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“Acabar com a Fome é uma Decisão Social e Econômica”, Diz Geyze Diniz, Fundadora do Pacto contra a Fome

Estúdio Fernanda Scott

Para Geyze Diniz, sair do Mapa da Fome representa um avanço significativo, mas está longe de resolver o problema do Brasil

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Geyze Diniz mobiliza empresas, governos e organizações sociais com uma meta: erradicar a fome e o desperdício de alimentos no Brasil. “Em tudo que fazemos, temos como horizonte nossa missão maior que é chegar a 2030 sem que nenhum brasileiro passe fome e em 2040 com todos os brasileiro bem alimentados”, diz a empresária, que é fundadora e presidente do conselho do Pacto Contra a Fome.

Lançada em 2023, a organização celebrou seu segundo aniversário na última terça-feira (12), em evento no Teatro Cultura Artística, no centro de São Paulo. O encontro reuniu representantes dos setores público e privado, da sociedade civil e de organismos internacionais para apresentar um balanço das conquistas já alcançadas e reforçar as metas para os próximos anos.

O evento aconteceu em um momento simbólico: o anúncio de que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). Apesar disso, Geyze alerta que ainda há mais de 28 milhões de brasileiros vivendo em insegurança alimentar severa ou moderada. “Sair do Mapa da Fome representa um avanço significativo, mas está longe de resolver o problema.”

O custo da fome é alto, não apenas para quem sofre, mas para a sociedade de modo geral. “Acabar com a fome é uma decisão de cunho social, mas também econômico”, defende a empresária, destacando que quem passa fome adoece mais, não produz e não consome. “Por isso, é fundamental que todos estejam envolvidos com a solução.”

Para Geyze, a força do movimento está na capacidade de articular diferentes setores. “Atuamos como um catalisador, conectando governos, engajando empresas e mobilizando organizações sociais para criar sinergias”, diz. “Acabar com a fome é possível se houver união de esforços.”

Geyze Diniz e as codiretoras do Pacto Contra a Fome, Maria Siqueira e Juliana Plaster

Estúdio Fernanda Scott

Geyze Diniz e as codiretoras do Pacto Contra a Fome, Maria Siqueira e Juliana Plaster

Da pandemia à articulação nacional

A história do movimento começou a ser escrita no auge da pandemia de Covid-19, quando Geyze se engajou na arrecadação de cestas básicas. “Sempre soube que a fome existia no Brasil, mas quando a pandemia chegou, ela virou uma crise. Pensava nas crianças que tinham a merenda escolar como única refeição do dia.”

Em pouco mais de dois anos, o movimento já contabiliza conquistas relevantes, como a atuação na definição da cesta básica nacional e na isenção de impostos sobre seus produtos. Também lançou o Prêmio Pacto Contra a Fome, que em sua terceira edição chegará a mais de R$ 1,8 milhão em prêmios a iniciativas que combatem a fome.

O Pacto está presente em projetos nacionais, como as Ceasas, e ações locais em estados como Ceará, Pará, Maranhão e São Paulo. No cenário internacional, passou a integrar redes como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e a Food and Land Use Coalition (FOLU).

Cécilia De Saint-Viteux Miles, Geyze Diniz e Katarina Camarotti

Estúdio Fernanda Scott

Cécilia De Saint-Viteux Miles, Geyze Diniz e Katarina Camarotti

Liderança e propósito

Formada em Economia pela Universidade Mackenzie e com MBA pela Fundação Getulio Vargas, Geyze trabalhou durante nove anos no Grupo Pão de Açúcar. Foi diretora de Planejamento Estratégico e integrou o conselho de administração da companhia, onde conheceu Abilio Diniz (1936–2024), com quem se casou. Atualmente, é conselheira da Península Participações, empresa de investimentos da família, do Instituto Península e da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Desde a fundação do Pacto, Geyze imprimiu à organização a visão de gestão que desenvolveu ao longo da trajetória profissional. “Procurei trazer uma atuação mais estruturada, fortalecida em termos de governança e de resultados. Ao mesmo tempo, trabalhamos muito a coconstrução, o processo de escuta interna e externa, que é fundamental quando nos propomos a atuar coletivamente.” As metas seguem claras e exigem esforço coletivo: “É necessária mobilização, união de esforços e que as ações contra a fome sejam uma pauta não de governos, mas da sociedade.”





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