Daqui a dois dias completarão exatos cinco anos desde o último jogo de Lionel Messi pelo Barcelona. Em maio de 2021, o argentino abria o placar no seu jogo de despedida do clube catalão, contra o Celta de Vigo. Sua performance nos campos europeus se encerrou, mas seus negócios não – e La Pulga acaba de comprar um imóvel a poucos quilômetros da sua antiga casa no futebol, o Camp Nou.
A aquisição foi feita pelo Edificio Rostower SOCIMI, um fundo de investimentos imobiliários de Messi que é listado em bolsa.
Foram € 11,5 milhões pagos pelo imóvel localizado no Turó Park, representando € 2,9 mil por metro quadrado. A ponta vendedora, que detinha o imóvel, era o Santomera Bay, private office de Alejandro Alcaraz – uma estrutura societária criada para gerir o patrimônio e os investimentos de uma única pessoa ou família.
O imóvel fica localizado em uma das regiões mais nobres de Barcelona, no bairro de Sarrià-Sant Gervasi, zona alta da cidade – e também a cerca de 3,5 quilômetros de distância do Camp Nou, cerca de 15 minutos de carro.
A propriedade abrigava a antiga galeria Via Wagner. Ela foi concebida nos anos 80 como um espaço comercial de alto padrão, chegando a reunir cerca de cem pequenos estabelecimentos em um determinado momento.
No entanto, o local fechou cerca de oito anos depois, em 1993, com a euforia pós-Olimpíadas já dissipada. Parte dos problemas derivava da grande pulverização, já que cada um dos 100 empreendimentos tinha um dono diferente – e quando o negócio imobiliário começou a apresentar problemas, as divergências impossibilitaram soluções ágeis e eficientes.
A Prefeitura de Barcelona foi quem fechou o espaço, que sofreu um incêndio ainda no mesmo ano, destruindo parte do prédio. Segundo a imprensa catalão, o incêndio foi criminoso, provocado por vândalos.
Desde então o local nunca foi restaurado, sendo alvo de ocupações. No início dos anos 2000, outro incêndio também assolou o local.
A possibilidade de venda sempre foi baixa pois os possíveis investidores não conseguiam negociar individualmente com dezenas de proprietários com interesses divergentes. O modelo de negócio com múltiplos donos era relativamente comum em galerias comerciais dos anos 80 na Europa.
Só em 2017 que a Santomera Bay de Alejandro Alcaraz começou esse trabalho, levando oito anos para consolidar 100% da propriedade gastando €10 milhões no processo.
Com a compra pela sociedade de investimentos imobiliários de Messi, será realizada uma reforma completa do edifício, que soma uma área de 4 mil metros quadrados. Depois disso, o imóvel será colocado no mercado de locação.
Segundo informações da Forbes Espanha, o imóvel tem despertado interesse de vários operadores tier I do setor financeiro como potenciais ocupantes, embora ainda não tenha sido definido quem ocupará o ativo.
Os gols no mundo dos negócios
Enquanto veste a camisa rosa vibrante do Inter Miami FC, o argentino tem expandido seus negócios, inclusive com a inserção do fundo imobiliário que realizou a aquisição em questão na bolsa de valores.
O Edificio Rostower SOCIMI é listado sob o ticker ERTW na Portfolio Stock Exchange (Portfolio SE), um mercado alternativo europeu que é supervisionado pelo Banco de Espanha, concorrente do BME Growth espanhol.
A estreia do fundo na bolsa foi por € 57,40 por ação, na virada de 2024 para 2025. O market cap do fundo é de cerca de € 240 milhões atualmente, representando uma ligeira valorização em relação aos € 223 milhões da oferta inicial.
Os dados públicos mostram que as cotas são negociadas a € 62,50 atualmente.
Segundo o próprio fundo, suas atividades “têm como objetivo o investimento imobiliário, a aquisição, locação e venda de imóveis urbanos, como hotéis, estabelecimentos comerciais e residências”.
O portfólio do fundo imobiliário de Messi contempla prédios corporativos, estacionamentos e hotéis – incluindo propriedades com a marca MiM Hotels, que opera em Ibiza, Mallorca e outras cidades espanholas.
A Rostower faz parte da holding Limecu España 2010, sociedade limitada criada em abril de 2010 para gerir os negócios do jogador em solo espanhol.
A Leo Messi Management, gestora de seus direitos de imagem, também fica sob esse guarda-chuva.
A Limecu Espanã anotou em 2023 um lucro líquido de €15,1 milhões.
Fora do ramo imobiliário, Messi comprou também o clube espanhol Unió Esportiva Cornellà, da quinta divisão, sediado nos arredores de Barcelona, cidade que ele passou a chamar de lar aos 12 anos.
Ele também é dono do Leones de Rosário FC, da Argentina, e do uruguaio Deportivo LSM.
Vale destacar que seu contrato com o Inter Miami prevê que após o atleta encerrar sua passagem pelo clube será possível comprar uma fatia societária sem necessidade de aporte financeiro.
O drible tributário
O fundo imobiliário de Messi reestruturou a sociedade em meados de dezembro de 2024, anos antes de entrar na bolsa.
O movimento visava benefício tributário, considerando que o regime fiscal prevê tributação de apenas 1% via impostos de sociedades para os fundos que distribuem pelo menos 80% do seu lucro como dividendos aos acionistas.
Na prática, o jogador reestruturou os negócios para torná-los uma SOCIMI, sigla para Sociedades Anónimas Cotizadas de Inversión – o equivalente espanhol para o que são os FIIs no Brasil, ou REITs nos Estados Unidos.
Qual o tamanho da fortuna de Messi?
As informações da Forbes apontam Lionel Messi como o 2º jogador de futebol mais bem pago do mundo e o 5º atleta mais bem pago do mundo.
Aos 38 anos, o jogador soma US$ 60 milhões com ganhos em campo, com o contrato com o clube da MLS, além de US$ 70 milhões com negócios fora dos campos, incluindo patrocínios – totalizando então US$ 130 milhões ao ano.
Messi entrou para o seleto grupo de atletas bilionários em meados de 2020. À época, apenas Cristiano Ronaldo ostentava esse status. Fora do futebol, a curta lista de atletas bilionários contempla Tiger Woods e Floyd Mayweather.