O empresário Georgios Frangulis aparece nas redes sociais entre paddocks de Fórmula 1, jogos de tênis, campos de futebol, viagens pela Europa e doses generosas de açaí da própria marca, a rede brasileira Oakberry, hoje presente em 50 países. Com o corpo marcado por tatuagens de referências gregas e religiosas e no guarda-roupa, peças que misturam luxo e streetwear, ele conta que uma pergunta começou a se repetir nos comentários e mensagens privadas: “Onde você comprou isso?”.
Durante anos, os seguidores (só no Instagram são mais de 260 mil) perguntaram de onde vinham as camisetas, os casacos e os relógios que usava. “Percebi que tem mais gente que gostaria de usar as coisas que eu uso”, afirma Frangulis.
Quase dez anos depois de abrir a primeira loja da Oakberry em São Paulo, semanas após retirar um câncer na tireoide e usando uma indenização inesperada do seguro para financiar a operação, Frangulis agora lança a The Gride. Uma marca de roupa criada menos para seguir tendências e mais para traduzir na moda a sua própria história.
O novo negócio nasceu há poucas semanas e corre em paralelo à expansão da Oakberry. Segundo Frangulis, a rede ultrapassou R$ 1 bilhão de faturamento no ano passado e deve atingir cerca de R$ 1,5 bilhão em 2026. A companhia já passou das mil unidades e deve fechar o ano com aproximadamente 1.260 lojas em mais de 50 países. “É um negócio grande, mas ainda com crescimento de startup”, afirma.
As referências da The Gride estão espalhadas pelas peças: santos, escudos das cidades gregas de origem da família, orações, símbolos militares e até tatuagens reproduzidas exatamente nas posições em que aparecem em seu corpo. “O meu corpo já é meio que um livro da minha história e das minhas crenças”, diz.
A empresa fica nos Estados Unidos, produz em Portugal e entrega globalmente. O nome vem da junção entre “Greek” (grego) e “Pride” (orgulho). “A maneira como fui criado, numa estrutura familiar muito grega, formou o que eu sou como homem e empresário”, afirma.
Hoje morando fora do Brasil, Frangulis divide a rotina entre a operação da Oakberry, a nova marca de roupas, investimentos no Le Mans FC, clube francês do qual se tornou sócio e diretor de branding em 2025, e a vida ao lado da tenista número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, de quem ficou noivo há dois meses.
Em entrevista à Forbes Brasil, Frangulis fala sobre identidade, construção de marca, crescimento global da Oakberry, pressão, religião, moda e por que decidiu criar, pela primeira vez, um negócio sem a obsessão do retorno financeiro imediato.
A The Gride nasce muito conectada às suas origens. Em que momento você percebeu que queria transformar isso em marca?
Georgios Frangulis: Eu sempre gostei muito de moda e sempre foi algo que me trouxe prazer. E eu sentia que, pelo menos umas duas vezes por ano, eu pensava: “Pô, eu quero fazer as coisas que eu gostaria que existissem para usar”. Eu sempre usei a maneira com que eu me visto para contar um pouco do que eu sou antes de precisar abrir a boca. E aí comecei a perceber também que existia uma demanda. Qualquer coisa que eu posto em rede social, eu recebo centenas de mensagens perguntando onde eu comprei a camiseta, o casaco, o relógio, a pulseira. Então a decisão foi zero financeira. É um projeto de paixão mesmo para mim.
Você já construiu uma marca global com a Oakberry. O que levou de aprendizado para esse novo negócio?
Frangulis: Acho que tudo que eu aprendi. Quando você começa um negócio novo, acaba usando todas as experiências prévias para eliminar os erros que teve antes. Desde a escolha do time até a maneira de desenhar uma marca aspiracional, premium, não pelo preço, mas pelo valor que aquilo tem para quem está criando.
Na Oakberry, eu aprendi a tratar o mundo como uma coisa só. As pessoas pensam cada vez mais parecido. Então eu trouxe essa visão para a The Gride também.
O nome da marca vem de onde?
Frangulis: The Gride é a junção de “Greek” e “Pride”. Eu sou muito orgulhoso das minhas raízes. Sem dúvida, a maneira como fui criado, numa estrutura familiar muito grega, formou e formatou o que eu sou como homem e empresário. Isso precisava fazer parte da marca de uma forma muito forte.
Você define a The Gride como uma marca de roupa ou é lifesyle?
Frangulis: É mais sobre crenças e valores do que sobre lifestyle. Hoje lifestyle virou uma palavra usada para tudo. No fim do dia, tudo é estilo de vida. O que você come, a roupa que usa, os lugares que frequenta. Mas a The Gride fala mais sobre o que eu acredito.
E como isso é gravado nas peças de roupa?
Frangulis: De uma maneira relativamente simples, porque são coisas muito presentes em mim. São símbolos que já estão no meu corpo, santos para os quais eu rezo todos os dias, referências dos meus avós. Nessa primeira coleção, por exemplo, tem camiseta com todas as minhas tatuagens exatamente nas posições em que elas estão no meu corpo.
Eu tenho tatuagens com os escudos das cidades de onde minha família veio, com o tag do exército do meu avô na Segunda Guerra Mundial, com orações inteiras. O meu corpo já é meio que um livro da minha história e das minhas crenças.
Em algum momento você pensou se as pessoas usariam algo tão pessoal?
Frangulis: O pessoal falou: “Você vai colocar suas tatuagens e ninguém vai querer usar o corpo de outra pessoa”. E eu falei: “Cara, não estou preocupado se vai ou não”. O tesão de fazer o negócio foi justamente esse. Eu queria fazer algo sem amarras, sem ter que me preocupar com o que vai vender ou não vai vender.
É um momento muito diferente daquele início da Oakberry, dez anos atrás...
Frangulis: Totalmente diferente. A The Gride é também um sinal para mim mesmo de que eu posso decidir agora o que eu quero fazer e como eu quero fazer, sem aquela pressão toda. A pressão continua na Oakberry. A Oakberry cresce 50% ao ano, com mais de mil unidades operando. Então a pressão continua ali. Na The Gride, eu quis fazer o oposto. Eu nunca tinha tido a oportunidade de começar um negócio sem pressão financeira.
Qual o tamanho da Oakberry hoje?
Frangulis: Ano passado a gente já fez mais de R$ 1 bilhão de faturamento. Esse ano devemos fazer algo como R$ 1,5 bilhão. Já passamos das mil unidades e devemos fechar o ano com cerca de 1.260 lojas operando em mais de 50 países. É um negócio grande, mas ainda com crescimento de startup. Então a Oakberry ainda precisa muito de mim.
Quais fronteiras você ainda quer ultrapassar com a Oakberry?
Frangulis: A gente ainda tem fronteiras importantes para conquistar. Principalmente a China, o Japão, a Índia. Somando os três mercados, você tem 30% a 40% do mercado de franquia global, e a gente ainda nem começou nesses mercados. Tem muita coisa pra fazer.
E como você pensa a expansão em mercados em que a Oakberry já está?
Frangulis: A Europa hoje é o maior mercado pra gente em faturamento e temos menos de 300 unidades na Europa. Enxergo a Europa como um mercado endereçável de mais de 2 mil unidades. Então tem muita coisa pra fazer ainda. Nos Estados Unidos, a gente tem 55 unidades e vejo que tem espaço pra ter 1.500 unidades da Oakberry. É basicamente, conseguir consolidar a marca como categoria, de fato. E eu acho que a gente vem fazendo um bom trabalho e é manter e continuar sendo agressivo, tomando os riscos certos, mas cada vez com mais experiência.
Qual é o sonho que ainda falta realizar?
Frangulis: O sonho que eu sempre tive é ter uma equipe de Fórmula 1. É muito difícil, mas justamente por isso me deixa motivado para conseguir.