“Matisse 1941-1954”, em cartaz no Grand Palais, é uma exposição histórica de proporções inéditas, reunindo mais de 300 obras dos últimos 13 anos de vida do artista – um período de intensa criatividade que redefiniu a arte moderna por meio do uso ousado de cor, luz e forma.
Após uma cirurgia quase fatal contra um câncer intestinal, em 1941, que o deixou fisicamente debilitado, Matisse entrou em uma fase final extraordinária de reinvenção radical, que ele próprio descreveu como “um florescimento”. Em vez de desacelerar, produziu algumas de suas obras mais inovadoras e influentes.
A exposição no Grand Palais desafia a ideia, por muito tempo difundida, de que artistas entram em declínio na velhice. Organizada em colaboração com o Centre Pompidou – atualmente fechado para reformas até 2030 –, a mostra fica em cartaz até 26 de julho.
Um Matisse em pleno florescimento aos 80 anos
Próximo dos 80 anos, Matisse não apenas se reinventou, como renovou completamente seu vocabulário visual, dando uma dimensão monumental à sua arte. A exposição recria a atmosfera de seu grande ateliê, apresentando pinturas, desenhos, livros ilustrados, têxteis, vitrais e seus inovadores recortes em guache, que revelam as diferentes facetas desse momento final de grande inspiração.

Enquanto a Segunda Guerra Mundial se intensificava na França e muitos artistas deixavam o país em busca de refúgio, Matisse mudou-se para o sul, para seu apartamento em Nice, localizado na chamada zona livre, optando por permanecer apesar das oportunidades de sair. “Se todos que têm algum valor deixarem o país, o que será da França?”, escreveu em 1940.
Matisse, um “artista degenerado”
Durante a guerra, ele se recusou a expor, foi rotulado como “artista degenerado” pela Gestapo e viu sua família sofrer perseguições – sua esposa foi presa e sua filha deportada por participarem da Resistência.

Ainda assim, continuou trabalhando em privado. Como observou o The New York Times, muitas das obras luminosas desse período pouco revelam do caos ao seu redor, irradiando, em vez disso, cores vivas e uma intensidade serena.
A exposição “Matisse 1941-1954” segue uma ordem cronológica, destacando a impressionante diversidade de técnicas exploradas pelo artista – muitas delas apresentadas excepcionalmente nesta mostra, várias pela primeira vez na França.

Destaques da exposição
Além do já rico acervo do Centre Pompidou, a mostra reúne obras emprestadas de coleções privadas e instituições nacionais e internacionais, como o Hammer Museum, o Museum of Modern Art, a National Gallery of Art, a Barnes Foundation e a Fondation Beyeler.

A exposição reúne conjuntos importantes desse período, incluindo a série final de pinturas intitulada Intérieurs de Vence (Interiores de Vence), de 1946-1948, desenhos a pincel e tinta, obras criadas para a capela de Vence e recortes monumentais como La Gerbe (O Feixe), Acanthes (Acantos) e Mémoire d’Océanie (Memória da Oceania).
Também estão presentes grandes figuras em recortes de guache, entre elas La Tristesse du Roi (A Tristeza do Rei), Zulma, Danseuse Créole (Dançarina Crioula) e os Nus Bleus (Nus Azuis), que raramente são exibidos juntos.

Tendo como pano de fundo a guerra e o período de reconstrução pós-guerra, a exposição mostra como Matisse emergiu como um símbolo de liberdade artística tanto na França quanto nos Estados Unidos – reafirmando seu legado como um dos artistas mais importantes do século XX.

A exposição “Matisse 1941-1954” já está aberta ao público e segue em cartaz até 26 de julho de 2026, no Grand Palais, em Paris.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com