A poucos passos da imponente Catedral de Colônia, símbolo gótico que domina a paisagem da cidade alemã, a flagship da Rimowa recebeu um dos nomes mais emblemáticos da Fórmula 1 para uma conversa que foi muito além das pistas.
Embaixador da marca, Lewis Hamilton desembarcou na cidade alemã — berço histórico da Rimowa — para acompanhar ações especiais da maison e recebeu uma case personalizada criada especialmente para transportar seus discos de vinil ao redor do mundo. Apaixonado por música, Hamilton contou que sempre viaja com caixas de som e que o som faz parte da sua rotina dentro e fora das corridas.
“Eu amo o Brasil”, afirmou o piloto ao falar sobre as iniciativas sociais que promove no país por meio da Mission 44, fundação criada por ele para ampliar o acesso de jovens de diferentes origens à educação e às carreiras em STEM.
A coletiva teve um tom intimista e revelou um Hamilton muito mais reflexivo do que acelerado. Entre histórias sobre infância, carreira e viagens, o piloto falou sobre como tenta preservar pequenos rituais pessoais em meio a uma rotina intensa, que inclui cerca de 140 voos por ano e passagens por mais de 25 países em uma única temporada.
“Eu sempre levo coisas que me fazem sentir em casa”, contou. Entre os itens indispensáveis estão um travesseiro próprio, uma manta específica para os voos, velas aromáticas, fotografias pessoais e música. “Estou sempre em hotéis, então preciso criar uma sensação de lar onde estiver.”
Hamilton também revelou um lado quase obsessivo com conforto e energia dos ambientes. Disse que evita dormir no centro das camas de hotel e brincou sobre pensar em quem esteve ali antes dele. “Sou um overthinker”, admitiu, entre risos.
Ao longo da conversa, o piloto refletiu sobre como as viagens transformaram sua visão de mundo. “Viajar expande sua perspectiva sobre a vida”, afirmou. “Você aprende sobre culturas, conhece pessoas diferentes e entende que existe muito além da bolha onde cresceu.”
Entre seus lugares favoritos está o Quênia, país que descreveu como um dos destinos onde mais se sentiu conectado consigo mesmo, especialmente após mergulhar em pesquisas sobre ancestralidade e história familiar. Hamilton contou que iniciou essa jornada depois de realizar testes de DNA para compreender melhor suas origens.
Mesmo após mais de três décadas no automobilismo, o heptacampeão afirmou que continua apaixonado pela Fórmula 1 da mesma forma que quando começou a correr, aos oito anos. “O esporte está sempre evoluindo. Os carros mudam o tempo todo, e isso mantém tudo emocionante.”
Mas foi ao falar sobre propósito que Hamilton trouxe o tom mais profundo do encontro. Ele contou que apenas nos últimos anos percebeu que sua trajetória poderia ir além das pistas. A criação da Mission 44 surgiu após notar a ausência de diversidade dentro das equipes de engenharia da Fórmula 1.
“Eu era sempre a única pessoa negra na sala”, relembrou. “Então comecei a perguntar o porquê.”
Hoje, a fundação já apoia dezenas de organizações no Reino Unido, Estados Unidos e Brasil. Durante o GP de São Paulo, por exemplo, Hamilton leva centenas de jovens ao paddock para conhecer engenheiros e profissionais da categoria. “Às vezes, uma criança só precisa enxergar que aquilo também pode ser possível para ela.”
Apesar da agenda intensa, o piloto disse que ainda encontra equilíbrio em hábitos simples: assistir filmes no sofá de casa, passar tempo com a família e manter distância das redes sociais — que já não ficam instaladas em seu celular. “Existe muita negatividade ali.”
Outro tema recorrente foi a importância do pensamento positivo. Hamilton afirmou que acredita profundamente no poder das palavras e das afirmações. “Tudo o que eu disse que faria, eu fiz”, comentou. “A gente precisa parar de limitar a nós mesmos.”
A conexão com a Rimowa também apareceu de forma natural ao longo da conversa. Fascinado por design, arquivos históricos e objetos vintage, Hamilton contou que gosta de conhecer os bastidores das marcas com as quais trabalha. “Adoro visitar arquivos históricos. É ali que você entende como uma marca evoluiu ao longo do tempo.”
O encontro revelou um Hamilton menos piloto e mais humano: alguém movido por disciplina extrema, curiosidade e uma vontade genuína de deixar um impacto positivo além das pistas.