Há colaborações que nascem como estratégia. Outras, como inevitabilidade. A união entre a Breitling e a Aston Martin, oficializada também na Fórmula 1, parece se encaixar na segunda categoria. Não apenas pelo peso das duas marcas, mas por uma conexão histórica que atravessa mais de um século e chega, em 2026, ao seu ponto mais natural: o encontro entre tempo, velocidade e performance.
A parceria global de longo prazo transforma a Breitling na Parceira Oficial de Relógios da Aston Martin e da equipe da montadora na Fórmula 1. Mais do que uma associação de branding, trata-se de um movimento que conecta dois universos que sempre caminharam lado a lado: o da engenharia de precisão e o da busca pela velocidade máxima.
“É uma história um pouco longa. Ela chega agora, em 2026, com essa parceria, mas a relação entre corrida e Breitling começou, eu diria, há cerca de 100 anos, nos anos 1930”, afirma Antoine Loron, managing director da Breitling para a América Latina e Caribe, em entrevista exclusiva à Forbes Brasil.
A origem dessa relação está nos cronógrafos. Antes mesmo de se tornarem objetos de desejo, eles eram ferramentas essenciais para medir desempenho — primeiro na aviação, depois nas pistas. “Depois da Segunda Guerra Mundial, esse tipo de ferramenta passou a ser muito usado também no universo das corridas, justamente para medir quem chegava primeiro, quem fazia o melhor tempo”, explica.
Essa transição ajuda a entender por que relógios e carros compartilham o mesmo DNA. “A caixa do relógio é como a carroceria do carro; o movimento do relógio é como o motor do carro. Há muitas conexões”, diz Loron.
A parceria atual materializa essa conexão em um produto que sintetiza esses valores. O Navitimer B01 Chronograph 43 Aston Martin Formula One Team marca o retorno da Breitling à Fórmula 1 e inaugura uma nova fase dessa história.
O Brasil no radar da Breitling
Se a parceria com a Aston Martin projeta a marca globalmente, o Brasil aparece como peça estratégica no plano de expansão da Breitling — ainda que o mercado local esteja longe de atingir seu potencial máximo. “Temos uma longa história com o Brasil, e uma história complicada também. É uma relação de altos e baixos”, afirma Loron.
A marca já teve forte presença no país nas décadas de 1990 e 2000, mas recuou após mudanças estratégicas e o impacto da alta carga tributária. O retorno, iniciado há cerca de dois anos, marca um novo ciclo. “Voltamos com muito sucesso, mas ainda somos pequenos e ainda temos muito a fazer para crescer de forma rápida e forte.”
Hoje, a operação ainda é limitada — com uma boutique no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e presença em algumas joalherias —, mas o crescimento, segundo o executivo, tem sido acelerado. “Nosso crescimento é exponencial porque agora temos uma equipe lá e podemos focar mais em nossos clientes no Brasil.”
Na leitura da Breitling, o país reúne uma combinação rara: escala, relevância econômica e um mercado ainda pouco explorado no segmento de relógios de luxo. “O mercado é enorme. São 220 milhões de habitantes. É um dos maiores países do mundo.”
Ao mesmo tempo, esse potencial contrasta com a realidade atual. “O mercado de relógios não é tão desenvolvido”, diz Loron, ao comparar o Brasil com o México, que aparece entre os principais destinos das exportações suíças do setor.
Para a marca, esse cenário representa mais oportunidade do que risco. “Nós decidimos vir porque é uma grande oportunidade estar em um mercado menos congestionado.”
Mais do que volume, a estratégia passa pela construção de relacionamento. Esse é um diferencial que, segundo o executivo, pode compensar até mesmo os preços mais altos no mercado local. “Você pode até pagar um pouco mais de imposto no Brasil, mas, no fim, o relacionamento é muito mais importante.”
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DivulgaçãoLimitado a 1.959 peças, o modelo traz caixa em titânio, mostrador em fibra de carbono e detalhes inspirados no universo da Fórmula 1
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DivulgaçãoNavitimer B01 Chronograph 43 Aston Martin Formula One Team
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DivulgaçãoCarro da Aston Martin na Fórmula 1
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DivulgaçãoNavitimer B01 Chronograph 43 Aston Martin Formula One Team
O Navitimer
De volta ao produto, o Navitimer da parceria carrega essa mesma lógica: unir técnica e emoção. Limitado a 1.959 peças, o modelo traz caixa em titânio, mostrador em fibra de carbono e detalhes inspirados no universo da Fórmula 1.
“O Navitimer é um relógio de piloto. Foi criado para aviadores nos anos 1950. Então, à primeira vista, poderíamos dizer que não seria tão lógico usá-lo. Mas decidimos fazer isso para celebrar sua história no pulso de pilotos como Jim Clark e Graham Hill”, explica Loron.
O resultado é um relógio que traduz a essência da parceria. “Esse relógio é técnico, mas elegante. Ele é, mais ou menos, uma imagem da Aston Martin, especialmente na Fórmula 1.”
Mais do que um lançamento pontual, a colaboração abre caminho para uma série de produtos ao longo dos próximos anos. “É uma parceria de vários anos. Haverá mais relógios no futuro.”
No fim, a união entre Breitling e Aston Martin reforça uma ideia que há décadas move tanto a relojoaria quanto o automobilismo: a de que medir o tempo é, também, uma forma de buscar performance. E, nesse universo, cada detalhe — do motor ao movimento — precisa funcionar com precisão absoluta.


