O que era apenas uma pequena muda de água-pomba em 1981 tornou-se um monumento vivo de afeto em Aquidauana, Mato Grosso do Sul. No dia em que sua filha, Anay Serra de Oliveira, nasceu, Maurício Borba de Oliveira decidiu plantar uma árvore em frente à sua sala de trabalho no antigo Centro de Educação Rural de Aquidauana (CERA). Mais de 40 anos depois, Anay retornou ao local — que hoje abriga a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) — e protagonizou um reencontro emocionante com a planta, agora gigantesca, registrando um novo capítulo de uma história que começou na sua infância. Assista ao vídeo.
Entenda
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Marco de nascimento: a árvore foi plantada em 9 de abril de 1981, exatamente no dia em que Anay nasceu.
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Herança rural: a infância de Anay foi marcada pelas tardes na escola agrícola, entre criações de bicho-da-seda e animais da fazenda.
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O reencontro: após 20 anos sem visitar o local, Anay reencontrou a água-pomba durante um evento de tecnologia agropecuária.
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Conexão paterna: o registro simboliza a paixão de seu pai, Maurício, pela natureza, conectando gerações pelo meio ambiente.
Uma infância entre os “agriculinos”
A memória de Anay é inseparável do ambiente rural onde seu pai trabalhou por 23 anos. Enquanto Maurício atuava como meteorologista e na mecanografia, a filha explorava os 15 quilômetros que separavam a unidade da cidade. Para ela, o local era um parque de diversões educativo: “Eu amava ir lá olhar os bichos-da-seda, eles dando comida, os casulinhos”, recorda. Essa vivência moldou uma relação dinâmica e próxima, regada a trilhas e incursões pelo Pantanal.

O gigante reencontrado
A árvore, que antes aparecia pequena em uma fotografia de quando Anay tinha cerca de cinco anos, hoje domina a paisagem. O reencontro aconteceu por acaso durante o evento Pantanal Tech.
Ao caminhar pelo campus da atual UEMS, Anay avistou a água-pomba e a conexão foi instantânea. “Eu falei: ‘puxa, tem uma árvore aqui que ele plantou no dia que eu nasci’”, conta. O registro atualizado, comparando a muda do passado com a árvore imponente de hoje, viralizou nas redes sociais após reaparecer como lembrança em seu aniversário de 2026.

Legado de raízes fortes
Para Anay, a árvore é a tradução física do amor de seu pai pelas plantas. Maurício, atualmente com 75 anos, sempre foi um profundo conhecedor de espécies frutíferas e transmitiu essa curiosidade à filha.
Mais do que um elemento da flora local, a água-pomba tornou-se um elo sentimental entre pai e filha, resistindo ao tempo e à distância. “Ele associou esse amor comigo. Tem muito valor sentimental essa conexão”, conclui Anay, celebrando o fato de que, embora os ciclos mudem, algumas raízes permanecem intactas.