Seja Bem Vindo - 09/05/2026 05:08

  • Home
  • Política
  • “A Lógica Ficou Clara desde o Início”, Diz Executivo do Grupo Serra Verde sobre Acordo de R$ 14 Bilhões com a USA Rare Earth

“A Lógica Ficou Clara desde o Início”, Diz Executivo do Grupo Serra Verde sobre Acordo de R$ 14 Bilhões com a USA Rare Earth

O acordo de US$ 2,8 bilhões (R$ 14 bilhões) entre a Serra Verde e a USA Rare Earth cria uma operação integrada ao longo da cadeia de terras raras, que vai da mineração à produção de ímãs, as matérias-primas usadas em veículos elétricos, defesa e tecnologia.

A empresa brasileira já recebeu mais de US$ 1 bilhão em investimentos dos Estados Unidos e do Reino Unido ao longo de 16 anos e se consolidou como produtora em larga escala de terras raras pesadas fora da Ásia. Com a combinação dos negócios, passa a ter acesso a etapas industriais que ainda não operam em escala fora da China.

O acordo prevê contratos de longo prazo, com preços mínimos definidos, em um mercado marcado por volatilidade. O acordo inclui um contrato separado de fornecimento por 15 anos, com preços mínimos garantidos, que assegura a venda da produção a uma estrutura financiada por recursos públicos e privados dos Estados Unidos.

A operação também é analisada no Supremo Tribunal Federal, com questionamentos sobre controle e soberania dos recursos minerais.

À Forbes Brasil, Ricardo Grossi, presidente da SVPM e COO do Grupo Serra Verde, comenta os termos da operação, as perspectivas para o avanço do Brasil na cadeia de terras raras:

Quanto tempo duraram as negociações até chegar a esse acordo?
As duas partes rapidamente reconheceram a lógica convincente de combinar os dois negócios para criar uma empresa com capacidade operacional ativa em toda a cadeia de valor das terras raras leves e pesadas, incluindo mineração, processamento, separação, metalização e produção de ímãs.

Estruturar uma operação que integra mineração, tecnologia e indústria em vários países não é trivial. Onde esteve o principal desafio?
A empresa combinada será uma líder global em terras raras, beneficiando-se de conhecimento pioneiro em mineração e processamento, além de acesso a tecnologias de ponta em separação, processamento e produção de metais por meio de suas próprias operações e de parcerias estratégicas, que abrangem o Brasil, os Estados Unidos, o Reino Unido e a França.

Em que momento a conversa deixou de ser uma parceria e passou a ser uma combinação de negócios?
A decisão de avançar com esta transação foi baseada em uma avaliação aprofundada dos benefícios estratégicos e comerciais da combinação, com o objetivo de criar uma plataforma de terras raras totalmente integrada ao longo da cadeia de valor.

O desenho com preços mínimos foi uma exigência da Serra Verde ou uma condição para viabilizar o acordo?
O contrato de fornecimento de 15 anos, com preços mínimos garantidos, foi firmado para abastecer uma Empresa de Propósito Específico ou SPV (Special Purpose Vehicle), capitalizada por diversas agências do governo dos Estados Unidos e por fontes de capital privado. Ele é distinto do acordo de combinação entre a USA Rare Earth e a Serra Verde.

Sem esse modelo, o negócio sairia do papel?
O contrato de fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e sustentando seu desenvolvimento bem-sucedido, ao mesmo tempo em que assegura empregos e investimentos para o Brasil e para Minaçu (GO) por muitos anos. Os preços mínimos previstos no contrato de fornecimento também respondem aos sinais de preço pouco representativos que, anteriormente, limitaram o desenvolvimento de novas fontes upstream de terras raras pesadas e de cadeias integradas de fornecimento de terras raras.

Como foi negociar com a USA Rare Earth em um mercado historicamente volátil?
Os preços garantidos previstos no Acordo de Fornecimento negociado pela Serra Verde proporcionam fluxos de caixa seguros e previsíveis pelos próximos 15 anos, sustentando o crescimento e os investimentos da companhia.

Houve participação direta ou indireta de governos nas conversas?
Não. O acordo entre a USA Rare Earth e a Serra Verde foi alcançado após uma avaliação aprofundada dos benefícios estratégicos e comerciais da combinação pelos respectivos Conselhos de Administração e equipes de gestão da Serra Verde e da USA Rare Earth.

Em que momento vocês perceberam que esse acordo realmente avançaria?
A lógica convincente da transação ficou clara para as duas partes desde a fase inicial.

Qual é o impacto concreto dessa operação para o Brasil em termos de investimento e cadeia produtiva?
Até ao momento, a Serra Verde recebeu mais de US$1 bilhão de dólares em investimentos provenientes dos EUA e do Reino Unido ao longo de 16 anos, o que permitiu criar o único produtor em grande escala de terras raras pesadas fora da Ásia e foi pioneira na indústria de terras raras do Brasil.

A combinação entre Serra Verde e USA Rare Earth criará uma empresa maior, mais bem posicionada para crescer e investir em suas operações, em razão de sua maior escala, diversificação geográfica, sólida posição financeira e recursos humanos e tecnológicos ampliados.

A Serra Verde terá um papel central nas operações integradas, da mina ao ímã, da empresa combinada, gerando benefícios significativos para o Brasil, nossos colaboradores e comunidades por meio de investimentos adicionais, maior arrecadação tributária e ampliação das oportunidades de emprego, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico da região.

A Serra Verde acredita que isso abrirá caminho para que outros produtores brasileiros sigam seu exemplo, criando uma indústria relevante para o país.

Há espaço para o país ir além da mineração e se tornar um polo industrial de terras raras?
Sim. Por exemplo, a Serra Verde já processa seu minério em um produto intermediário de alto valor em suas operações integradas em Goiás. A capacidade de separar terras raras em escala ainda não existe fora da China. No entanto, a combinação com a USA Rare Earth dá à Serra Verde acesso a essa tecnologia, e estamos avaliando a localização da etapa de separação após a realização de uma análise técnica e econômica completa. O Brasil continua sendo uma opção.

De forma mais ampla, o Brasil tem base de recursos, estrutura regulatória, profissionais qualificados, histórico em mineração e infraestrutura que poderiam apoiar o avanço do país para além da mineração. No entanto, isso exigirá muitos anos de investimento contínuo em todos os pontos da cadeia de valor.

O que precisa ser feito pelo país para que isso aconteça?
Para alcançar esse objetivo, o Brasil precisará demonstrar um ambiente de negócios atrativo, com apoio fiscal e outras formas de suporte que deem às empresas a confiança necessária para realizar os investimentos significativos e de várias décadas exigidos para construir uma indústria de grande escala, capaz de competir com concorrentes globais já estabelecidos.

O Brasil corre o risco de continuar apenas como fornecedor de matéria-prima?
A Serra Verde já processa seu minério em um produto intermediário de alto valor, o Carbonato Misto de Terras Raras. A combinação com a USA Rare Earth nos dá acesso à tecnologia de ponta em separação, e estamos avaliando onde localizar as instalações de separação, tendo o Brasil como uma das opções.

No entanto, estabelecer no Brasil uma indústria de terras raras de escala global nas etapas intermediárias e finais da cadeia exigirá muitos anos de investimentos de grande porte por múltiplos agentes. Isso só ocorrerá com apoio governamental sustentado e de longo prazo, por meio de regulação eficaz, políticas fiscais atrativas e outras medidas.

A ação no Supremo Tribunal Federal levanta questionamentos sobre controle e interesse nacional. Como a empresa responde a esse ponto? Há risco de a judicialização afetar o cronograma da operação?
É nossa política não comentar assuntos políticos, nem comentar questões legais em andamento.



Clique aqui para ver a Fonte do Texto

VEJA MAIS

Sem amparo do FGC, fintech Naskar deixou 3 mil clientes no prejuízo

A fintech em questão “desapareceu” com mais de R$ 900 milhões de cerca de 3 mil…

veja novos valores previstos em projeto de lei

O Projeto de Lei 4003/2019, que tramita na Câmara dos Deputados, atualiza as tabelas das…

Treta em Valadares respinga no suplente de Cleitinho em meio à pré-campanha

Belo Horizonte – Com as eleições se aproximando, o suplente do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos)…