte queda de 2,05%, aos 184.746,96 pontos. Esse foi o sexto recuo seguido do indicador.
A guerra no Oriente Médio segue como o principal vetor dos mercados de câmbio e ações. Nos últimos dias, prevalece um quadro de impasse, com o retrocesso das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Nesta quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, rejeitou a mais recente proposta de acordo feita pelo Irã. O republicano acrescentou que manterá o bloqueio naval a portos iranianos no Estreito de Ormuz. Isso até que seja firmado um pacto que atenda às preocupações de Washington com o programa nuclear de Teerã.
Alta do petróleo
Nesse cenário, os preços internacionais do petróleo mantiveram a tendência alta, ampliando as expectativas de inflação e de queda do crescimento global. As cotações atingiram o maior valor desde 31 de março, pouco depois do início da guerra, em 28 de fevereiro.
O barril para junho do tipo Brent, a referência mundial da commodity, subiu 6,08%, a US$ 118,03. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza o mercado americano), também para junho, aumentou 6,95%, a US$ 106,88 por barril.
Valorização global
O dólar também se valorizou no mercado global. Às 16h10, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), subia 0,35%, aos 98,99 pontos.
Nesta quarta-feira, o mercado também repercutiu a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que manteve a taxa de juros do país no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Saída de Powell
A decisão era amplamente esperada pelos agentes econômicos. Foi marcada, contudo, pelo maior dissenso desde 1992. A medida recebeu oito votos a favor e quatro contra.
A reunião do Fomc pode ter sido a última comandada pelo presidente do Fed, Jerome Powell, cujo mandato à frente da instituição termina em 15 de maio. Ele será substituído por Kevin Warsh, indicado para o cargo por Trump. Em entrevista depois da decisão sobre os juros, Powell afirmou que pretende permanecer no BC americano como membro do conselho de governadores, o principal órgão administrativo do Fed.
Trabalho no Brasil
No ambiente interno, foram divulgados os dados sobre o mercado de trabalho, que segue forte. No país, foram criados 228.208 postos de trabalho em março, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Esse foi o melhor mês de março do indicador desde 2024, quando o número de novas vagas ficou em 245,5 mil. O resultado do mês passado também superou as estimativas do mercado, com teto de 220 mil e mediana de 155,8 mil postos de trabalho.
Ibovespa
No Ibovespa, a baixa das ações da Vale teve forte peso no desempenho negativo do índice. Os papéis da mineradora caíram 5,5%, depois da divulgação do balanço.
As demonstrações financeiras do primeiro trimestre mostraram um lucro líquido de US$ 1,9 bilhão, uma alta de 39% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os analistas, contudo, apontaram um aumento expressivo dos custos operacionais da empresa.
As ações dos grandes bancos, que também têm forte influência no Ibovespa, caíram em peso. Às 16h40, os papéis do Itaú recuavam 2,55% e os do Bradesco, 2,07%.