O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, antecipou a volta ao Brasil, após cumprir agendas oficiais em Assunção, no Paraguai, para participar das discussões sobre a reação do governo brasileiro à decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Lima e Silva estava na capital paraguaia para participar da 55ª Reunião de Ministros do Interior e Segurança do Mercosul e Estados Associados (RMIS) e da 63ª Reunião de Ministros da Justiça do Mercosul (RMJ), realizadas na manhã desta sexta-feira (29/5).
Segundo interlocutores, o ministro antecipou o retorno a Brasília em algumas horas para acompanhar mais de perto as discussões, embora já participe ativamente das conversas desde a divulgação da medida.
A Casa Civil, comandada pela ministra Miriam Belchior, convocou reunião de ministros nesta sexta-feira (29/5), às 12h, no Palácio do Planalto, para discutir o tema.
O Metrópoles apurou que participam do encontro, que será realizado em formato de almoço, os ministros da Fazenda, Dario Durigan, das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.
De acordo com interlocutores, reuniões entre equipes dos ministérios envolvidos — além da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) — ocorrem desde quinta-feira (28/5), quando o governo dos Estados Unidos informou a decisão.
A medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump de endurecer o combate ao crime organizado internacional e ampliar sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.
O titular da Justiça deve ir ao Palácio do Planalto à tarde. A expectativa é de que a reunião, que contará também com equipes técnicas das pastas e diplomatas, se estenda ao longo do dia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não está em Brasília. Ele cumpre agendas em Sergipe, nesta sexta-feira, e, no fim do dia, segue para o Rio de Janeiro, onde participará, na manhã de sábado (30/5), do lançamento do streaming de obras brasileiras Tela Brasil.
O titular do Planalto já deixou claro ser contra a medida. O argumento do Executivo é de que a decisão dos EUA traz riscos à soberania nacional, porque pode abrir brechas para eventuais intervenções militares norte-americanas em território brasileiro.